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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Mestra Irinéia recebe alta depois de 13 dias internada em Maceió por causa da Covid-19

Ela e o marido foram diagnosticados com a doença e encaminhados para o hospital. Artesã foi reconhecida como Patrimônio Vivo de Alagoas em 2017.


A mestra artesã e Patrimônio Vivo de Alagoas, Irinéia Rosa, de 73 anos, recebeu alta médica nesta quarta-feira (4) depois de ficar 13 dias internadas no Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA) por causa da Covid-19.

A artesã contou que os primeiros sintomas da doença que sentiu foram cansaço e tosse.“Eu tomava um xarope, lambedor, mas nada de resolver. Aí, eu e meu marido fomos procurar fazer o teste em União dos Palmares e como nosso estado de saúde inspirava cuidados, fomos transferidos para o Hospital Metropolitano”, disse ela.

Ela e o marido ficaram internados por quase duas semanas recebendo tratamento da equipe multidisciplinar. Eles passaram por exames laboratoriais e de imagem durante esse período.

Ao receber alta médica, Irinéia agradeceu à equipe do hospital e disse que quer retomar a confecção de suas peças de barro no Povoado Muquém, em União dos Palmares, onde mora.

“Quero tocar meu barco pra frente, nunca fui à escola e a leitura que Jesus me deu foi a minha arte, que me fez ser reconhecida até fora do Brasil”, comemorou.

A artesã foi reconhecida em 2017 como Patrimônio Vivo de Alagoas.

Fonte: G1

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Conheça a mais nova moradora da Praça Padre Cícero

 
A ONG União Ambiental em parceria com Artts Pneus vem realizando diversos trabalhos que deixam as paisagens / espaços geográficos em União dos Palmares mais belos com confecções de pneus. 

A nova arte que os ambientalistas estão expondo aos palmarinos e visitantes apreciar é uma belíssima arara para homenagem a famosa ave que há anos encanta todos que passam pela praça Padre Cícero.

A obra ficará exibida permanentemente num pé de amêndoa, a mesma teve sua criação desenvolvida por Maurício e passou a ter cores através de outros parceiros da Ong.

A ONG União Ambiental, desenvolve projetos voltados ao meio ambiente como; plantios de mudas, horta comunitária, palestras em escolas e associações entre outras formas de conscientizar os cidadãos de União e cidades circunvizinhos para que todos possam ter uma conscientização sobre nossa principal morada que é o planeta terra.

Parabéns menino/as. 💧💦🌱🌲🌳🌴🌵🌷🌸🐞🐾🐦

A rainha da Praça Padre Cícero

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Praça Pe. Cícero, o “point” social de União dos Palmares

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Prefeitura de União dos Palmares realiza evento “Palmares”, que fará tributo aos heróis quilombolas

 
Há 325 anos o maior núcleo de resistência da escravidão das Américas, o Quilombo dos Palmares, chegava ao seu fim. Na madrugada de 06 de fevereiro de 1694, a Cerca Real de Macacos, localizada na Serra da Barriga, era invadida pelo exército colonial que deixou milhares de quilombolas mortos. 

Este ano os grupos culturais do município, com o apoio da Prefeitura, através da Secretaria de Educação e Cultura e Diretoria de Turismo, irão realizar nos dias 05 e 06 de fevereiro, uma série de atividades artísticas e culturais em homenagem aos heróis quilombolas. 

A programação conta com palestras, apresentações culturais e a tradicional vigília à Serra da Barriga na madrugada do dia 06 de fevereiro. “Esse é um momento de reflexão cultural, de refletir sobre o que representou a luta do Quilombo dos Palmares, para história do nosso país. Hoje ainda enfrentamos o preconceito de raça, gênero, religião, entre outros. Não podemos deixar que a história do Quilombo dos Palmares se apague”, disse o ativista cultural Djalma Roseno. 

Para o prefeito Areski Freitas (Kil), o evento representa o fortalecimento da cultura afro e da valorização turística do município. “A história do Quilombo dos Palmares deve ser conhecida por todas as pessoas. Somos um patrimônio histórico conhecido internacionalmente e isso faz com que aumente o fluxo de turistas na nossa cidade”, disse. 

Secom

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Após reforma, Mercado de Artesanato vira vitrine em União dos Palmares


As fotos dessa matéria foram tiradas no Mercado de Artesanato de União dos Palmares após a última reforma. Os artesãos e comerciantes palmarinos estão há 23 anos em um dos prédios da antiga Estação Ferroviária.

