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quinta-feira, 3 de março de 2011

"União é Uma Das Mais Talentosas Em Termos De Músicos e Cantores, No Geral o Que Falta é Primeiro Oportunidade e Depois Eles Acreditarem Em Si Mesmos"

Marcondes Guitar

Marcelo: Como é seu nome completo?

Marcondes Guitar: Marcondes Magalhães de Mendonça

Marcelo: Desde quando usa o “guitar” como sobrenome?

MG: Eu uso desde de que comecei a tocar Guitarra e a ser Fã do Maurício Guitar da Banda Limão Com Mel...

Marcelo: Você é natural de União? Em que ano você nasceu?

MG: Eu Nasci em 1986 em Maceió e morava na Usina Serra Grande com 3 Anos de idade vim para União e me considero um Palmarino com muito Orgulho.....

Marcelo: Você parece ser mais novo, as pessoas comentam isso, quando descobre a sua idade?

MG: Sim muitas pessoas se admiram com meu tamanho e minha idade é muito engraçado as vezes em situações de shows...

Marcelo; Você toca desde criança e tem uma aparência mais jovem, você já teve problemas nas suas atividades profissionais, já que o seu trabalho é mais executado a noite?

MG: Sim eu comecei a tocar violão com 9 anos em 1995 através de meu Pai que toca e aos 13 anos comecei a tocar guitarra , já tive problemas sim na Banda Time Machine de entrar pra tocar e o porteiro me pedir documento sem saber que eu era da banda... foi engraçado por que o produtor da Time estava na hora e ai foi motivo de resenha na banda, mais so por questão de seguranca…

Marcelo: Como a música entrou na sua vida?

MG: Através do meu Pai MARCOS PINHOS que é meu ESPELHO de Vida e minha Tia Lenice minha segunda Mãe que sempre me deram apoio em tudo e que acreditam em mim desde o começo da minha vida Profissional, não que as outras pessoas não acreditassem mais em especial estes dois foram essênciais...

Marcelo: Como foi o início de sua carreira e a quantos anos já está na estrada?

MG: Olha eu comecei na Banda Flor Nativa aqui em União e foi muito difícil por que eu não tinha equipamento e estrutura sabe, e ai passei 3 anos e lá foi a minha primeira escola da vida e da música. completei agora este ano 10 anos na estrada profissional, GRAÇAS A MEU GRANDE DEUS.

"Não foi difícil me adaptar com as pessoas mais a comida e o idioma são os mais diferentes de todos, a Cultura aqui é muito valorizada"

Marcelo: Quais as bandas que você já passou?

MG: Banda Flor Nativa, Galera da Bandinha, Kacetêiros do Forró, Máquina do Tempo, Banda Contággio Tropical que foi uma Grande Escola Musical, Orquestra Golden Hits e a Banda Time Machine que abriu as Grandes Portas de Trabalho e reconhecimento do Mercado de Trabalho do Brasil e do Exterior se esquecer dos vários CANTORES DA NOITE que tive a honra de tocar, GRAÇAS A DEUS SOU UMA PESSOA MUITO REALIZADA NA MÚSICA, Hoje estou trabalhando pela companhia de cruzeiros PULLMANTUR da ROYAL CARIBEAN DOS ESTADOS UNIDOS….

Marcelo: Como você ver o mercado de trabalho para os artistas aqui em União dos Palmares?

MG: Olha eu vejo da seguinte maneira, das Cidades de Alagoas que eu já toquei e fui, União é uma das mais talentosas em termos de músicos e cantores, no geral o que falta é primeiro oportunidade e depois eles acreditarem em si mesmos porque temos grandes talentos em nossa cidade, só um detalhe a música é muito difícil em todo lugar e a oportunidade quando surge não podemos deixar passar...

Marcelo: Fora o lado da música, como você ver a nossa cultura?

MG: Bem a nossa cultura cada vez mais esta evoluindo mais e mais e isso é bom pra gente que vive das artes seja música ou qualquer outra arte que temos...

Marcelo: Quem são os profissionais da música aqui na cidade que você admira?

MG: Todos porque se você vê todos tem uma vida como eu, cheio de caminhos, batalhas e de Histórias e eu seria muito injusto citar nomes porque todos no geral merecem uma boa oportunidade de trabalho e isso é que faz o Músico...

Marcelo; E de fora, quais os seus artistas preferidos?

