
Eu não desisto. Tento levar a
vida com suavidade: esse é o meu lema de uns tempos para cá, pois com a ataxia,
vivemos numa montanha russa: um dia e mais fácil outro mais difícil. Só que no
meio deles tem sempre alguma perda.
Avalio que a vida é assim para a maioria das pessoas; não está fácil para a
maioria e a gente não pode ter tudo o que quer. Agradeço a Deus todos os dias
pelas amizades que fiz ao longo da vida e é esse detalhe mais que importante,
que tem feito meus dias melhores.
Tenho tido dias de dores, incômodos, mas também de afeto e solidariedade. Nos
últimos tempos tem sido assim: de encontros, palavras suaves, solidariedade e
muito afeto. As ações que estão sendo feitas por todos no sentido de que eu
tenha melhor qualidade de vida, são demostrações de muito acolhimento e
carinho.
Atitudes de pessoas que eu nem conhecia pessoalmente, mas que têm feito a
diferença em minha vida. Por incrível que pareça, passei a adotar
comportamentos mais positivos, pois da mesma forma que sempre fui muito
persistente, eu não desisto fácil dos meus objetivos.
Participo de vários grupos de pessoas que têm o mesmo problema que o meu,
muitos dos quais já estão muito fragilizados. Aproveito para ter o máximo
de informações do que possa vir a ter mais tarde, se os sintomas virem a se
agravarem.
Peço a Deus a cada dia para que retarde isso em mim e que quando eu tiver que
partir para outro plano, se eu merecer, que seja de uma forma mais amena,
diferente dos meus que já se foram.
Alguns amigos me aconselham a deixar de seguir esses grupos para não ficar
impressionada com a Doença de Machado Joseph, mas eu sou muito consciente do
que posso vir a sentir, pois tenho experiência de vida do que seja, pelo fato
de vivenciar tantos casos na família.
O fato é que vou lutar sempre para ter qualidade de vida e dias de ocaso
melhores. Tem horas que é difícil, mas tento não pensar em como vai ser daqui
por diante e viver um dia de cada vez.
O momento agora é de curtir e aproveitar o que a vida ainda tem para me
oferecer, sem me importar com o que possa acontecer nos próximos anos. Não
tenho o direito de ficar remoendo negatividade.
Eu tenho uma vida ainda para viver e desfrutar de momentos importantes e
felizes e quero vivê-los todos: ler, ter meus bebês de quatro patas por perto,
boas risadas com os amigos, lembrar das traquinagens boas que participei com
eles, passear. ir ao cinema, curtir os sobrinhos-netos e ser melhor a cada dia.
Procuro não deixar para eles um legado ruim e sim boas lembranças do que fui e
do que ainda me resta. Sabe Diário, dizer aos amigos que vivam, que aproveitem
e que não se importem com quem leva a vida querendo nos derrubar.
Boa dia.