sexta-feira, 17 de março de 2017
quinta-feira, 16 de março de 2017
"Os professores têm de captar a atenção dos alunos" Jorge Nogueira
Vencedor de vários prémios de inovação pedagógica da
Microsoft, Rui Lima, professor do Colégio Monte Flor, lança esta quinta-feira o
livro "A Escola que temos e a Escola que Queremos".
No seu livro aponta duas regras básicas na relação com
alunos: afetos e arriscar. Estas são ainda palavras raras na realidade das
escolas portuguesas?
Sim. Cada vez vão sendo menos porque estamos a assistir,
nestes últimos tempos, a uma mudança de atitude por parte dos professores. Há
cada vez mais professores a perceberem que o modelo de escola que temos não é
suficiente para captar a atenção de todas as crianças. E por isso há mais
professores a arriscar. É verdade que ainda vão sendo poucos para o que é
necessário fazer.
Depois da ênfase dada ao português e à matemática pelo
anterior governo, o Ministério quer promover maior equilíbrio entre as
diferentes áreas de conhecimento. Quer também uma gestão mais flexível dos
currículos, libertando tempo para estimular outras capacidades nos alunos,
nomeadamente o sentido crítico. São medidas que se ajustam ao que defende?
Sim. No livro foco precisamente a importância - até lhes
dedico um capítulo - das inteligências múltiplas. Sabemos que o ser humano tem
sempre áreas onde se destaca. Uns são mais competentes nas artes, outros nas línguas
ou na matemática. Como a minha formação também é de matemática e ciências,
acredito plenamente na importância destas áreas para o desenvolvimento de um
indivíduo ativo eficaz. Mas não nos podemos esquecer que a escola é para todos.
Dando uma ênfase exagerada às competências lógico linguísticas e matemáticas,
deixamos de dar atenção a outras competências que também são importantes. São
as tais soft skills, as competências para o século XXI. A escola deve ter em
consideração todos esses aspetos. É importante o conhecimento de base, cultura
geral, o português a matemática, mas também são importantes outras coisas. Não
acredito em áreas de primeira e de segunda. Nesse aspeto acabo por
identificar-me com o caminho que está a ser apontado.
Que impacto tiveram as metas de aprendizagem e as provas do
4.º e 6.º anos, introduzidas pelo anterior governo, nas rotinas das escolas? No
livro dá conta de muitas queixas da parte dos professores.
As metas, os exames, toda essa dinâmica. Os professores e as
crianças acabaram por estar reféns de um conjunto de metas que na maioria dos
casos eram inalcançáveis. E acabavam por centrar todo o seu modo de trabalhar
na sala de aula de uma forma direcionada par para as metas e, pior, para os
exames. Ainda há a ideia de que ao fazemos muitos exames estamos a preparar os
alunos para responderem aos exames. Normalmente não é a treinar que prepararmos
exames. Preparamos desfiando os alunos a pensar, a refletirem e a discutirem.
Os testes escritos têm o seu papel mas quando saímos da escola, da faculdade,
quantos testes escritos, quantas provas escritas fazemos? Raramente voltamos a
fazê-los. Estamos a preparar alunos para uma realidade que na sua vida
profissional não vai acontecer.
De vários setores da Educação, incluindo de alguns ex-ministros
de direita, há um apelo para que a escola dê resposta aos diferentes ritmos dos
alunos, que faça da retenção uma absoluta raridade. Mas têm sido também muitas
as reações a criticar essa abordagem, acusando-a de ser
"facilitista". Somos ainda muito conservadores no que respeita à
educação?
,
É geral. Isto acaba por não ser assim só em Portugal. Não
deveria ser mas todos os relatórios PISA, TIMMS, só nos fazem acreditar mais
ainda mais na necessidade de classificar, de preparar os tais exames. Temos a
ideia conservadora de que é através dos exames, dos chumbos, que vamos ter
cultura de exigência. Eu sou a favor da exigência, sou extremamente exigente
com os meus alunos, mas a exigência não se mede pelas notas. Como várias
pessoas já disseram, não há nada mais fácil do que chumbar. E não há nenhuma
vantagem no chumbo. É só uma forma de selecionar, de ir eliminando, até apenas
uma minoria chegar aos últimos anos de formação. Em situações muito
excecionais, a retenção do aluno pode fazer sentido, mas deve ser muito bem
estudada, através de relatórios de psicólogos, ouvindo os pais.
