Pages

sábado, 13 de maio de 2017

Pais e filhos do 13 de maio



Há 129 anos, sob forte pressão popular, a princesa Isabel, regente do Brasil, assinou a lei 3353, que tinha apenas dois artigos: Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.



Aquele ato, a despeito da situação posterior em que se lançaram os negros no Brasil, com consequências que perduram até os dias atuais, foi de uma radicalidade sem par e fruto de uma luta intensa que se deu, praticamente, desde que teve início em nosso país a escravidão negra.

O 13 de maio foi fruto da luta dos próprios negros, ao longo de séculos, contra a escravidão. O gigante dessa luta foi, sem dúvida, Zumbi, o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, morto aos quarenta anos comandando a resistência. Durante praticamente todo o século dezessete Palmares, até sua completa destruição, foi um desafio permanente ao escravismo. Até a captura e a morte de Zumbi, Palmares ergueu-se como uma bandeira de liberdade, desfraldada ao vento. 0 13 de maio é filho legítimo de Zumbi e de Dandara, guerreira entre guerreiros.


O 13 de maio foi fruto também da luta de Cosme Bento das Chagas, líder dos negros na Balaiada, no Maranhão, enforcado por ordem de Caxias em 1842. Negro forro, nascido no termo de Sobral, no Ceará, Cosme, à frente de três mil homens, fundou o maior quilombo da história do Maranhão e deu fôlego à resistência dos balaios durante vários anos. Sua condenação, por negro, foi exigida por Caxias como exemplar, para que os escravos não ousassem novamente lutar pela liberdade.


O 13 de maio é filho legítimo de Luisa Mahin, da luta dos Malês e da Sabinada. Traz a marca de uma mulher que vestiu-se de luta e cantou, a plenos pulmões, a canção da liberdade. O 13 de maio é assim irmão de Luís Gama, tribuno do povo.


É filho também de Chico da Matilde, jangadeiro nascido no Aracati, catraeiro no porto do Ceará, que assumiu a liderança das lutas abolicionistas no seu estado e virou o Dragão do Mar, ombreando-se aos que lutavam contra a escravidão.


O 13 de maio é também filho da poesia, do verso dinamiteiro de Antonio de Castro Alves, do verso que explodia em dor e denúncia. Foi tamanha a dor e elevou-se tão alta a voz do poeta que não coube na vida, silenciando tão jovem.


Ah! Tantos, tantos foram os pais e as mães do 13 de maio. Tantos os seus irmãos, como aquele mulato Lima Barreto, jornalista e escritor, nascido, coincidentemente, em um 13 de maio, exatos oito antes que a regente assinasse a lei de libertação dos escravos.


Deixou filhos, também, em profusão. Um João Cândido, o Almirante Negro, que liderou a Revolta da Chibata. Um Claudino José da Silva, único negro na Assembleia Constituinte de 46. Uma Helenira Rezende, liderança estudantil, guerrilheira. Um Osvaldão, gigante das matas do Araguaia.


Os meninos que ocupam as escolas e as ruas de São Paulo, que desafiam a truculenta polícia fascista do governador Alckmin, são herdeiros do 13 de maio e de todos aqueles que o precederam.


129 anos depois não é data para lamentações. É para honrar os heróis e manter viva a luta por uma sociedade justa, livre da opressão, do racismo, da misoginia, da homofobia. Mesmo que os tempos atuais se anunciem sombrios, mesmo que na lama do ódio e da intolerância alimente-se a flor terrível do fascismo, ainda assim, este 13 de maio de 2017 é dia de cantar alto a canção da liberdade, é dia de cantar alto e acreditar, como o bardo baiano, que “não tarda a aurora da redenção”.



*Joan Edesson de Oliveira é educador, mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Alunos de União dos Palmares conhecem o Complexo Estuarino Lagunar no Barco-escola do IMA



Alunos de escolas municipais de União dos Palmares estão tendo a oportunidade de ter uma aula de campo com ambientalistas do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que é voltada para o Projeto Navegando com o Meio Ambiente, a bordo de um catamarã.


Hoje, dia 11, foi a vez dos estudantes da Escola Municipal Dr. Antonio Gomes de Barros, que fica no Distrito de Rocha Cavalcante. No barco-escola todos saíram da base descentralizada do IMA, situada na Ilha de Santa Rita, próximo à Ponte Divaldo Suruagy, no município de Marechal Deodoro, onde conheceram o Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (Celmm). 


Atentos, o alunado, junto com seus professores Edjane Melo, Jussan Gonçalves, Marcelo Pereira e a diretora pedagógica Cleonice da Silva, recebem informações sobre o mangue, a importância de preservá-lo e sobre os danos causados pela exploração turística e urbana na região. 


O projeto atente segmentos da sociedade desde 2009, e desenvolve ações de educação ambiental com alunos de Alagoas e de outros Estados, para que possam ser multiplicadores em suas escolas e comunidades.


