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quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Serra da Barriga, buchuda de problemas, está relegada a um ostracismo inexplicável

A Serra da Barriga fica a cerca de 9 km do município de União dos Palmares, situado a nove quilômetros de Maceió, capital do estado de Alagoas. Faz parte do Planalto Meridional da Borborema.

Na Serra da Barriga foi edificado o  Parque Memorial Quilombo dos Palmares, primeiro equipamento do gênero no País, que  reconstitui o cenário de uma das mais importantes histórias de resistência à escravidão ocorrida no mundo: a história do Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de pret@s escravizados das Américas. Nele, reinou Zumbi dos Palmares, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.

A Serra da Barriga buchuda de problemas está com o umbigo estufado pra  fora, relegada  a um ostracismo inexplicável.
 
Essa parte da história do Brasil não provoca alvoroço no seio da política local ou nacional, pois, o berço da primeira República Negra e Livre da América Latina conta histórias de independência, e desde quando a equidade do povo preto  brasileiro interessa aos poderes constituídos?

A Serra da Barriga hiberna entre o hegemônico desinteresse da classe política e a historicidade amorenada pela fragilidade dos espaços construídos.

Quase tod@s-  homens e  mulheres- da classe política em Alagoas, politicamente branc@s, “bem nascidos”- como também  a Fundação Cultural Palmares e seus escritórios adjacentes  tem feito, ano-após-ano, a mesmíssima coisa em relação a Serra da Barriga, ou seja coisa nenhuma! E ainda assistem calad@s à expulsão de moradores que faz mais de 40 anos dão vida para  Serra.

Para a classe política daqui e d’alhures redefinir a imagem que a população de pele preta tem de si mesma e realinhar seu lugar na história do Brasil é coisa pra ess@s pouc@s pret@s que não tem mais o que fazer".

Os mesm@s pret@s que na época de eleição ganham lugares em pedestal. Em época eleitoreira somos todos e todas iguais. Os intocáveis donos do poder: homens e mulheres até ensaiam a fictícia proximidade com o povaréu que vota.

Montam o teatro do tal do café da manhã na feira, regado a abraços fáceis, tapinhas nas costas, beijos em crianças remelentas e de nariz escorrendo, com cheiro de miséria. É para que o povo acéfalo, na sua maioria pobre, desdentado, desempregado e de pele parda ou preta perceba o quanto nada vale.

Passada a eleição, o povo- pobre e preto- não cabe mais na agenda atribulada dos donos do poder.

Trabalhar a Alagoas da miséria é bem mais cômodo. A miséria dá voto fácil, e, em Alagoas isso é prato cheio.

Enquanto isso a Serra da Barriga pede socorro!

Help!!

Blog Raízes da África 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O quilombo, símbolo de rebeldia contra a escravidão



No século XV Portugal foi o primeiro país da Europa a estar presente na África, quando seus navegantes chegaram às costas da região, o que abriu um dos capítulos mais tristes e humilhantes para os povos do continente.

No século seguinte traficantes portugueses associados à Coroa lusitana iniciaram a caça e envio de homens e mulheres das regiões ocidentais africanas para o Brasil colônia, para trabalhar em regime de exploração escravagista em plantações de cana de açúcar.

Mais tarde o comércio de escravos intensificou-se. Traficantes ingleses, franceses, holandeses e espanhóis imitaram os portugueses, porque essas nações europeias tinham firmado seu domínio colonial na América e no Caribe, onde utilizavam igualmente o sistema escravagista em fazendas de cana de açúcar, algodão e outras culturas, e também na extração mineral.

A mão de obra aborígene, submetida a cruéis abusos, não era suficiente, e os donos de plantações precisavam de mais força de trabalho. Nas zonas ocidentais africanas aumentou a caça aos nativos, que eram levados a centros como Gore, para posteriormente serem embarcados em navios negreiros com destino ao chamado Novo Mundo.

Cuidadosos pesquisadores calcularam em mais de 20 milhões os africanos que chegaram à América e ao Caribe. Outra cifra considerável, ainda que desconhecida, morreu no trajeto, não podendo suportar os rigores da travessia.

Em quase todas as nações americanas e caribenhas os senhores submetiam os africanos a abusivos sistemas de trabalho, aplicando-lhes castigos que pareciam saídos de mentes diabólicas, o que fez com que, desde o próprio século XVI, ocorressem as primeiras resistências dos escravos; estas tiveram sua expressão mais notável na fuga e formação dos quilombos.

