Pages

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Conheça o palmarino Iremar Marinho

Cantar cigano para Garcia Lorca

Iremar Marinho

Eu tenho um nacarado no chapéu,
e vai luzindo no profundo azul do céu.

Luar do sono, e quando acordo,
na viola, da menina me recordo.

Eu vejo um véu de nardos no bordel,
e guardo o sonho do poeta no papel.

Aura de estrelas iluminando
o bailado de meninas de aluguel.

Eu vejo dos cavalos o tropel,
as capas negras e o rufar dos tamboris

Vejo o poeta nas entrelinhas,
beijando a morte na mirada dos fuzis.

biografia:

Iremar Marinho de Barros
é natural de União dos Palmares [AL], residente em Maceió. É jornalista, publicitário e advogado, graduado em 1976, pela Universidade Federal de Alagoas. Exerceu a função de editor e repórter de vários jornais, edita o site ecológico Uniambiente.com.br.

Integrante da Coletânea Caeté do Poema Alagoano, publicada em 1987, recebeu do crítico Marçal Calmon a seguinte apreciação: 'Com extraordinário poder de síntese, dizendo muito em poucas palavras, resumindo em poemas concisos um mundo de idéias, Iremar Marinho de Barros é uma agradável surpresa que a coletânea nos revela. Todos os seus poemas impressionam pela maturidade'.

Tem vários poemas publicados na Coletânea Caeté do Poema Alagoano, na seção Mural de Poemas do jornal Extra - AL, e o poema 'No Mar de Cuba', no livro Freitas Neto - Prosa, Verso e Graça, editado pela Casa da Amizade Freitas Neto Cuba-Brasil.

É autor, pela Chama Publicidade, da mensagem da TV Gazeta de Alagoas, comemorativa aos 25 anos da Rede Globo de Televisão, exibida pela emissora em todo o país.

Foi homenageado com a Comenda Jorge de Lima, pela Prefeitura Municipal de União dos Palmares-AL. E-mail: iremarinho@bol.com.br

Veja seu blog Bestiário Alagoano

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Conferência na região dos quilombos, será hoje no auditório da Prefeitura de União dos Palmares

 Geraldo de Majella, Superintendente dos Direitos Humanos (SEMCDH), será um dos palestrantes do evento

Nessa quinta-feira (18.07) terá a segunda etapa das conferências regionais de Promoção da Igualdade Racial, a partir das 8h, no auditório da Prefeitura de União dos Palmares que é preparatória para a III Conferência Estadual, nos dias 19 e 20 de agosto, com o tema: “Democracia e desenvolvimento sem racismo: por uma Alagoas afirmativa”. A atividade é destinada à população de toda Zona da Mata alagoana, abrangendo o Vale do Paraíba e Vale do Mundaú; área que também é conhecida no meio turístico como Região dos Quilombos. Nessa etapa, devem participar pessoas oriundas de 17 municípios: Atalaia, Branquinha, Cajueiro, Capela, Chã Preta, Flexeiras, Ibateguara, Joaquim Gomes, Mar Vermelho, Murici, Paulo Jacinto, Pindoba, Quebrangulo, Santana do Mundaú, São José da Laje, União dos Palmares e Viçosa.

De acordo com a Comissão Organizadora Estadual, caso o município não possua todos os segmentos sugeridos (Afrodescendentes, capoeiristas, religião de matrizes africanas, quilombolas, ciganos, judeus e palestinos, juventude negra) deve ser assegurada, a representação do gestor público, entre outros agentes políticos e sociais podem se inscrever como delegados e delegadas, onde serão eleitos 36 participantes. Ao todo existem quatro eixos de discussão: EIXO1 – Estratégias para o desenvolvimento e o enfrentamento ao racismo; EIXO2 – Políticas de igualdade racial no Município e no Estado: avanços e desafios; EIXO3 – Arranjos Institucionais para assegurar a sustentabilidade das políticas de igualdade Racial / SINAPIR; EIXO4 – Participação política e controle social: igualdade racial nos espaços de decisão; mecanismos de participação da sociedade civil no monitoramento das políticas de igualdade racial.

