Há algum tempo meu amigo Marcelo Pereira, fez-me o desafio de
falar de uma gigante de minha cidade, perguntou-me: Na sua opinião ela foi ou
não importante para União dos Palmares?
De quem estamos falando? De uma linda Senhora chamada Usina
Laginha.
Sou suspeita para falar desta que me formou como
profissional, mas, sem sombra de dúvida, aquela que começou na década de 50, no
século passado, como um engenho de açúcar, com certeza, foi muito importante
para o desenvolvimento econômico de nossa cidade.
Quando lá trabalhei tive a oportunidade de conversar com
alguns trabalhadores mais antigos e moradores da Comunidade Laginha, eles
sempre destacavam que a usina não só gerava empregos, mas também desenvolvia um
trabalho assistencial significante na área da educação, saúde e social para a
população daquela região.
Iniciei na empresa no começo de 2001 como aprendiz, já não
era mais uma Companhia Açucareira, chamava-se agora Laginha Agro Industrial S/A
– Matriz, produtora de álcool anidro e hidratado, também não era mais sozinha,
tinha suas filhas Uruba, Guaxuma, Triálcool e Vale do Paranaíba, à época era de
expansão. O Grupo JL ganhava o mundo, seus produtos eram conhecidos
internacionalmente e para nos consolidarmos nesse mercado tão exigente,
tínhamos que nos ajustar aos seus requisitos. Nascia um novo olhar voltado para
o Compromisso, a Responsabilidade Social e a Sustentabilidade, muitos projetos
despontaram selos, tais como: Abrinq e ISO 14001, sendo conquistados.
Diante do exposto, até parece que Laginha era a empresa dos
sonhos, sabemos que não era, muita coisa ainda precisava melhorar, muitos
conceitos para serem desconstruídos e reconstruídos. Com ela, infelizmente
tivemos dissabores, expectativas não atendidas, negligências... Sem ela, nosso
comércio enfraqueceu, murchou, os que um dia foram seus operários, para não
morrerem de fome, foram obrigados a se aventurar em lugares desconhecidos, suas
terras não produzem mais e sua destilaria é coberta pela ferrugem.
Laginha poderia ter deixado de existir na enchente de 2010
quando seus tanques de álcool e seu Prédio Administrativo foram arrastados
pelas águas do Rio Mundaú, no entanto, assim como a fênix, ressurgiu das
cinzas, ela, ressurgiu das águas. Tudo conspirava para um lindo progresso e um
futuro promissor, até que seu dono usou parte de sua fortuna para campanha
política, o desfecho dessa história todos já sabem a falência de um Império.
Falar de Laginha gera em mim um misto de emoções, enche-me de
alegria ao recordar das coisas que aprendi e vivi durante os anos que por lá
passei, ao mesmo tempo, sou tomada por uma enorme tristeza quando penso que um
patrimônio de tantas décadas, construído com tanto labor, simplesmente estagnou
em pleno ápice de sua trajetória.
Oh, Bela Dama, queria muito acreditar que um dia o teu apito
voltará a soar.
Por Gednéa Santos
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