MG: Sou muito Fã do Maurício Guitar da Banda Limão com Mel que É um Grande Amigo e que é minha Grande inspiracão junto com meu Tio Ednaldo que Também é um Grande Guitarrista, tem Marlon Rossi um Artista Completo na minha Opinião, Serginho Lamecci e todos da Banda Time Machine que marcou muito minha Vida, entre outros…

"Eu indico pra qualquer pessoa conhecer é uma Ilha chamada ARUBA ela é uma Antilha Holandesa"

Marcelo: Como foi que você chegou a ir trabalhar fora do Brasil?

MG: Através do meu Grande irmão e companheiro de trabalho MÁRCIO CAVALCANTI que é Baterista e do meu Segundo PAI ALCÂNTARA Trompetista, que trabalharam comigo na Banda TIME MACHINE e me ajudaram muito, atualmente o MÁRCIO mora comigo no navio rsrsrsr. Já estamos trabalhado juntos há 5 anos e Eles pra mim são referências em termo de comportamento, postura profissional e Musicalidade. MÁRCIO que me indicou pra viajar em 2009 em um cruzeiro pra o caribe com ele e os outros da Banda que eram de João Pessoa e ai foi minha primeira viagem pra fora do BRASIL..

Marcelo: Como é conviver com pessoas de várias nacionalidades, já se acostumou com os costumes, idioma, comida lá de fora?

MG: Não foi difícil me adaptar com as pessoas mais a comida e o idioma são os mais diferentes de todos, a Cultura aqui é muito valorizada em todos os lugares que eu já fui fora do Brasil a Cultura e o Turismo são os mais valorizados e são as principais fontes de rendas dos lugares.

Marcelo: Onde você passa seu tempo e qual é a sua rotina?

MG: Hoje atualmente estou produzindo e compondo um trabalho Evangélico pra o SENHOR JESUS e já tenho algumas músicas que estou terminando de gravar aqui mesmo no barco e o Márcio está na Direcão do trabalho, minha rotina é trabalho, gravação, e conhecer os lugares diferentes por aqui....

Marcelo: Como fica sua relação com sua noiva, já que você chega a ficar seis meses fora?

MG: Minha noiva é uma pessoa abençoada por DEUS, porque poucas pessoas me esperariam todo este tempo e isso pra mim eu fico muito feliz por saber que eu tenho uma pessoa que posso confiar e deixar tudo ai pra ela resolver, tipo eu estou fora e ela é quem cuida das minhas coisas junto com a minha Mãe, elas duas me ajudam em tudo. Agradeço a DEUS muito por Elas rsrrs

Marcelo: Vem casamento por aí?

MG: Nós pretendemos se casar sim, este ano se for da vontade de DEUS.... não tem data mais este ano agente pretende se casar...

Marcelo: Você e sua família são evangélicos?

MG: Sim Gracas a DEUS, DEUS é Fiél e tudo que Ele me prometeu e tudo que eu tenho eu devo a Ele e sua Fidelidade. GLÓRIA A DEUS, GLÓRIA A JESUS….

Marcelo: As igrejas evangélicas aceitam seus artistas se apresentarem em lugares para não evangélicos?

MG: A Música é um trabalho como qualquer outro Graças a DEUS eu nunca tive problemas com ninguem da minha Família e da Igreja por isso ser meu trabalho, eu procuro não misturar as coisas e sempre respeitar a Palavra de DEUS. Graças á Deus as pessoas que vivem ao meu redor me respeitam e entendem. Tudo que eu tenho foi DEUS que me deu através da Música.

Marcelo: Fora ouvir músicas, quais são seus hobby?

MG: Eu Amo a natureza que DEUS criou, gosto muito de viajar e também de estar junto dos meus Amigos pois sou uma pessoa muito simples...

Marcelo: Como sua profissão propicia várias viagens, quais os lugares no Brasil, ou fora, que você mais gostou?

MG: De todos os lugares o lugar que me marcou e que indico pra qualquer pessoa conhecer é uma Ilha chamada ARUBA ela é uma Antilha Holandesa e fica perto da venezuela, o lugar é lindo muito lindo e no Brasil de todos os lugares o mais legal foi São Paulo.

Marcelo: Marcondes muito obrigado, fique a vontade para se despedir dos leitores.

MG: Quero agradecer a DEUS por tudo, a Você por esta oportunidade de falar um pouco sobre minha vida profissional, todos os Leitores, minha Familia, Minha noiva, Meus grandes AMIGOS dai de União, a Tonho Belarmino e Jarbas Leite que em especial me ajudaram e ajudam sempre que preciso, meu Tio Ednaldo e a Maurício Guitar que sempre mantenho contato, enfím a todos muito obrigado e quero muito poder ver os músicos da nossa cidade trabalhando bem, DEUS abençoe a todos sempre. muito obrigado MARCELO...