A reforma aproveitou totalmente os espaços do prédio e ampliando os boxes que agora receberam nomes de personalidades que contribuíram para a cultura e história palmarinas: guerreiros da Serra da Barriga, a professora Maria Mariá e o poeta Jorge de Lima.

O visitante vai se sentir acolhido e poderá levar para amigos e parentes presentes que enaltecem a cidade de líder negro Zumbi dos Palmares. Algo que chama a atenção do turista é a variedade de artigos espalhados pelo local.

Viva nossa cultura!!!

 

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sábado, 3 de junho de 2017

Semana Palmarina de Meio Ambiente - 05 à 09 de Junho


NOSSO PRIMEIRO PALESTRANTE NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA PALMARINA DE MEIO AMBIENTE - SPMA 2017 :)
 
Prof. Dr. Rafael Ricardo Vasconcelos da Silva - Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente, membro permanente do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Energia da Biomassa, no Centro de Ciências Agrárias (CECA) - Campus A. C. Simões, Maceió, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

05/06 - ABERTURA OFICIAL
- I Conferência Intermunicipal Serrana dos Quilombos e Meio Ambiente – CISQMA
- Horário: 08h às 11h
- Local: Auditório da Prefeitura de União dos Palmares
- Credenciamento – 08h00 às 08h30
- Mesa de Abertura – 08h30 às 09h
- Palestra “Rios, Matas e Biodiversidade: a importância da conservação e recuperação dos remanescentes florestais em áreas protegidas” – 09h
- Projeção Produzindo Mudas de Árvores Nativas da Mata Atlântica em União dos Palmares - ONG União Ambiental - 10h30
- Encerramento – 11h


#LinkDeInscrição https://docs.google.com/…/1tvh-RL8OiGaN69yHJXs1_d…/viewform…

terça-feira, 18 de abril de 2017

De União dos Palmares: o mundo de barro da artesã Dona Irinéia

Mestra do Patrimônio Vivo é reconhecida internacionalmente

Texto de Teresa Machado

É no simbólico povoado do Muquém, comunidade de descendentes quilombolas, localizada no município de União dos Palmares, onde são criadas obras de grande e expressivo valor artístico. Nas mãos de Irinéia Rosa Nunes da Silva, a Dona Irinéia, 68 anos, o barro avermelhado vira cabeças, vasos, panelas e se transformam em histórias de lutas e conquistas dos moradores dos Quilombos dos Palmares.

Mestra artesã do Patrimônio Vivo de Alagoas, desde 2005, Dona Irinéia é considerada uma das maiores ceramistas do Estado. Os traços quilombolas de sua arte não negam a ancestralidade da artista, que usa apenas barro, lenha e talento para criar suas peças.

Aos vinte anos, Irinéia começou a ajudar sua mãe a moldar panelas de barro para colaborar no sustento da família. Mais tarde, iniciou a produção de peças para fiéis pagarem promessas, em Juazeiro, no Ceará. Para Dona Irinéia foram essas encomendas que fizeram sua “imaginação acontecer”, quando passou a moldar o barro com mais criatividade. “Depois que eu descobri minha arte acabou meu sofrimento”, disse.

Ao lado de seu marido, Antonio Nunes, o Toinho, ela encontrou novas possibilidades para o trabalho com o barro. Os vasos e panelas passaram a ser substituídos pelas famosas esculturas, hoje conhecidas em todo país e até internacionalmente.
“Ele também mexia com barro quando era jovem. O pai de Toinho fazia telha e ele ajudava no acabamento. Depois que a gente se casou ele começou a ir buscar barro ali no barreiro e a gente começou a fazer algumas coisas além de panela e jarro. É que o povo encomendava mão de barro, cabeça e outras partes do corpo pra poder pagar promessa. E a gente fazia tudo”, explicou a artesã.

A fabricação de artefatos de cerâmica reflete um modo de fazer tradicional da comunidade que produz e vende essas louças utilitárias há gerações. Dona Irinéia é mãe de 11 filhos. Os filhos e uma cunhada também ajudam na produção das peças. Em virtude das dificuldades físicas próprias da idade, a ceramista repassou algumas técnicas de produção para os familiares que auxiliam com a confecção da conchinha e do nariz, enquanto D. Irinéia molda as demais partes das obras.