Para subsidiar os debates e estimular a participação nas proposições, serão palestrantes e facilitadores dos grupos de trabalhos: Geraldo de Majella, Superintendente dos Direitos Humanos (SEMCDH); Silvana Matos, Diretoria de Gestão Estratégica (SESAU); Margareth Magalhães, Diretoria de promoção e saúde (SESAU); Edson Bezerra, Professor em Antropologia (Uneal); Zezito Araújo, Técnico pedagógico da Secretaria de Estado da Educação e Coordenador do Curso de História (Cesmac); e Helcias Pereira – Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô (APN-AL) e Conselheiro Nacional de Políticas para Igualdade Racial (CNPIR/Seppir). Que os ideais dos guerreiros quilombolas aflorem e proporcionem bons debates, principalmente, desencadear mais políticas públicas para garantir vida digna, respeito e igualdade. Axé

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A 4ª Conferência Regional do Meio Ambiente da Zona da Mata Alagoana, será realizada dia 25 em União dos Palmares


A Conferência Nacional do Meio Ambiente chega à sua quarta edição com o objetivo de contribuir para a implementação da Lei 12.305/2010, que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A meta é qualificar poder público, setor privado, sociedade civil organizada, cooperativas de catadores e cidadãos em geral no grande esforço nacional para reduzir a geração dos resíduos sólidos, assumir responsabilidades com a construção de uma sociedade sustentável e lançar um novo olhar sobre os resíduos sólidos, reconhecendo-os como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor da cidadania.

A 4ª CNMA traz duas novidades em relação às edições anteriores: as conferências livres e a conferência virtual. Essas duas novas modalidades de participação configuram um processo que avança em relação às três conferências anteriores, estabelecendo um espaço para que toda a população interessada discuta e contribua para o tema dos Resíduos Sólidos.

Convocada pela Portaria MMA nº 185, de 04 de junho de 2012, a 4ª CNMA vai centrar a discussão da Política Nacional de Resíduos Sólidos em quatro eixos:

3ª Semana da Diversidade Sexual de União dos Palmares, será em setembro

Nesta segunda-feira dia, 15, os organizadores da III Semana da Diversidade Sexual de União dos Palmares se reuniram para elaborar o evento que acontece 16 a 22 de setembro próximo. No encontro dos militantes da Ong Direito à Vida de Alagoas estiveram presentes uma vez que foi esta organização que aprovou o projeto junto ao Ministério da Saúde.

No encontro realizado na UNEAL foi colocada a pauta e cada membro organizador foi votando e colocando outras sugestões. A programação que terá palestras, teste rápido de HIV para toda população, cursos, concurso da Miss Gay Zona da Mata, homenagens a personalidades que apoiam a causa, oficinas, Djs e show para finalizar a 3º parada em União.

Segundo Igor Nascimento, ativista do Movimento Gay de Alagoas há 15 anos "As paradas gays hoje são a menina dos olhos de ouro do Ministério da Saúde. Hoje os direitos dos LGBT’s estão em pauta. Recentemente aprovamos o Conselho LGBT de Alagoas, temos também o Comitê de Enfrentamento à Homofobia na Secretária de Defesa Social. Igor lembrou que os homossexuais do Brasil já conquistaram o direito de realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

O ativista que é coordenador do Grupo Direito a Vida, disse que fora União dos Palmares, as cidades de Teotônio Vilela, Arapiraca, Delmiro Gouveia e Maceió, realizarão o evento este ano. A Ong recebeu do Ministério da Saúde, 28.286 reais para realizar a III Parada da Diversidade Sexual. Igor Nascimento comentou que tudo que ficar definido na reunião, será registrado com fotos, atas e documentos para poder comprovar a idoneidade do projeto e posteriormente mandar o relatório de gestão.

