
Não existe consenso para conceituar o bom
professor. Entre intelectuais, ou melhor, entre os que estudam e
discursam sobre os professores podem ser encontrados características
comuns. Entre alunos a definição de um bom professor tem peso maior na
subjetividade em detrimento de elementos de análise crítica.
Para
muitos analistas – ‘intelectuais’; críticos; escritores; outros
formadores de opiniões – algumas características recebem ênfase. Na
sociedade da informação um ‘bom’ professor seria aquele que consegue que
o aluno transforme a informação em conhecimento. Os dois substantivos
facilmente se confundem. Informação pode ser conhecimento – e a priori
sempre é, para produzi-lo será preciso conhecer – e este pode ser
aquela, depende do caráter utilitário e da perspectiva de transformação
que acontece, ou não, no comportamento do aluno. Outro aspecto
significativo é permitir e fomentar a reflexão crítica do aluno, ou
seja, provocar a sua participação na articulação do
conteúdo-informação-conhecimento em possibilidades de crescimento
pessoal.
Levar o aluno a pensar e refletir criticamente, atributo
colado ao ‘bom’ professor, é um enorme desafio. Poucos professores
conseguem esta proeza; muitos de nós nem sequer têm a preocupação em
articular as diferenças entre os dois verbos: pensar, todos pensam;
refletir, pouquíssimos. Construir o equilíbrio entre as perspectivas do
professor e do aluno é tarefa complexa. Fazer com que o aluno goste
daquilo que lhe indicamos como importante é redirecionar sua motivação. E
quando o aluno ‘detesta’ nossas formas e conteúdos docentes, mudar suas
atitudes é atribuição mais para santo milagreiro que para mortais
professores. Por isso considero que uma parcela mínima de alunos
realmente aproveita o que professamos, talvez, em torno de dez por cento
em cada sala.
Para o aluno, um bom professor tem muitas facetas.
Situa-se mais nos resultados que na sua qualificação. Justifica-se,
pois para o aluno, a nota é mais importante que o professor e todo seu
desempenho. Infelizmente no contexto atual notas e títulos podem fazer a
diferença e ‘derrubar’ concorrentes muito mais qualificados. As
formações focam mais nas titulações que nas qualificações. Somos
validados pelos títulos e não pelo que somos capazes de articular entre a
informação e o conhecimento. As ascensões sociais e profissionais estão
baseadas mais em ‘informações’ que na realidade do conhecimento, que
nunca é dada e sim em processo.
Nos cursos de graduação, no
ensino superior, poucos são os alunos que encontram o que desejam. As
formações superiores são necessárias à mobilidade social. Por este
motivo muitos alunos estão mais interessados no canudo que no conteúdo, o
que transforma muitos professores em uma figura...: nem bom; nem ruim.
Apenas uma referência, ainda necessária, segundo o aluno;
insubstituível, segundo o professor. A história, o futuro, colocará cada
um em algum lugar.
As transformações chanceladas pelas
tecnologias da informação evocam para a sala de aula o conflito entre a
informação e o conhecimento em que o aluno está com excesso de
informação e avesso ao conhecimento e os professores, em sua maioria,
sofrem o desequilíbrio entre informação e conhecimento, ou seja, não
sabem muito bem como interagir entre as suas informações e a dos alunos
com a capacidade de articular as respectivas interfaces. Fica difícil
definir o ‘bom’ professor e, também, o ‘bom’ aluno.