O processo para o trato com a matéria-prima é feito de forma totalmente artesanal: retiram o barro dos barreiros, pisoteiam, amassam, moldam e queimam as peças que, sem nenhum tipo de pintura, ganham uma coloração avermelhada natural.

Os objetos criados são bastante peculiares, frutos das memórias e vivências de Dona irinéia. As cabeças negras são as que têm mais encomenda, “o pessoal gosta de botar nas piscinas, em pousadas”, observa Irinéia. As cabeças negras que trazem lábios, nariz, olhos, orelhas e cabelos delineados de forma sensível e expressiva. As peças são produzidas de diversos tamanhos, ornamentações e penteados. A pequena escultura com pessoas em cima de uma jaqueira se tornou um clássico, devido ao seu valor histórico. Em 2010, palmarinos do Muquém enfrentaram uma enchente do rio Mundaú e tiveram que subir na árvore para sobreviver. Mônica, filha da artesã, foi uma das pessoas salvas graças aos galhos da árvore redentora.

Em 2004, Dona Irinéia foi finalista do Prêmio Unesco de Artesanato da América Latina e Caribe. Em seu ateliê, nos fundos de casa, a artesã conta que envia as peças para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife. Em 2015 esculturas da artesã foram levadas para Itália, a convite da Expo Milão, uma feira que reúne obras de arte de 140 países.

Em 2013, Dona Irinéia Nunes virou personagem do livro A menina de barro, da escritora Gianinna Bernardes, com ilustrações do alagoano Pablo Perez Sanches. A obra conta a história de uma família que morava às margens do rio Mundaú, no interior de Alagoas, e vivia a partir da criação de objetos feitos do barro colhido na beira do rio. Certo dia, a chuva foi tanta que fez o rio transbordar, carregando tudo que havia pela frente. Para se salvar, a família teve que deixar quase tudo para trás, inclusive as peças de barro feitas com tanto amor. Durante a enchente, o ateliê de D. Irinéia ficou debaixo de água, e cerca de duas mil peças de cerâmica se perderam na enxurrada.

Dona Irinéia carrega com orgulho o reconhecimento da arte que aprendeu com sua mãe, que vai além das fronteiras da comunidade isolada de quilombola. Ela usa sua multiplicidade de talentos para dar vida ao barro. É através dele e a partir de seu saber popular que modela sua própria identidade, projetando a imagem de seu povo no mundo. É do barro, da argila, da terra molhada com água que a arte e a criatividade de dona Irinéia vão se espalhando e ganhando o mundo. “Quando estou longe do barro não estou feliz. Ele é minha vida”.

Registro do Patrimônio Vivo

É considerada Patrimônio Vivo de Alagoas  a pessoa que detenha os conhecimentos e técnicas necessárias para a preservação dos aspectos da cultura tradicional ou popular de uma comunidade.

Os mestres devem ter os trabalhos estabelecidos no estado há mais de 20 anos, repassando às novas gerações os saberes relacionados a danças e folguedos, literatura oral e/ou escrita, gastronomia, música, teatro, artesanato, dentre outras práticas da cultura popular que vivenciam.

Atualmente, quarenta mestres da cultura popular alagoana fazem parte do Registro do Patrimônio Vivo. O RPV foi estabelecido através da Lei Estadual nº 6.513/04, posteriormente alterada pela Lei nº 7.172/10. Os contemplados recebem, mensalmente, uma bolsa no valor de um salário mínimo e meio, concedida pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura.

Fonte: Agência Alagoas

sexta-feira, 3 de março de 2017

É hoje: Sarau Na Praça

Vamos, vamos que hoje tem mais uma edição do "Sarau na Praça", levem suas poesias, poemas, seus instrumentos musicais, seus amigos, muita alegria e venha curtir conosco!

Na Praça Costa Rego (Pracinha do Rocha)

A partir das 19:30...

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Exposição homenageia Abdias Nascimento, um dos maiores ativistas negros do País

Um dos maiores ativistas negros do País, Abdias Nascimento é homenageado com um exposição no Itaú Cultural. A mostra retoma a trajetória do intelectual que foi escritor, artista visual, teatrólogo, político e poeta e um dos principais defensores dos direitos civis das populações negras.

