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sábado, 22 de setembro de 2018

União dos Palmares... Noite


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sábado, 15 de setembro de 2018

Poema: Tempos Que Se Passaram

Tempos que se passaram

Tempos que se passaram 
Coisas que conheci
Espaço novos encontrei
Nas terras onde nasci
Há uma beleza natural
Tudo como eu bem quis.

Rocha Cavalcante
Um pequeno povoado
Onde tinha ferrovia
O trem andava lotado
E hoje não existe mais
Se tornaram contos passados.

Trem movido à lenha
Família ali viajava
Destino a outros lugares
Em busca de uma jornada
Passava ao lado dos riachos
Onde pesca era realizada. 

Saindo de Rocha Cavalcante
Passava União, Murici e Branquinha
E demais regiões 
Super lotada ficava
Assim era a lotação.

Hoje não existe trem
Temos várias opções
É carro e moto, União
Encontramos de montão
Isso tudo facilita
Tudo rápido então.

Andressa Illana Santos Pimentel 
Isaías Barbosa Rodrigues
Jaires de Moura Ferreira da Silva
Maria Laíse da Silva

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Está faltando um zero #EuSouProfessor/a


Ultimamente, em três ocasiões e por autores diferentes, artigos sobre o exercício da profissão de professor do primeiro grau levaram ao grande público a situação em que se encontra o ensino primário no Brasil. Confiado em estatísticas, alguém escrevia, ninguém quer mais ser professor. 

Outro confirmava a tristeza vergonhosa dos ínfimos salários oferecidos aos profissionais da carreira. A terceira matéria era uma espécie de relatório-chamada a técnicos diversos: os salários correspondentes, eram, pelo menos, cinco vezes mais do que recebe o professor do ensino primário, na maioria das cidades do Brasil. Que não ganha o bastante pra, nem digo em comprar livros, ir a um bom teatro, mas pra garantir à família o mínimo necessário pra viver, e que ninguém diga que cerca de dois mil reais mensais bastam pra gerenciar, de modo decente, os gastos com a vida. 

No século 19,  ser “marido de professora” garantia respeito e mais: quando o salário da mulher era recebido pelo homem. No século 20 um poeta cantava: “Antigamente a escola era risonha e franca.” Para a menina observadora que eu era, e mesmo descontando a imaginação infantil, minhas professoras no Grupo Escolar Clovis Bevilacqua eram, o leitor vai rir, lindas, elegantes, perfumadas. E de fato o eram. Naquele tempo havia a moda de saia plissada, blusas de labirinto, saltos altos, como os trazia dona Ana, dona Ester. E pasmem, havia um cheiro de perfume francês no ar, não estou mentindo. Lembro essas coisas, finalmente desimportantes, aceitando que os tempos mudaram, que uma calça jeans é tão válida vestimenta como outra qualquer, etc, etc. 

Nesses últimos anos tenho sido convidada e conversar sobre literatura, sobre poesia e romance, a muitos grupos de professores sobretudo da Rede. E é uma alegria verificar o interesse, o esforço, a seriedade com que assumem a profissão, o ótimo desempenho em aula, que aliás nossos governantes vez em quando reconhecem. 

Há alguns anos, em colóquio sobre ensino e situação dos mestres, que ganhavam um salário mínimo por 40 horas semanais, discutiu-se a situação. salário que antes e hoje, pra qualquer trabalhador, é uma tristeza, e por que não o dizer, uma vergonha para o país rico que somos. Pois bem. 

Uma amiga lembrou um antigo samba que dizia: “Tá faltando um zero no meu ordenado / tá faltando sola no meu sapato.” Essa amiga acrescentou, dirigindo-se a um... digamos político, que cantava os bons resultados do ensino primário em nosso estado: “Senhor... fulano (omito nome e cargo, evidentemente), quando os professores receberem oito mil reais em vez dos oitocentos que recebem atualmente, a gente conversa.” Claro que houve um silêncio geral e no coquetel que acompanhou a reunião, o tal comentou com minha amiga: “A senhora exagerou”.