Na ocasião muitos dos ativistas palmarinos presentes comentaram sobre o papel do grupo na cidade, como esse evento pode diminuir o preconceito a respeito da condição sexual de casa indivíduo. Fora os "recursos financeiros" que esses eventos trazem para as respectivas cidades, já que o município recebe milhares de participantes e União pode ganhar muito mais já que é uma cidade turística.

Muitos presentes a reunião não queriam apenas a festa do "Oba Oba", que muitas pessoas criticam que os homossexuais querem apenas fazer carnaval fora de época. Para finalizar ficou acordado que a III Semana da Diversidade Sexual de União dos Palmares será completa de oficinas para estudantes palmarinos, debates com a sociedade.

Cena Palmarina

As chuvas que caem em União dos Palmares já deixou a paisagem do nosso município diferente. Antes, com a estiagem a cor predominante era acinzentada. Agora para onde olhamos só enxergamos o verde na vegetação. A preocupação com o volume das águas do Rio Mundaú já passou, visto que rio está com um volume maior de água.

E esse friozinho gente? Que nos obriga a está bem agasalhado, com portas e janelas fechadas para a residência ficar mais aconchegante. O frio é um convite para assiste a bons filmes, com... pipocas.

Uma notícia ruim: com as chuvas o conjunto habitacional Newton Pereira, criado para abrigar os moradores das ruas devastadas pela enchente de 2010, foi alagado pelas águas do riacho próximo ao conjunto.

Zero para os governos e empresas responsáveis que não fiscalizaram as obras.

----------------------------------------------------- // -----------------------------------------------------------------

Vi esse mês um senhor que aparentava ter uns 70 anos vendendo lanches tudo arrumado e organizado em uma cadeira de rodas. Por onde passava não tinha quem não olhasse, já que a cena chamava atenção. Como a maioria dos idosos, o senhorzinho ia empurrando sua cadeira/carro de lanches com toda calma do mundo.

É comum ver que aposentados continuam trabalhando para completar a renda familiar, muitos chegam a velhice com filhos e netos em casa e por esse motivo tem que continuar no batente. Lembro que quando trabalhava na Usina Laginha tinha muitos aposentados que continuavam em seus cargos, já que não poderiam viver da sua aposentadoria.

Recentemente em uma reunião do sindicado de professore/as aqui em União, se viu milhares de profissionais que já estavam aposentados, mas que não podiam se da ao LUXO de curtir a vida em sua plena "melhor idade".

-------------------------------------------------------- // ----------------------------------------------------------------

Já chegamos ao final do meio de julho, eita tempo rápido...

---------------------------------------------- // ------------------------------------------------------

                 Deixa eu fazer uma pergunta que eu fazia na rede social Orkut. Quem são os alunos nessa foto?

Felicidades, Mãe.

Hoje quem completa ano é minha mãe, Dona Mana. Eu e meus irmãos desejamos saúde, paz e muitos anos de vida!!! Feliz Aniversário.

“Uma Política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura”, o município de União dos Palmares realiza hoje, sua II Conferência de Cultura


terça-feira, 16 de julho de 2013

Premiação da Olimpíada de Língua Portuguesa reúne alunos e profissionais da educação


Nesta segunda-feira, 15, aconteceu no auditório da SEMED em União dos Palmares a premiação aos alunos e professores da Olimpíada Municipal de Língua Portuguesa 2012.  

A professora Marcia Susana, coordenadora do Núcleo de Identidade Etnicorracial (Nier) e do Espaço Cultural Acotirene  (Esca) da Secretaria Municipal de Educação de União dos Palmares, foi quem conduziu os trabalhos. 

A mesa de abertura contou com a participação do Secretário Municipal de Educação Ricardo Praxedes, da Diretora de Gestão Lenice Leão Correia, da Diretora de Ensino Maria Goretti Galvão, da Coordenadora das Olimpíadas de Língua Portuguesa, Edenúzia Figueiredo Freire e do Diretor da Escola Municipal Edvar de Souza Evanes Alves.