Fotos Arquivo Pessoal de Marcondes
+ A Primeira Entrevista Aqui No Blog

quarta-feira, 2 de março de 2011

40 anos de vida!

Professor Gilson

Parece que foi ontem. Minhas mais remotas lembranças são da rua do Cangote da minha querida União dos Palmares lá pelos idos de 1976. Eu tinha 5 anos de idade. Ali começava a minha vida pra valer. Uma vida cheia de alegria. Cercado de amor. Sempre fui um garoto feliz! Um jovem feliz! Um homem feliz! E agora, um corôa feliz! Foram 40 anos de coisas boas! Claro que alguns momentos ruins. Mas só tenho a agradecer a vida por tudo que me aconteceu.
Vamos aos momentos mais marcantes. Minha primeira namorada (1977) foi Gracinha (Maria das Graças). 1978, minha primeira copa do mundo. Minha primeira palavra lida foi TATU (1979). Vi Zico, Sócrates e Falcão perderem a copa de 82 (chorei muito). Em 84 me apaixonei pela primeira vez na vida. Que dor era aquela? Sofri demais (Jaqueline). Em 88 aceitei a Jesus (virei evangélico). Em 1990 cheguei em São Paulo. Em 91 casei. 1993 tive a experiência de ser pai. Nasce Laryssa. Meu diploma de físico chegou em 95. Em 1996 perdi a fé em Deus! Nasci de novo. Em 97 nasceu minha segunda filha (Mayara). Em 2002 levei um tiro no rosto (assalto), nasci novamente. Em 2005 me separei.
Claro que escreveria fácil o livro da minha vida. Mas vamos viver um pouco mais! Alguém me disse que o melhor de todos os mestres é o tempo, pena que ele mata seus alunos. Mas é sem dúvida a melhor parte de se ficar velho: a experiência! Estamos sempre aprendendo. E agora posso dizer com orgulho: tenho a experiência de um cara de 40 anos! De tudo que acumulei na vida me orgulho muito da profissão que escolhi. Eu tenho o poder de transformar vidas! Sou professor! Quando vejo as redes sociais das quais faço parte, me sinto honrado pelo carinho com que a esmagadora maioria dos meus ex-alunos me tratam. Sem falar nos atuais alunos. Até aqui não posso reclamar da vida! Obrigado por poder me expressar por aqui.

Até a próxima!
Blog do Professor Gilson

+ Mais Histórias de Palmarinos

Ruas Palmarinas

Antes
Depois... Rua Antônio Arecipo (antiga rua do gangote)
Antes
Depois
Pintura da descida da Rua da Cachoeira
Fotos Preto e Branco do acervo de Maria Mariá
Click nas fotos para ver em tamanho maior

+ Antes e Depois

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

" A Atual Configuração das Mesas Lá na Praça é Vergonhosa, Pois Deixa Claro a Exclusão a Que é Submetida a Maioria da População " Marcia Susana

"E me preocupa o papel da igreja católica que tenta camuflar sua omissão no episódio."

Marcelo: Como foi sua infância no Distrito de Rocha Cavalcante, a Barra do Canhoto?

Marcia Susana: Foi uma infância tranqüila e feliz, rodeada de amigos e familiares. O fato de ser um lugar pequeno com poucas características de urbanização proporcionou segurança e tranquilidade, desta forma, favoreceu a vivência de uma infância com mais liberdade permeada de relações afetuosas.

Marcelo: Com quantos anos sua família saiu da lá? Você continuou visitando o lugar?

MS: Quando minha família se mudou para União dos Palmares, eu tinha 12 anos de idade. Após a mudança continuei visitando todos que lá deixei, pois os vínculos afetivos com amigos e familiares perduravam.

Marcelo: Foi fácil para você se adaptar aqui em União?

MS: Não foi fácil me adaptar aqui, pelo fato de ser adolescente e todo o meu círculo de amizade estar em Rocha Cavalcante.

Marcelo: O que você lembra-se da época estudantil?

MS: Lembro da alegria da descoberta, o gosto de aprender conteúdos novos, fazer amizades, participar de um time de handball, representar a escola na quadrilha de São João, participar das Feiras de Ciências me instigavam a superar limites.

Marcelo: Você terminou o magistério e logo começou a lecionar. Você foi influenciada pela sua mãe, que é professora?

MS: Sim, mas iniciei dando aulas de reforço com colegas, isso aconteceu durante um ano porque logo em seguida precisei parar para dar continuidade aos estudos na capital. E sobre a influência da minha mãe foi total, pois por intermédio dela comecei a ter contato com as atividades de docência. A experiência, dedicação e paixão com que exercia a docência sempre me fascinou, e foi decisiva para a escolha da minha profissão.

