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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

É hoje: Escola Estadual Rocha Cavalcanti em União dos Palmares promove durante a semana apresentações do ‘Teatro à Boca da Noite’


Agência Tribuna União - Ascom - O festival de teatro da Escola Estadual Rocha Cavalcanti, Teatro à boca da noite, terá sua 2ª edição, e acontecerá de 06 a 17 de novembro deste ano. O evento é um momento de compartilhar com a comunidade escolar o conhecimento ampliado em sala de aula sobre gênero dramático.
Os estudos tiveram início no primeiro bimestre, mais precisamente em maio, com a abordagem sobre gêneros literários (com ênfase no citado gênero), se estendo na visita ao Teatro Deodoro para assistir à peça Volta à seca. Os estudos continuaram com discussões sobre técnicas e textos teatrais. Teatro Épico e as propostas de Bertolt Brecht, O Teatro do Oprimido de Augusto Boal também fizeram parte dos conteúdos trabalhados em sala na disciplina de Arte. O projeto estimula o trabalho em equipe, os jogos cênicos e a solidariedade entre os estudantes.
Desse modo os sorteios de nomes de dramaturgos e compositores musicais brasileiros para que fossem feitas leituras (em equipes) de suas obras. Essa leitura levou as equipes a selecionarem uma de suas obras para a montagem de peças. Leituras, estudos, reflexões e tantos outros momentos povoaram a vida dos estudantes envolvidos nesse trabalho.
Agora a boca da noite não trará apenas a magia da negritude noturna, do brilho das estrelas e da lua; ela trará a magia do teatro e do conhecimento para nossa comunidade. Assim como em 2016, sentir-nos-emos honrados em receber todos que desejarem estar conosco nesse momento de alegria, aprendizagem e magia.
O evento é aberto ao público com início às 18h
06/11 – A Ópera do malandro
07/11 – O pagador de promessas
08/11 – Cala a boca já morreu
09/11 – Farinha boa é a que a mãe manda lá de Alagoas
10/11 – Pluft, o fantasminha
13/11 – As noivas de Copacabana
14/11 – A valsa nº 6
16/11 – O circo Místico
17/11 – Morte e vida Severina e os Severinos de Alagoas – Grupo Mocambo das Artes, peça premiada com o 2º lugar no II Encontro Estudantil

Zumbi vive


Há 322 anos, em 20 de novembro de 1695, morria Zumbi dos Palmares, encerrando mais de um século de resistência naquele que foi o maior quilombo da história do Brasil. Ele morreu na guerra contra a escravidão, hoje extinta, mas a luta contra a desigualdade ainda se faz necessária.


A partir dali, ao invés de esmorecer, foram formados milhares de novos quilombos pelo país inteiro, muitos dos quais continuaram a existir após a abolição. Hoje, segundo a Fundação Palmares, órgão do Ministério da Cultura, há perto de 1900 comunidades remanescentes no país inteiro.

A regularização fundiária desses remanescentes de quilombos é parte dessa luta. Não que queríamos os negros lá, segregados em reservas próprias. Mas, os quilombolas atuais são museus vivos, de enorme relevância por guardarem parcela significativa da cultura trazida da África, que inclui, em muitos casos, a propriedade e uso coletivo de terras.

E pra lembrar ao Brasil que brasileiros afrodescendentes são partes da nossa sociedade, mas ainda padecem da falta de igualdade plena, verdadeira, não apenas formal, no papel.

Palmares

O Quilombo de Palmares ficava na Serra da Barriga, então Pernambuco, distante de áreas urbanas, a região de mais difícil acesso naquela Província.

Era uma área enorme, metade do que é hoje o Pernambuco, indo até as margens do rio São Francisco, de topografia acidentada e uma mescla de mata fechada com palmeirais (palmares) nativos nos topos dos morrotes. Hoje, boa parte do território estaria em Alagoas, onde está a cidade de União dos Palmares.