Com o trabalho escravo foi construída a riqueza e o bem estar da classe dominante branca de ascendência majoritariamente europeia nas nações onde floresceu esse sistema. Mas, na medida em que os exploradores enriqueciam, aumentava a rebeldia dos escravos, que fugiam das fazendas para a mata, as montanhas ou a selva, de acordo com os países, formando povoados, os chamados quilombos, onde levavam vida comunitária, devendo defender-se das perseguições organizadas pelos senhores e executadas por seus implacáveis capatazes e bandos armados.

Nas colônias caribenhas da Grã Bretanha, França, Holanda e Espanha, a resistência dos escravos chegou a proporções que alarmaram os propietários de plantações, mas a bárbara repressão dos escravagistas não pôde conter o desenvolvimento contínuo do processo de formação dos quilombos.

Zumbi, o rebelde

Um exemplo paradigmático foi o de Zumbi, no Brasil. Muito jovem, Zumbi assumiu o comando do quilombo dos Palmares, formado por escravos fugitivos no final do século XVI, em uma zona afastada, de mata, do atual Estado de Alagoas. Dali conduziu-se a resistência contra numerosas investidas do exército colonial e de grupos mercenários.

Na região dominada por escravos fugitivos existiam vários povoados no meio da mata. O maior deles era uma vila batizada de Macaco, com umas 1.500 casas e mais de 8.000 habitantes que se dedicavam a uma agricultura básica e a uma metalurgia rudimentar.

Sob o comando de Zumbi, os “palmarinos” organizaram-se para atacar de surpresa as enormes plantações de cana de açúcar e libertar mais escravos que fugiam em direção ao quilombo dos Palmares, levando as ferramentas de seus antigos donos. Em 20 de novembro de 1695 morreu Zumbi, num combate desigual; mas grupos armados resistiram na zona até 1730.

No Haiti, a revolução de 1791, protagonizada pelos escravos haitianos, sob a direção de Toussaint Louverture, não apenas marcou a independência da nação caribenha, a primeira a emancipar-se do jugo colonial europeu no hemisfério ocidental, como foi ponto de partida para as guerras de independência na América Latina e no Caribe.

Em 1834 a Grã Bretanha, pioneira da Revolução industrial, já não estava interessada no tráfico de escravos e o declarou ilegal, ao mesmo tempo em que proibia a escravidão em suas colônias da América e da África. No entanto, essa ordem encontrou tenaz resistência nas colônias dominadas pelos europeus.


O repúdio à norma britânica pelos donos de plantações que se beneficiavam com o trabalho escravo fez com que sua aplicação não se tornasse efetiva de imediato e a escravidão continuou em numerosos países durante várias décadas ao longo do século XIX.


Aliás, a Coroa britânica estabeleceu uma base naval na baía de Freetown, em sua Colônia africana de Serra Leoa, para perseguir os violadores da decisão de Londres.


Mas nada poderia deter o curso da história, apesar da oposição dos escravagistas. Não sem lutas ou pressões dos abolicionistas, progressivamente o infamante flagelo da escravidão foi abolido nas nações da América e do Caribe.


Monumentos em homenagem à rebeldia escrava, considerada precursora da independência da América, foram erguidos em vários países.


No Brasil, a primeira nação a receber escravos no século XVI e a última a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888, a cada 20 de novembro rende-se tributo a Zumbi, símbolo dos africanos escravizados; em sua honra foi erigido um busto de bronze na cidade do Rio de Janeiro.


*Prensa Latina, de Havana, Cuba, especial para Diálogos do Sul – Tradução de Ana Corbisier

Roberto Correa Wilson*

http://www.dialogosdosul.org.br/

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Aluna de 12 anos da Escola Municipal Antonio Gomes de Barros faz poema enaltecendo o negro


Sou nêgro com orgulho e sem preconceito

A alma tem brilho
mas a pele incomoda
mas você usa preto
porquê preto é moda.

A pele do negro
de longe te irrita
mas você usa preto
pra ficar bonita.

Nêgro não realça
perto de você
mas você usa preto 
pra se aparecer.

Em festa de branco
negro não vai não
mas você vai de preto 
pra chamar a atenção.

Mas em meio a tudo 
descobri seu defeito,
sua pele branca vestida de branco
parece um fantasma
você não do jeito
sua pele branca
só chama a atenção vestida de preto. 


Paula Dellys, 12 anos.
 

Paula e amigos comemorando seu aniversário.