Encantados por participar de um passeio enriquecedor como esse, era visível o entusiasmo dos estudantes e, sem dúvida, eles eternizaram todos os momentos em fotos e agradecimentos.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

"Pretendo ser engenheiro que constrói robôs e máquinas. Se não conseguir exercer essa profissão, vou ser veterinário" Por Ewerton Francelino




Me chamo Ewerton Francelino da Silva. Minha mãe se chama Marciângela dos Santos, e meu pai Everaldo Francelino da Silva. Minha mãe é doméstica na nossa casa, e meu pai é agricultor. 

Eu estudo, pratico capoeira, ajudo nos afazeres da casa de vez em quando, e também ajudo meu pai. Tenho doze anos. Nasci no dia 24 de setembro de 2014, e o que eu mais gosto de fazer é praticar capoeira e estar com minha namorada. O nome dela é Crislane Joventino Bezerra, e ela tem 14 anos. O nosso namoro é recente. 

Pretendo ser engenheiro que constrói robôs e máquinas. Se não conseguir exercer essa profissão, vou ser veterinário, ou o que Deus quiser. 

No momento estou focado em terminar meus estudos, é isso que quero para mim. Tenho uma irmãzinha, e o nome dela é Ewelly Francelino da Silva. Ela tem dois aninhos. 

Então essa é minha biografia.  

Ewerton da Silva aluno do 8 Ano "A", da Escola Municipal Dr. Antonio Gomes de Barros.
 
Texto orientado pela professora Quitéria Santana.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O que é ser um bom Professor?

Além das competências científico-pedagógicas, é exigido ao professor que tenha preocupações éticas no exercício da sua profissão

Olimpio Tavares*

Na sociedade em que vivemos existe um conjunto de pessoas cuja ocupação é fazer os alunos aprender o que há de melhor na cultura humana. Essas pessoas são vulgarmente conhecidas como professores. A intenção desta reflexão é traçar, de forma crítica, o perfil de um bom professor.

A condição necessária para se ser um bom professor é estar munido de uma competência científica e uma competência pedagógica. Contudo, há que salientar, que apesar de as duas componentes serem essenciais para o exercício da profissão docente, não são, na prática, condições suficientes para qualificar um bom professor.

Um bom professor é aquele que põem em prática um conjunto de estratégias pedagógicas que leva o aluno a melhorar significativamente o seu estado de aprendizagem. Um bom professor não é aquele que está convencido que sabe tudo e funciona como uma espécie de enciclopédia para o aluno. Um bom professor é aquele que procura saber quais são as reais dificuldades dos alunos para depois escolher a estratégia mais adequada para ajudá-lo a sair do impasse. Um bom professor não aquele que está distante do aluno e nem sequer está preocupado com as dificuldades que este apresenta.

Um bom professor é aquele que domina os conteúdos e ao mesmo tempo encontra estratégia adequada para levar o aluno a compreender e aprender. Um bom professor não é aquele que limita a dar aulas ou a transmitir um conjunto de conhecimentos de uma forma acrítica, e, por outro lado, “obriga” os seus alunos a memorizarem os apontamentos para posteriormente reproduzir nos testes. Um bom professor é aquele que investiga quer a experiência dos outros quer a sua própria experiência pedagógica, a fim de aperfeiçoar a sua prática, e consequentemente, melhorar a aprendizagem dos alunos. Um bom professor não é aquele que se estagnou no tempo, ou seja, considera que a sua formação inicial é suficiente e definitiva, daí não vê razões para investigar ou questionar a sua própria prática.

Um bom professor é aquele que está aberto ao feedback dos alunos em relação à sua prática pedagógica. Um bom professor não aquele que se considera autossuficiente quer do ponto de vista científico quer do ponto de vista pedagógico. Um bom professor é aquele que partilha as suas dificuldades pedagógicas com os seus pares. Um bom professor não é aquele que se fecha em si mesmo, impossibilitando assim qualquer partilha do ponto de vista pedagógico. Enfim, um bom professor é aquele que está sempre disponível para atualizar os seus conhecimentos, e procura colocar os seus alunos nas fronteiras do conhecimento.

Para além das competências científico-pedagógicas que foram ditos acima, é exigido ao professor que tenha preocupações éticas no exercício da sua profissão. Como em qualquer profissão, o professor deve ser exemplar no desempenho das suas funções, quer no ambiente escolar quer na sociedade em geral. Além disso, o bom relacionamento com os seus pares e com os seus alunos contribui de sobremaneira para o seu equilíbrio psicológico e profissional.

É preciso acrescentar, que nos dias que correm a dimensão ética do professor está claramente descurada em relação à dimensão científico-pedagógica. Mas isso deve-se, sobretudo, à tendência tecnocrata do ensino pós-moderno. O que interessa é fazer com que os alunos aprendam as matérias, e isso é o essencial. O resto, como a dimensão ética, é considerada acessória na medida em que não contribui diretamente para competência do aluno. Essa visão neutra do ensino deve ser combatida vivamente, a meu ver, uma vez que a escola não é apenas um lugar para aprender “coisas úteis”; é também um lugar para o indivíduo aprender a tratar os outros com justiça, equidade e amor.