O secretário Ricardo Leão disse que os poemas, memórias e crônicas enalteciam o que de melhor tem o município de União, que é seu povo e sua cultura. Ricardo Leão lembrou no seu discurso que essa premiação só foi possível graças ao empenho da ex-gestão municipal, que estavam à frente do projeto.

"Muita dedicação e paciência, já que estamos trabalhando com crianças, pré-adolescente e adolescente", essas foram as primeiras palavras do professor Evanes Alves em seu discurso. O diretor atentou para que aos profissionais da educação envolvam os pais dos alunos no empenho de sua educação e nas tarefas escolares.

A coordenadora das olimpíadas Edenúzia Figueiredo explicou que o projeto vem sendo desenvolvido em União desde 2010, com estudantes da rede municipal. "Não estamos atrás de novos talentos, estamos contribuindo para que alunos possam ter o prazer de ler e escrever melhor", disse Edenúzia.

Era visível a emoção dos alunos em recitar seus trabalhos. Muitos professores relataram as experiências com os trabalhos desenvolvidos em sala de aula. A professora Maria Margarida, da Escola Salomé da Rocha Barros, mencionou que alunos abraçaram com carinho o projeto e que todos os dias recebia uma carga de otimismo deles. Geovana Lima Dias, que estuda na Escola Salomé, recebeu um dos prêmios na categoria memórias.

As instituições da zona rural foram bem representadas por alunos e professores que apresentaram seus trabalhos. A aluna Sandriele dos Santos Silva, da Escola Pedro Cândido no sítio Cavaco, foi muito aplaudida por seu poema "Solo Sagrado". 

Outra representante da zona rural foi a estudante Vitória Berto da Silva, da Escola Dr. José de Medeiros Sarmento. Segura, a adolescente leu seu poema "O que tem na minha terra". 

Outras escolas também tiveram seus representantes, como Antônio Gomes, Padre Donald, Fernando Juazeiro, Laura Pereira. A tarde contou, ainda, com Rodrigo Santos, que recitou outros poemas.

Os trabalhos dos alunos publicarei em breve. A quarta 4 edição já está aberta. 

Parabéns a todos!!!

Todas as fotos AQUI

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Conheça o palmarino Carlos Adriano, locutor de rodeios


Marcelo, nasci em um sítio chamado Baixa Seca, próximo ao povoado Timbó, em União dos Palmares. Aos 5 anos de idade fui para União onde meus pais me levaram para estudar do 1 ano até a 4ª série no Grupo Escolar Jorge de Lima, da 5ª a 8ª série no Colégio Carlos Gomes de Barros,  fiz o Colegial técnico em administração no CETEPA, que ficava ao lado do Colégio Santa Maria Madalena, onde estudei Contabilidade, o diretor era Francisco Viana.

Morei no Bairro de Fátima,  grupo C, Nº 21. Trabalhei na Caixa Econômica Federal como office boy e depois estagiei 2 anos. Curtia muitos os bailes na AABB e Palmarina.

Aos 22 anos me mudei para São Paulo em busca de uma vida melhor, onde o mercado de trabalho é bem mais promissor. Trabalhando em indústrias, depois em rede de hotéis, neste tempo descobri que minha voz era de grande valor para o mercado fonográfico. Comecei a fazer locução em portas de lojas, trabalhando em rádios piratas, passando para  rádios comunitárias e depois rádios comercias. Conheci um empresário de rodeios, ele me convidou para uma festa e pediu para que eu fizesse uma narração. Come ele gostou, fui avante. Hoje sou radialista, locutor de Rodeios, empresário artístico e jornalista. 

Quanto a minha vida, estou bem. Graças a Deus.