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terça-feira, 14 de março de 2017
Crônica de um desagravo alagoano
Está circulando pela internet um comentário postado recentemente no
facebook em que um cidadão diz que deveria ser soltada uma bomba no
Senado e também no Estado de Alagoas, a fim de que não se proliferassem
“essas crias do inferno”, referindo-se a alguns parlamentares que
ocuparam cadeiras no Senado Federal.
Nas palavras raivosas do citado cidadão, “Alagoas é um ninho destas
pestes, uma ratoeira.” Ele fez referência expressa a alguns
representantes políticos do Estado de Alagoas que estariam “infectando”
todo o país.
O que responder a uma pessoa com esta, que é movida por tanta ignorância e intolerância?
Antes de tudo, não pretendo fazer aqui uma defesa dos mencionados
políticos, posto que além de não ter votado nos mesmos, tão pouco os
considero como bons políticos (sim, há bons políticos). Também gostaria
de dizer que políticos de péssima qualidade, seja no aspecto ético-moral
ou mesmo técnico (em geral nos dois aspectos), existem em todos os
lugares. Que atire a primeira pedra em Alagoas aquele que vive em um
Estado brasileiro que não tem políticos corruptos e despreparados em
quantidade superior ao quantitativo que esperávamos. Sei que já foi dito
que cada povo tem o Governo que merece, mas certamente não se pode
atribuir à população as características pessoais de alguns de seus
integrantes. Não estou passando a mão na cabeça do povo alagoano. De
jeito nenhum. Que, em inúmeras situações, nós escolhemos mal nossos
representantes, isto é fato e a história está aí para confirmar. Mas
jamais direi (ou ficarei calado diante de quem afirme) que o alagoano,
ou quem quer que seja, é desonesto ou calhorda porque tem representantes
políticos de péssima estirpe.
É um gesto de infinita ignorância achar que somente os que vivem em
determinada região do país são os únicos (ou até mesmo os maiores)
portadores de mazelas nacionais. O citado ato veiculado pelo facebook,
longe de ser um fato isolado, provém de uma grande intolerância,
especialmente com os nordestinos, situação que não deve ser calada.
O que fazer com um sujeito com esse e seus pensamentos tacanhos?
Imagino a realização de uma reunião com algumas figuras alagoanas
ilustres para discutir o destino deste infeliz e preconceituoso
indivíduo (uma reunião no estilo Meia Noite em Paris, de Wood Allen,
onde personagens do presente e do passado se misturam). Nesta reunião,
estariam presentes Graciliano Ramos, Nise da Silveira, Arthur Ramos,
Pontes de Miranda, Aurélio Buarque de Holanda, Deodoro da Fonseca,
Floriano Peixoto, Zumbi, Zagallo, Marta, Cacá Diegues, Paulo Gracindo e
Djavan.
Iniciada a reunião, o Mestre Graça diria:
– Nem em minha “Infância”, vi pessoa com tanta “Angústia”. Acho que
pessoas com esta criatura têm “Vidas Secas”. Mal sabe ele que os
“Viventes das Alagoas” são pessoas de bem, humildes, trabalhadoras, que
honram suas origens “Caetés”. Minha cara Nise, creio que este rapaz
precise de um sério tratamento psiquiátrico. Veja o que você pode fazer
por esta pobre alma.
– Graciliano (eleito o alagoano do século XX, um dos maiores escritores da língua portuguesa), responde Nise da Silveira (psiquiatra, precursora dos tratamentos psiquiátricos humanizados no país),
apesar de sempre ter defendido a utilização de terapias mais
humanizadas, creio que para este senhor, não há muito que a psiquiatria
possa fazer. Acho que ninguém melhor que o Mestre Aurélio para lhe dar
algumas palavras.
– De fato, disse Aurélio Buarque de Holanda (filólogo, dicionarista, autor do principal dicionário da língua portuguesa),
este rapaz tem que saber que tolerância é a “disposição de admitir, nos
outros, modos de pensar, de agir e de sentir diferentes dos nossos” e
que ignorância, de que julgo que ele é um grande possuidor, significa
“Falta geral de conhecimento, de saber, de instrução./ Estado de quem
ignora”. Creio que Arthur poderia analisar a condição deste indivíduo.