Marcelo: Qual a sua formação?

MS: Pedagogia, especialização em formação para a docência e Mestrado em Educação Brasileira.

"E seguramente ouso afirmar que ainda se estabelece a tentativa de anulação de nossa identidade negra."

Marcelo: O que você vem desenvolvendo na área da educação atualmente?

MS: Trabalho com formação de professores. Estou desenvolvendo a função de Articuladora Pedagógica da Educação Infantil e Professora Formadora do Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil – Proinfantil, e atualmente ministro uma disciplina no Curso de Pós-Graduação em Matemática.

Marcelo: Por que você não desenvolve esse projeto aqui em União?

MS: O trabalho de formação de professores requer a iniciativa do poder público para disponibilizá-la ao corpo docente, e no caso do Proinfantil que é um Programa do Governo Federal, é necessário que o governo local assine um Acordo de Participação com o Ministério da Educação.

Marcelo: Você já se decepcionou com alguma coisa em sua profissão?

MS: Não diria decepção, mas fico triste, preocupada e angustiada com o descaso com a educação e a ausência de políticas públicas comprometidas com as classes populares que são as que mais necessitam do serviço público, isso sempre me indignou.

Marcelo: Em que momento você se interessou pela questão do negro?

MS: Certamente foi quando tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história local, a história e riqueza da minha ancestralidade e pude redescobrir minha identidade. Um marco nesse processo de redescoberta foi uma formação para coordenadores pedagógicos do município que ocorreu em 2003 na Secretaria Municipal de Educação.

Marcelo: Na condição de pedagoga e mestre em educação, qual a visão que você tem de como as relações étnico-raciais são estabelecidas no espaço escolar e fora dele?

MS: Lamentavelmente essas relações ainda ocorrem permeadas por discriminação e naturalização do preconceito racial que é camuflado por uma falsa democracia racial. A ausência de uma política pública de reconhecimento e valorização das identidades dos diferentes sujeitos étnico-raciais cria espaços favoráveis a perpetuação de posturas etnocêntricas e assimilação de estereótipos e preconceitos atribuídos ao povo negro. Sobre essa temática posso facilmente elencar inúmeros comentários, por isto criei o blog com o fim de apresentar minhas análises do contexto social e educacional.

Marcelo: A lei que implementa a disciplina de cultura palmarina no município de União teve você e outras pessoas a frente de um movimento para a sua efetivação. Porém é visível que a disciplina carece de um trato especial para com as fundamentações teóricas que embasam os documentos legais federais tais como a lei 10.639, Diretrizes Curriculares Para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e da Cultura Afro-Brasileira e Africana, o estatuto da Igualdade Racial e outros. A que se deve essa carência?

MS: Sobre a disciplina quero destacar que a Lei Municipal, assim como a Lei Federal preconiza a inclusão no currículo escolar da rede municipal, de temáticas ou conteúdos relativos ao estudo da história do município e da raça negra (este último no caso da lei municipal), não propõe a criação de mais um componente curricular, contudo, a disciplina existe e é evidente as dificuldades do corpo docente em efetivar uma educação de reconhecimento e valorização das relações étnico-raciais. Essa lacuna se deve basicamente a ausência de uma política comprometida com a valorização de nossa história e ancestralidade (referindo-me ao povo negro e indígena) visando a superação das relações hierarquizantes, discriminatórias, excludentes e opressoras ainda estabelecidas em nosso município.

Marcelo: Quanto a lei que implementa o estudo para o trato com as questões étnico-racial dentro da disciplina de cultura palmarina, é possível perceber que ela ainda necessita de referencias teóricas para embasar a prática de muitos professores do município. A que se deve essa necessidade: a um grupo que de fato esteja presente na Secretaria de Educação que discuta com embasamento teórico sólido e prático as questões étnico-raciais no espaço escolar? Ou seria falta de investimentos, compromisso para com as questões étnicas e culturais do qual nosso município esta submetido?

MS: Ao tempo em que você questionou você também apresentou as justificativas, sem dúvida o principal fator é a falta de uma política pública local preocupada e comprometida com a valorização dessa identidade da população, os demais fatores subsidiam ou decorrem deste fator, como: o distanciamento da história local com a história do Quilombo dos Palmares, o não-reconhecimento de nossa ancestralidade negra e indígena, as relações discriminatórias, técnicos educacionais com formação na área, o imaginário e trabalho dos docentes que inferiorizam essas questões, falta de investimento, a ausência da implantação e implementação de um projeto substancial na área educacional, que consolidam a ausência de informação e deficiência de formação dos profissionais educacionais.