Ao longo da exposição, são destacados alguns momentos de sua história como sua participação em grupos artísticos como a Santa Hermandad Orquídea, o Teatro do Sentenciado, o Teatro Experimental do Negro e o Museu de Arte Negra, além de grupos de articulação política, social e de pesquisa, como a Convenção Nacional do Negro, o Memorial Zumbi e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). Estarão também representados seus mandatos como deputado e senador.

O  público também poderá conferir suas obras teóricas abordando questões relacionadas a lutas sociais, afirmação de identidades negras e defesa de seus direitos, além de performances, leituras dramáticas de peças encenadas pelo Teatro Experimental do Negro (TEN) e o lançamento da reedição do livro O Genocídio do Negro Brasileiro, publicado por Nascimento em 1978. Depois de uma grande pesquisa a partir do acervo do Ipeafro, a curadoria reuniu também pinturas, documentos históricos, correspondências, discursos, entrevistas, depoimentos, manuscritos e fotografias.

A curadora e presidente do Ipeafro, Elisa Larkin Nascimento, que foi esposa do intelectual durante os últimos 38 anos, acredita que todo o material produzido por ele é ainda muito atual, especialmente a obra O Genocídio do Negro Brasileiro: “Esse título do livro não podia ser mais contemporâneo, porque é exatamente o que se denuncia quase todos os dias. Nós estamos vendo a juventude negra ser assassinada pela polícia e pela violência, estamos assistindo à violência religiosa contra as comunidades e terreiros. Quase todo dia você tem a invasão ou a depredação de alguma comunidade, de algum terreiro de candomblé, nós estamos vendo a discriminação contra os filhos dessas comunidades religiosas nas escolas, tivemos uma menina que foi apedrejada, enfim, vários tipos de violência”, disse. “O genocídio, quando vemos a definição dessa palavra, ela não se refere apenas à morte física, mas também à morte de uma cultura, do legado cultural de um povo. E é isso que ele [Abdias] diz nesse livro”.

Trajetória
Aos 30 anos, Abdias Nascimento havia sido duas vezes preso político; viajado pela América do Sul, a partir do Amazonas, com os poetas da Santa Hermandad Orquídea; passado um ano no Teatro del Pueblo de Buenos Aires; e criado dentro do Carandiru, enquanto prisioneiro, o Teatro do Sentenciado. Na prisão, ele escreveu os livros Zé Capetinha e Submundo. “Quando apontavam para ele as portas dos fundos, ele não aceitava”, disse Elisa sobre a resistência de Abdias a situações de discriminação.

Abdias teve uma extensa atuação artística no Teatro Experimental do Negro (TEN), criado por ele, onde também organizou convenções e congressos para combater o racismo na academia e na política. Ele assumiu como deputado federal ao lado do indígena Mário Juruna. Foi senador e secretário do governo do estado do Rio de Janeiro. Abdias continuou pintando e publicou peças e poesias, além de obras como O Quilombismo e Sitiado em Lagos.

Segundo Elisa, desde criança Abdias viveu situações que o levaram para o caminho do combate ao racismo. Nascido na cidade de Franca (SP), em 1914, ele cresceu em meio às fazendas de café, que haviam substituído a mão de obra de escravos negros por imigrantes. Na infância, ele acompanhava sua mãe, que, na época, servia como ama de leite nas fazendas. Lá, havia professores para os filhos dos imigrantes. Elisa disse que, apesar de gostar de ir à escola e querer estudar junto a essas crianças, Abdias não podia, porque era negro. “Esses são só alguns exemplos das coisas que ele passava e que consolidaram nele essa convicção de lutar contra o racismo”.

Serviço – Ocupação Abdias Nascimento
17 de novembro de 2016 até 15 de janeiro de 2017Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo – SP
Link curto: http://brasileiros.com.br/frDaP 
 

sábado, 24 de dezembro de 2016

Feliz Natal e que venha 2017!

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O blog JMarcelo Fotos deseja a todos um Natal repleto de fraternidade, amor e paz; e que a solidariedade reine nos lares e no cotidiano dos palmarinos. 

Boas festas e feliz 2017!!! 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"Convido a todos e a todas a subirem a Serra da Barriga em minha companhia" Marcia Susana

Convite à subir a Serra da Barriga

Convido a todos e a todas a subirem A Serra da Barriga em minha companhia. A experimentarem a sensação de sentir a história de nossos antepassados, um pouco de nossa história. A parte mais intensa, cheia de bravura, inteligência, ardor e determinação da história palmarina. 