Ser um bom professor não é uma tarefa fácil. Exige um esforço intelectual e moral no sentido de aperfeiçoar-se cada vez mais. Não se é bom professor pelo simples facto de os outos o afirmarem. É-se bom professor pelo esforço e dedicação em relação a aquilo que deve ser feito. E isso muitas vezes não é visto pelos outros.

*Licenciado em Filosofia, pela Universidade Católica Portuguesa (Lisboa). Atualmente, leciona Filosofia na Escola Secundária “Olegário Tavares”, na vila de Achada do Monte (interior de Santiago).

segunda-feira, 8 de maio de 2017

"Seria tão bom se hoje eu tivesse meu pai por perto que fizesse companhia a mim e a meus irmãos" Por Maria Laíse



Meu nome é Maria Laíse. Tenho 12 anos, e minha mãe se chama Solange. Tenho dois irmãos que se chamam Alice e Gustavo. 

O que eu mais gosto de fazer nas horas vagas é: estudar e mexer nos Facebook. O que eu menos gosto de fazer são as tarefas de casa. 

Bem, enfim, minha vida não é muito fácil. Desde que meu pai morreu, as coisas ficaram muito difíceis.  Difíceis que eu quero dizer é quando chega Dias dos Pais, e todo mundo tem um pai para homenagear ou dar presente, e eu não tenho. Os colegas ficam falando na escola que os pais não deixam namorar, porque eles são muito bravos e têm ciúmes. Só que as pessoas não entendem como é bom ter um pai. Dói muito isso. Às vezes dá vontade de sumir. 

Sabe, seria tão bom se hoje eu tivesse meu pai por perto que fizesse companhia a mim e a meus irmãos todos os dias, que fizesse minhas lições de casa comigo. Queria que hoje ele estivesse aqui. Nunca abri a boca pra falar que ele era um pai ruim. Era muito presente. Só queria ter aproveitado mais um pouquinho com ele. Dizer o dobro das vezes que eu disse que eu amava ele. Sei lá. Às vezes dá vontade de sumir, só por isso. Já me deu vontade de fazer besteiras. 

Mas hoje eu entendo que foi Deus quem levou ele por um bom motivo, e que ele proteja minha família de onde ele esteja, e que vou amar pra toda a vida inteira. Só tenho a dizer que valorize o pai que você tem hoje, enquanto é tempo.  E dizer que você o ama muito. 

Sorte a minha ter minha mãe hoje. Sem ela eu não seria nada, porque é ela quem me dá forças e que eu amo muito. 

Maria Laíse, aluna do 8 Ano "B", da Escola Municipal Dr. Antonio Gomes de Barros.
Texto orientado pela professora Quitéria Santana.

domingo, 7 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

É hoje: Convite


É hoje: IMA/AL participa de Encontro Alagoano de Apicultura e Meliponicultura aqui em União dos Palmares

O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL) participa do I Grande Encontro Alagoano de Apicultura e Meliponicultura, nos dias 5 e 6 deste mês, em União dos Palmares, região da Zona na Mata alagoana. O evento pretende difundir e esclarecer assuntos relacionados à criação de abelhas e produção de mel e derivados.


O IMA/AL foi convidado para participar do encontro, por meio do setor de Unidades de Conservação, com o intuito de divulgar o posicionamento com relação à elaboração de uma minuta de lei que regulamenta as atividades de criação e conservação de abelhas sociais sem ferrão no Estado de Alagoas.



Segundo Epitácio Correia, gerente de Fauna e Flora e Unidades de Conservação do IMA, a regulamentação desse tipo de atividade é de fundamental importância, isso por que as abelhas sem ferrão (ASF) fazem parte da fauna nativa da região, além de exercerem um importante trabalho de polinização da vegetação.



Legislação em Alagoas
Para entender melhor a necessidade da criação dessa lei no âmbito estadual é importante esclarecer que além de uma legislação nacional, cada estado precisa estabelecer suas especificidades e ajustes dentro dessa lei, devido à diversidade de espécies que ocorrem em cada região do Brasil.



Alagoas, assim como outros estados da Federação, está com a elaboração da regulamentação em andamentono IMA/AL, uma vez que ela deixou de ser de responsabilidade do Ibama e passou a fazer parte das atribuições do Instituto.



Próximos Passos
O material, que já está em análise e submetido ao Núcleo de Gestão Faunística (Gefau) do IMA, encontra-se em fase de ajustes técnicos/legais. Em seguida deverá ser encaminhado para o Conselho Estadual de Proteção Ambiental (CEPRAM) e para o Gabinete Civil para que possa então ser feita a criação da legislação no âmbito estadual.



É ressaltado na minuta a extrema importância e necessidade da concretização dessa legislação. No documento o IMA se compromete a realizar o mais breve possível as atribuições necessárias, observando os preceitos legais, técnicos e ambientais.
 
por Agência Alagoas