 O palmarino com algumas, personalidades nacionais.

domingo, 14 de julho de 2013

Jornal do Commercio de Pernambuco, faz reportagem com moradores da Serra da Barriga

"Matéria da excelente repórter especial de Cultura do Jornal do Commercio, Fabiana Moraes -ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo, o mais importante do país - sobre a situação de famílias que moram na Serra da Barriga (antiga sede do Quilombo dos Palmares) na minha cidade, União dos Palmares-AL.

No Jornal do Commercio de hoje. Imperdível.
" Paulo Veras.
 
"Dizem que essa é a terra da liberdade, mas que liberdade é essa que eu não posso nem melhorar o lugar onde vivo?". Seu Louro, nome pelo qual Benoino Ferreira de Moraes, 59 anos, é conhecido, abre a porta da casa e aponta para o chão de terra. Comprou material para fazer um piso novo mas, quando o caminhão chegou com a areia, o guarda que permite ou não acesso de veículos até a sua residência barrou a entrada. Além da sala sem piso, os quartos estão sem reboco e o banheiro é precário. Funciona fora da residência, apesar de o comerciante e pedreiro ter iniciado um interno. Nunca terminou. Foi impedido pela Justiça.

Seu Louro faz parte de uma das 16 famílias que moram na Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas. Ali funciona o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, dedicado a evocar o local onde existiu, durante quase cem anos (entre o final dos 1500 e 1695), a maior resistência negra no período da escravidão. Estima-se que 20 mil pessoas viveram ali, e não apenas negros - mais índios e brancos procurados pelas forças repressivas de então (há pesquisadores que falam em 35 mil habitantes). Espalhavam-se por dez aldeias. A serra onde vive o comerciante era considerada a "capital" da República dos Palmares, como o quilombo também é denominado.

Ele comemora o fato de morar em um local de natureza privilegiada, longe da poluição e da violência e de inestimável valor histórico - mas os contínuos constrangimentos pelos quais vem passando nascem justamente por sua presença naquela área, onde chegou há 20 anos. Conta que sua família não foi questionada durante muito tempo. Pelo contrário: sempre foi vista como uma espécie de "salvadora" dos turistas que vão até a Serra e, no terraço da casa simples, são servidos de tapiocas e beijus, além de café e refrigerante. Lá também são oferecidos almoços, feitos por encomenda. O "salvadora" explica-se: como o único restaurante construído no local(o Kúuku-Wáana) só funciona praticamente uma vez ao ano, no mês de novembro, quando celebra-se o Dia da Consciência Negra (20), não há outro local para matar a fome a não ser na casa de Seu Louro.

Foi o próprio que, ao ver o carro de reportagem, aproximou-se para falar sobre sua situação ali. Conta que criou sete filhos no local, todos eles já adultos e nenhum vivendo mais naquele lar. Conta que plantava macaxeira, milho e laranja, mas precisou abandonar as culturas por conta das novas regras de preservação e recuperação da mata (que já foi bastante castigada, por isso o impedimento de roças). Que não tem água em casa desde dezembro. Que, quando os turistas chegam e pedem para usar o banheiro, ele diz que não pode permitir o acesso, mas é porque não tem água mesmo. "Meus vizinhos que são idosos... eu fico com pena, fico mesmo. Eles precisam ir buscar água longe, não podem ter um banheiro dentro de casa, é perigoso", diz, apontando para a pequena residência de um senhor chamado Cícero Leopoldino, que não estava na casa no momento em que a reportagem visitava o parque.

A permanência das famílias que residem no platô da Serra começou a ser questionada de maneira enfática a partir do final de 2011, depois que a Polícia Federal realizou uma vistoria no local para checar se havia desmatamento. Foram três dias de inspeção. No ano seguinte, uma ação do Ministério Público Federal(autoria da procuradora da República Niedja Kaspary) apontou irregularidades que teriam sido identificadas em uma análise realizada a partir de 2007, ano em que o MPF solicitou inquérito para apurar denúncias contra crimes ambientais - as famílias que vivem na Serra da Barriga seriam as autoras das contravenções. Vale lembrar que o local foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(Iphan) em 1986 (já o Parque Memorial foi implantado em 2007, justamente quando PF iniciou investigação). Por isso, é curioso que, mais de 20 anos depois do tombamento, é que a presença das famílias seja vista como um impedimento para a preservação.