No século XVII nessa região a história local foi conduzida pelo ideal mais puro da natureza humana, o de liberdade, liberdade para ser, sentir, conviver, estar e viver com aqueles que compartilhavam do mesmo ideal. E assim, teve início um período tão extraordinário da nossa história, que foi espetacular até para a história do Brasil. 

Só para termos a dimensão da importância de nossa história (me refiro a história palmarina), o complexo grandioso quilombola que existiu nessas redondezas levou ao registro do único herói negro com sua biografia no livro de heróis nacionais. O Livro dos Heróis da Pátria ou Livro de Aço se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves em Brasília. Por falar nisso, você já leu algum livro sobre a história de Zumbi dos Palmares? Conhece a biografia desse a quem muito devemos nossa liberdade? Se nunca leu, digo seguramente que fica difícil conduzi-lo a um passeio emocionante até a Serra da Barriga, mas vamos lá vou tentar. 

Vamos começar pela dificuldade e distância em subir a Serra por uma estrada que não está asfaltada, mas que tem uma trilha coerente com muitas estradas do campo em nosso Brasil. Além da estrada temos a distância de cerca de 9 km do centro da cidade com subidas íngremes, difícil para quem tentar ir a pé, pois se torna uma trilha de aventura. Confesso, que já fiz esse trajeto várias vezes a pé, e me aventurei por vários lados da Serra, é emocionante! E cada vez que subo, seja a pé, de carro ou moto sou tomada pela imaginação lembrando meus antepassados. Faz parte do processo de ver e sentir a história quilombola. 

Agora imaginem, os milhares de fugitivos escravizados que eram explorados nas senzalas, canaviais, engenhos de açúcar, currais de gado que se "aventuraram" pelos quilômetros e quilômetros de mata fechada buscando liberdade e segurança. Será que era demais querer apenas liberdade e segurança? 

Imaginem a "aventura", talvez "ousadia", quem sabe "bravura" que era fugir por semanas, meses, a pé em uma mata fechada sem mapa, simplesmente sendo levados, em muitos casos, pelo " ouvi dizer" que circulava nas senzalas, de uma comunidade onde não teriam donos. Seria "aventura" enfrentar uma mata fechada sem armas, roupas apropriadas ou bússola sendo guiados apenas pelas estrelas em direção hipotética de uma comunidade livre? 
Quero lembrar que desses milhares que enfrentaram a mata fechada correndo, sendo perseguidos por capitães-do-mato e a polícia, muitos também enfrentaram animais perigosos, doenças, fome e o desespero de se perderem sem nunca terem encontrado os mocambos que faziam parte da comunidade quilombola. 

A Serra da Barriga é distante do centro da cidade? Imaginem vir a pé mata a dentro fugindo das fazendas de Recife? 

O conhecimento desses fatos não nos permite fazer o trajeto até a Serra pensando na dificuldade de acesso, muito pelo contrário, nos permite pensar em quanta facilidade temos hoje para chegarmos ao platô da SERRA DA BARRIGA. 

Convido você a percorrer as ladeiras e curvas do trajeto até esse SOLO SAGRADO. 

Depois convido a todos e todas a caminharem percorrendo o espaço da terra que abrigou a maior comunidade quilombola da América Latina onde viveram nossos ancestrais. Mas aí, será outro passeio.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Palmarina reproduz bordados de renda em peças de cerâmica coloridas



Meu nome é Silvânia, mas pode me chamar de Maria Corá. Sou casada e tenho três filhos, nasci em União dos Palmares (AL) e perdi meu pai logo cedo. Fui garçonete, frentista, vendedora, feirante, hoje sou ceramista. A cerâmica foi e é a único desejo que nunca desisti. 

Meu primeiro contato com a cerâmica aconteceu em oficina com Arlindo Monteiro (que esculpe lindas esculturas em palito de fósforo), paixão a primeira vista pelo barro: minha escultura de um anjo saiu na TV Globo local. Uns cinco anos depois voltei de Fortaleza e entrei em um curso de inglês, daí alguém me falou do Atelier de Cerâmica Eva LeChapion. Endoidei na mesma hora.

Bom, daí liguei e falei com Eva. Virei aluna e, como queria ficar o tempo todo no atelier, Eva me propôs parceria, passei a dividir alguns custos. Foi uma época memorável, depois das 3 ou 4 queimas já levava as peças para vender no Armazém Sebrae! Aprendi muito com Eva LeChapion durante uns três anos que participei da vida do Atelier LeChapion. 