– Claro Aurélio, disse Arthur Ramos (etnólogo e antropólogo brasileiro, foi diretor da UNESCO),
como sempre fui um estudioso das questões sociológicas, em especial da
condição de segmentos objeto de discriminação, como os negros, sei que
este cidadão é um reflexo de uma sociedade de exclusão: exclusão do
pobre, do diferente, do que não vive perto dos grandes centros. Como
ele, existem muitos outros que passam a vida se julgando superiores,
detentores de uma moral e capacidade acima dos demais. Em outras
palavras, merecedores de pena.
Neste momento, Pontes de Miranda (jurista, escritor, considerado
por muitos o maior jurista brasileiro de todos os tempos, autor da maior
obra jurídica da história da humanidade) acrescentou:
– De pena e dos rigores da lei. Atitudes como a deste rapaz
configuram crime e devem ser apuradas e punidas, evitando novos gestos
de racismo, preconceito e intolerância.
Neste exato momento, sentado ao lado de Floriano Peixoto (segundo
presidente da República e consolidador desta), Deodoro da Fonseca (proclamador da República, primeiro presidente do Brasil) bradou:
– Se acharmos necessário para garantir os fins da República, a
igualdade entre os cidadãos e o respeito aos direitos fundamentais,
podemos reunir mais pessoas e criar um movimento revolucionário contra a
ignorância e a intolerância. Meu amigo Zumbi dos Palmares, você que é
um herói nacional como eu sou, o que você acha ?
Zumbi (líder negro, comandou a maior movimento de libertação das Américas no período colonial) então respondeu:
– Dei minha vida pela liberdade, e voltaria a fazê-lo, mas a
liberdade deve ser exercida para o bem da humanidade. Ninguém tem o
direito de se utilizar de forma indevida da liberdade de expressão para
agredir as pessoas. Se o fazem, devem responder por tais atos.
Sugeriram que fossem enviadas poesias de Jorge de Lima e Lêdo Ivo para o citado cidadão se tornar mais civilizado.
Zagallo (único futebolista tetracampeão do mundo), que também estava presente, disse:
– Esse cidadão, goste de nós alagoanos ou não, ele vai ter que nos engolir.
A Rainha Marta (quatro vezes melhor jogadora de futebol do mundo) concordou com a opinião do Velho Lobo.
Cacá Diegues (grande cineastra brasileiro) emendou:
– Este cidadão deveria ser informado que se Deus é Brasileiro, Alagoas é seu Paraíso das Águas.
Paulo Gracindo sugeriu:
– Este sujeito não deve ser Bem Amado.
Convidado para animar a reunião com seu talento musical, Djavan (compositor, cantor, um dos grandes da MPB), concluiu a reunião cantando:
– Você me deu liberdade
Pra meu destino escolher
E quando sentir saudades
Poder chorar por você
Não vê, minha terra mãe
Que estou a me lamentar
É que eu fui condenado a viver do que cantar
A–la, a–la, ala, Alagoas
Pra meu destino escolher
E quando sentir saudades
Poder chorar por você
Não vê, minha terra mãe
Que estou a me lamentar
É que eu fui condenado a viver do que cantar
A–la, a–la, ala, Alagoas
Publicado por fabiolinslessa
Esse foi o comentário INFELIZ do cidadão Luiz Carlos Pielak sobre os alagoanos.
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segunda-feira, 13 de março de 2017
Telefones Úteis
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É hoje: Projeto Salve o Rio Mundaú
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sábado, 11 de março de 2017
O Meio Ambiente pede socorro!
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quinta-feira, 9 de março de 2017
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quarta-feira, 8 de março de 2017
Ação conjunta flagra irregularidades na Serra dos Frios, em União dos Palmares
Feirantes que trabalham em União dos Palmares, na Zona da Mata de Alagoas,
realizaram um protesto nesta terça-feira (7) contra a reorganização da
feira local, que tem como objetivo setorizar o ambiente. A manifestação
aconteceu em frente ao prédio da prefeitura.
Os trabalhadores usaram carro de som e placas para chamar a atenção das
autoridades. O protesto começou pela manhã e se encerrou no começo da
tarde.
Segundo o secretário de Trânsito do município, Antunes Ventura, a nova
organização da feira não agradou os feirantes porque eles estavam
acostumados com o modo antigo. "Antes eles ficavam no meio da rua e
bagunçados, mas agora vai dividir as vendas por categoria", disse o
secretário.
Ainda de acordo com Ventura, para a prefeitura, o problema não está nem
na falta de setorização, mas sim, pelo fato de que a feira acontece nas
principais vias do centro da cidade e atrapalha o trânsito.
IMA planeja ações para coibir crimes na Serra dos Frios
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