Tudo começou com a revolta dos escravos de um engenho de açúcar que, armados apenas com foices, chuços e paus atacaram e dominaram seus amos e feitores, segundo conta o historiador Décio Freitas, em “Palmares – A Guerra dos Escravos” (Editora Movimento, Porto Alegre-RS, 1973). E arremata:

“E assim, viram-se senhores do engenho que fora tanto tempo o instrumento da sua opressão. Mas quedaram perplexos: que fazer da liberdade que haviam conquistado?”

Corria o ano de 1.580 e já havia muitos exemplos de revoltas que foram sufocadas, como seria também a deles. Se ficassem na usina, logo seriam cercados por forças bem armadas. Se fugissem pra perto, logo seriam alcançados. Daí, a decisão de andar semanas e semanas até a região dos Palmares. Mas, a simples escolha do local denunciava que o território já havia sido percorrido por alguns deles.

Ergueram, então, onze vilas, chamadas de mocambos, que começaram com cerca de três mil pessoas e chegaram a ter 40 mil habitantes. Muitos foragidos de prisões e senzalas da Bahia e de todo o nordeste foram se incorporando ao empreendimento.

O chefe maior era eleito, como na maioria das comunidades africanas, e não tinha poderes absolutos nem linhagem religiosa, num convívio baseado na fraternidade e solidariedade, citando de novo Décio Freitas Ali, no mocambo Cerca do Macaco, nasceu o menino Zumbi dos Palmares, em 1.655, que ainda criança foi raptado e entregue a um missionário português, que o batizou com o nome de Francisco e o educou.

Com idade de 20 anos, porém, ele voltou aos Palmares, à época sob a liderança de seu tio Ganga Zumba, chefe que negociava um armistício com as autoridades da Província, pois estas haviam aprisionado seus três filhos. Zumbi tomou a dianteira e impediu o acordo, destacando-se como comandante militar, o que o colocou na posição de líder maior do quilombo.

Entretanto, Ganga Zumba prosseguiu as negociações por sua própria conta, foi pessoalmente a Recife, acompanhado de um séquito de 40 homens, e fechou um acordo com o governador da Província, Aires de Souza e Castro. Assim, ele deixou o quilombo e foi morar em umas terras cedidas pelo mandatário. E consta que lá morreu, uns anos depois, envenenado.

Desde lá atrás, no início de tudo, os quilombolas de Palmaras já haviam enfrentado incontáveis batalhas contra portugueses, holandeses e senhores de engenhos. Usavam táticas de guerrilha e quase sempre saiam vitoriosos ou pelo menos ilesos, pois ninguém ousava entrar nos redutos por eles dominados, na tentativa de alcança-los.

Mas, eles enfrentavam sérios problemas, entre os quais o de poucas mulheres, o que os forçava a descer a serra, como se dizia, pra raptar negras em senzalas, plantações ou casas de fazendas. Isto, era feito com escaramuças e violência, pois eles aproveitavam pra confiscar armas e alimentos.

O fato é que, agora, a fama de Zumbi se espalhava pelo país inteiro, como homem capaz de muitas proezas, que não aceitava negociar com o poder colonial que os escravizava e que, além do mais, tinha o corpo fechado, ninguém conseguiria mata-lo. Pelo sim, pelo não, as histórias que corriam incomodavam as autoridades e senhores de escravos.

Foi armada, então, em 1.687, uma grande ofensiva contra Palmares, tarefa entregue ao bandeirante Domingos Jorge Velho, então já conhecido matador de índios da Bahia ao Piauí, e senhor de fazendas em todo o nordeste. Ele tinha um exército de 2.100 homens, dentre os quais 1.300 índios cooptados e uns 800 não-índios, inclusive negros.

Foram 7 anos de ofensivas que, aos poucos, foram solapando o quilombo pelas beiradas, mocambo a mocambo, até o derradeiro ataque ao Macaco, iniciado em março de 1.695. Delatado por um ex-comparsa, Zumbi foi apanhado no dia 20 de novembro, morto e decapitado. Sua cabeça foi levada ao Recife, onde foi exposta no lugar mais público da cidade, e ali ficou até se decompor.