"LEI É LEI"

Diretor de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Palmares (autarquia federal responsável pelo Parque Memorial), Alexandro Reis adota o discurso do "lei é lei" e diz que a reintegração de posse da área para o Iphan é uma ação da Justiça Federal que precisa ser cumprida.

"As famílias que viviam ali na época do tombamento foram indenizadas. O parque é um patrimônio do País... É claro que não vamos deixar que elas saiam de todo jeito, nós precisamos verificar para onde vão, como vão... Não adianta apenas despejar as pessoas." Assim, transfere para a PF o impedimento da feitura do prosaico piso da sala de Seu Louro que, com a possibilidade de sair da Serra da Barriga, não pode realizar benfeitorias no seu imóvel- embora, curioso, ele e seu pequeno restaurante sempre tenham sido atração e apoio para quem vai até o Parque. É possível inclusive encontrar foto e matéria sobre o pedreiro e comerciante no próprio site da Fundação Palmares, como a publicada no dia 16/11/2010, na qual ele aparece processando mandioca na casa de farinha (em http://www.palmares.gov.br/563-2/).

O não funcionamento do equipamento, aliás, é motivo lamentação do comerciante. "Antes, quando eu podia usar a casa de farinha, conseguia vender a tapioca por R$ 1. Agora não podemos mais, porque é só para os turistas verem... eu tenho que comprar a farinha pronta", conta Seu Louro, que hoje cobra R$ 2 pela tapioca. Outros moradores da área também usavam a moenda. "A casa de farinha faz parte do memorial. É possível deixar que as pessoas sentem nas cadeiras expostas em um museu? É a mesma coisa", diz Alexandro Reis.

A diferença é que, como mostra a experiência dos moradores, o equipamento era utilizado para sobrevivência - como um dia foi usado pelo moradores do Quilombo dos Palmares - não para mera contemplação. Talvez, inclusive turisticamente, fosse mais interessante ver a casa de farinha realmente sendo utilizada.

Só quem chegou antes poderá ficar

O diretor de Proteção ao Patrimônio Afro Brasileiro da Fundação Palmares, Alexandro Reis, diz que algumas das famílias que hoje pedem para continuar na Serra chegaram após o tombamento - apenas aquelas que estavam ali antes poderiam, em tese, ser mantidas. Seu Louro, no caso, diz ter chegado há 20 anos, ou seja, bem depois do tombamento. Questionado porque foi então permitida a construção de várias casas quando a Serra da Barriga (230 hectares) já era posse do Iphan, Reis diz: "É uma pergunta que eu gostaria de poder lhe responder".

Atualmente, o parque, que tem verba anual de manutenção de R$ 500 mil, recebe uma média de 1.200 visitantes ao mês, segundo o diretor. O acesso é gratuito. Grande parte dos que vão ao local são estudantes e pesquisadores.

O potencial turístico do local é enorme, mas pouco explorado - uma exploração que poderia ter molde sustentável e com propósito de gerar renda para a própria população remanescente de quilombolas. O restaurante fechado durante todo o ano é um exemplo. A princípio, ele deveria funcionar, em parceria com o Senac, também como escola (uma licitação de R$ 96 mil para compra de equipamentos foi feita em 2009).

"No início ele foi mantido aberto, mas o número de visitantes não compensava os custos", diz Alexandre Reis. Segundo ele, os mais de mil visitantes ao mês também não precisam necessariamente se alimentar no local (embora quem venha de Maceió, por exemplo, precise superar 80 quilômetros de estrada até União e mais 6 quilômetros até o alto da Serra).