Eva respira, vive e transpira arte, sua paixão pela cerâmica me intoxicou de uma forma definitiva. Suas frases me inquietam até hoje: “um dia o planeta vai voltar ao barro, substituindo o plástico de petróleo”, disse, pelo que lembro. Havia uma utopia nascendo ali. 

Entrei mesmo no barro e, depois de seis meses já tinha 4 alunas. Adorava trabalhar, fazer esculturas, ensinar e viver da arte cerâmica.

Me animei e resolvi sair do Atelier e possuir minha própria loja, embarquei de cabeça junto com a turma do Artesanato dos Guerreiros. Foi difícil, um grande choque, pois tinha metas financeiras há atingir todo mês e ao mesmo tempo começaram os problemas com meus braços, pois a forma de preparar o barro para o trabalho era toda manual, o que degradou minha musculatura. Aprendi depois outros jeitos de preparar o barro. 

A cerâmica é minha companheira, e tem me dado muitos presentes, inclusive um marido, que me conheceu em um curso que ministrei no SENAC-AL. Ele tem sido meu companheiro e cúmplice em minhas loucuras de barro, inclusive nas aventuras pelo Estado de Alagoas e além para encontrar barro bom, materiais de esmaltes, conhecimento.

VEJA REPORTAGEM DA GAZETA COM A PALMARINA AQUI


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Primeira-dama visita polo de produção artesanal em União dos Palmares

 Destaques das cerâmicas do povoado de Muquém são as peças produzidas por mestras Irinéia e Marinalva 

Foi na comunidade Muquém, de remanescentes quilombolas de União dos Palmares, que a primeira-dama de Alagoas, Renata Calheiros, visitou um polo de produção artesanal do Estado.

O propósito foi conhecer o trabalho em cerâmica desenvolvido pelas mestras Irinéia e Marinalva, que há décadas modelam o barro e produzem peças que contam parte da história e costumes do povo daquela região.

A visita foi acompanhada por técnicos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur). As artesãs apresentaram o modo de produção, forma de comercialização e divulgação dos trabalhos das mestras e de outros artesãos do povoado Muquém.

“O Estado tem interesse em preservar nosso patrimônio artístico e buscar as melhores alternativas de divulgação. Estamos visitando todos os polos de produção artesanal para identificarmos o que está sendo produzido por nossos mestres. Aqui em Muquém a arte é surpreendente e ainda mais enriquecedora, devido ao seu contexto histórico e cultural”, disse Renata Calheiros.

Para mestra Irinéia, a iniciativa do Governo do Estado, na pessoa da primeira-dama, e com o apoio da Sedetur, mostra a valorização do trabalho artesanal da comunidade. “É importante que povo venha conhecer o que fazemos, e que nosso trabalho também seja divulgado pelo mundo. Sozinho não dá para a gente fazer isso”, afirmou a mestra, que é considerada patrimônio vivo de Alagoas.

Gerações de Artesãs

Dona Irinéia conta com o apoio do esposo, seu Antônio Nunes, artesão, e de filhas e netas, que também produzem peças de barro. A parceria familiar também é vista no ambiente de produção de panelas e tachos de Dona Marinalva, que há mais de 50 anos modela estes utensílios, como já fazia suas gerações passadas. “Agora vejo meus netos, que já me acompanham quando venho queimar o barro”, conta mestra Marinalva.

Segundo a primeira-dama, é imprescindível orientar as novas gerações sobre a importância de preservar a história dessas mestras. “Conscientizá-los que aqui não é apenas uma fonte de renda, mas, principalmente, a história cultural do seu povo”, avaliou Renata Calheiros.

Na visão da superintendente de Desenvolvimento Regional da Sedetur, Gisele Mascarenhas, o povoado de Muquém possui um rico acervo de mestres, como Irinéia e Marinalva.

“Temos uma produção singular de peças raras e cheias de identidade, mundialmente reconhecidas e valorizadas. Queremos a valorização do artesanato alagoano, desta arte única e singular dos nossos mestres”, disse a superintendente.

“A primeira-dama está construindo um novo olhar para o artesanato alagoano, com muita simplicidade e simpatia. Hoje, os artesãos se sentem muito mais valorizados e acreditam no saber fazer”, concluiu Gisele Mascarenhas.