Por Olívia de Cássia
Sabe meu Diário, quando bate
aquela tristeza e o momento de incerteza do que se vai por aí? É como me sinto
neste momento que posso dizer que não é mágico e nem tão suave como eu queria
que fosse.
Ando à flor da pele, sensível por demais; talvez seja culpa das novas
descobertas e dessa nova vida que estou levando. Dentro de mim mora uma menina
que queria mudar o mundo, se fazer um ser humano melhor, coisa que nem sempre a
gente é compreendida.
O padre Fábio de Melo, que muito admiro, disse que devemos dar valor às
palavras e pensamentos produtivos, construtivos, normalmente vindos de pessoas
que nos amam verdadeiramente.
Mas não sei por qual motivo, quem a gente ama, seja lá quem for, família ou amigo,
nos deixa mais entristecida do que deveria. Por esses dias, Diário, eu talvez
não tenha sido compreendida nas minhas atitudes e deixei insatisfeitas algumas
pessoas.
Tem momentos que tomamos iniciativas com objetivo de mostrar o nosso amor pelo
próximo e o resultado sai pelo avesso, mas interpretado e mal conduzido. E
nesse momento eu fico arrasada por demais; vou ao chão.
É como se tivessem me roubado a alegria, a minha forma de mostrar o meu carinho
e a boa vontade. Não que eu seja melhor do que outras pessoas; muito pelo
contrário. Tenho infinitos defeitos e não tenho medo de confessá-los ou de
expor o que sou. Sou um ser humano errante à procura da minha missão aqui na
terra.
Não sou do tipo que se esconde por trás de uma couraça ou de um mundo que não é
o meu. Não nego minhas raízes. Nasci nua comunidade que hoje já não existe e
foi levada pelo Rio Mundaú. Vivi ali até nove anos, mas volta e meia estava eu
no mesmo local.
Avalio que existem situações que são difíceis de enfrentar, assumir e superar
para todos nós, como o abandono, a rejeição, o desprezo, a culpa, etc. Sim, a
culpa e o medo são os piores sentimentos que a gente carrega e talvez esteja aí
a chave do problema.
Segundo os estudiosos no tema, quem age de maneira rude e mal educada com seus
semelhantes é porque carrega dentro de si fardos muito pesados e é nessas horas
que tem que perceber que as outras pessoas não têm culpa de seus destemperos,
suas querelas interiores.
"A personalidade e o temperamento de cada pessoa influenciam no seu
comportamento diante deste tipo de situações que podem provocar uma grande dor
emocional. Por isso, há quem se exponha a situações dolorosas sem se proteger,
com certa tendência ao masoquismo, até ficar tremendamente machucado e
ferido", diz a psicanálise.
Eu não quero e não desejo essa situação para mim. Muitas vezes fazemos algo
achando que estamos agradando, sendo gentil, registrando momentos importante do
convívio familiar, avaliando que isso pode ser uma prova de amor aos seus.
Ledo engano. Não nos veem assim. Por outro lado, devemos procurar entender o
motivo pelo qual as pessoas agem dessa forma. Segundo os estudiosos, pode ser
alguma situação mal resolvida; negação do passado.
O psicanalista Sigmund Freud analisou a questão e dividiu a repressão
psicológica em dois tipos: "a repressão primária, na qual o inconsciente é
constituído; e a repressão secundária, que envolve a rejeição de representações
inconscientes", pontuou.
Segundo ele, "a repressão é o processo psíquico através do qual o sujeito
rejeita determinadas representações, ideias, pensamentos, lembranças ou
desejos, submergindo-os na negação inconsciente, no esquecimento, bloqueando,
assim, os conflitos geradores de angústia".
Talvez seja essa a explicação para a classe média brasileira estar se achando
burguesa e esquecendo de seu passado e de suas origens. Para reflexão na manhã
de sábado.
Bom dia.