Marcelo: Por que a maioria dos palmarinos não se identifica com a cultura negra?

MS: Mediante pesquisa constatei que esse trabalho de não identificação foi iniciado pela coroa portuguesa em meados do século XVIII, mediante o envio do português Domingos José de Pino, com a missão de recolonizar a localidade dentro dos padrões europeus e aniquilar todo e qualquer vestígio da organização quilombola. A partir daí teve início um forte processo de anulação do reconhecimento da identidade negra na população local, ao ponto de, nos dias atuais muitos se referirem a história de nossa ancestralidade como a “história dos negros”. E seguramente ouso afirmar que ainda se estabelece a tentativa de anulação de nossa identidade negra.

Marcelo: Em sua opinião o que falta na cidade para alavancar o turismo?

MS: Uma política, consequentemente, um projeto substancial que não esteja pautado só na lógica do capital.

Marcelo: Você já foi integrante da associação da AGRUCENUP?

MS: Não, pois não faço parte de nenhum grupo cultural.

Marcelo: Como você vê a atuação da mesma em nossa cidade?

MS: A AGRUCENUP sempre buscou se estabelecer, contudo, hoje se configura como uma aglomeração de grupos culturais e lamentavelmente falta o compromisso com as questões sociais que oprimem nosso povo negro, consequentemente, desenvolver um trabalho social.

Marcelo: O que acha do trabalho da Fundação Cultural Palmares aqui em União?

MS: Acredito que com o tempo poderemos visualizar mais claramente a efetivação da política nacional, mas sabemos que o compromisso da Fundação Palmares é com a Serra da Barriga, as ações locais cabe ao governo e a população.

Marcelo: Qual foi a sua participação na campanha de sua irmã Marciângela Gonçalves para prefeita do município?

MS: Contribui com a construção do plano de governo na área educacional, que é o que conheço melhor.

Marcelo: Qual sua avaliação de toda a campanha?

MS: Excelente, pois não feriu os princípios nos quais acreditamos.

Marcelo: Você é seletiva em relação a amizades?

MS: Completamente, pois sou criteriosa quanto aos princípios que devem embasar a amizade, amigos são pedras preciosas, tesouros de valor inigualável.

Marcelo: Você tem um filho de 15 anos, como é seu relacionamento com ele?

MS: O melhor possível, nossa relação sempre esteve pautada no respeito e companheirismo.

Marcelo: Marciângela é uma tia coruja?

MS: Sim, afinal tem apenas um único sobrinho.

Marcelo: Encontrei você na festa de Santa Maria Madalena, o que achou do evento esse ano?

MS: Animada, mas extremamente conflituosa, e isso é muito bom, pois as grandes mudanças sempre decorreram dos conflitos, e já é tempo de repensar a organização de alguns elementos dessa festa, pois não atende a maioria da população local, e afinal a festa é para a população.

Marcelo: Qual é sua opinião sobre o espaço das mesas lá na praça?

MS: A atual configuração é vergonhosa, pois deixa claro a exclusão a que é submetida a maioria da população, e embora seja demonstrada preocupação com o fato, não há uma ação que demonstre a valorização dos diferentes sujeitos que precisam ser respeitados, e me preocupa o papel da igreja católica que tenta camuflar sua omissão no episódio.

" A AGRUCENUP sempre buscou se estabelecer, contudo, hoje se configura como uma aglomeração de grupos culturais e lamentavelmente falta o compromisso com as questões sociais que oprimem nosso povo negro, consequentemente, desenvolver um trabalho social."

Marcelo: O que faz nos seus momentos de folga?

MS: Nos momentos de folga procuro conviver mais com meus familiares, mas gosto também de ir ao cinema, a praia, teatro, pintar, escrever, viajar e recentemente aprender a tocar violão.

Marcelo: Continua pintando seus quadros?

MS: Sim, mas devido ao pouco tempo disponível estou demorando mais tempo para concluir uma tela.

Marcelo: Você tem um blog, (Marcia Susana) do que se trata? Você o mantém atualizado?

MS: Trata de produções pessoais sobre as diferentes temáticas com as quais me identifico que são: educação, etnia, formação de professores, escola, racismo, identidade, responsabilidade social. Sobre a atualização, não o fazia com freqüência, mas este ano tenho a pretensão de inserir produções ao menos quinzenalmente.

Marcelo: Márcia, muito obrigado. Gostaria que você deixasse suas considerações para os leitores do blog.

MS: Fico feliz Marcelo com a existência de espaços de informação e comunicação como esse, democrático, diversificado e que demonstra preocupação e valorização de nossa identidade. Aos leitores, AXÉ! Somos mais fortes do que pensamos.