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terça-feira, 21 de março de 2017

Semana da Água em União dos Palmares

"Eu não tenho dinheiro mas tenho paz na família" Demar cabeleireiro

 


Com trinta anos de profissão, o cabeleireiro Demar começou o ofício em São Paulo onde morou por 10 anos e na volta para sua terra natal União dos Palmares decidiu colocar seu próprio salão de cabelos e hoje se dá ao luxo de ter sua clientela fiel.

"Na minha profissão quando um cliente decide procurar outro profissional a gente termina ganhando já que recebemos outros novatos, eu conto assim 80% são fieis e 20% que preferem ficar 'girando' conhecendo outros cabeleireiros". diz.

Segundo Demar "Eu procuro trabalhar bem e fazer o melhor para meus clientes, muitos ligam ou deixam recados escolhendo a melhor hora para cortar o cabelo e isso pode ser na semana ou final de semana". Para ele os frequentadores de salões de beleza são exigentes desde a época do surgimento da profissão.

O profissional não está feliz apenas com o rumo da sua profissão, no bate papo para o blog ele disse "Tenho seis filhos e tenho muito orgulho deles, tenho prazer em ver suas realizações vendo que eles estão tomando um rumo nos estudos, dois estão no curso de Advocacia, uma estudando para o curso de Serviço Social e outros no ensino fundamental, sem fala em meu neto Antony de 4 anos".  

Falando em filhos, Demar ficou emocionado em falar do filho Ataliba Bernardo que hoje está com 31 anos e foi diagnosticado na infância com QI Baixo "Ele é um adulto especial e quando criança eu e sua mãe Loura não tivemos dificuldade em educa-lo, mesmo numa época de poucas informações. Na verdade tanto ele como eu somos especiais, porque ele não vive sem mim e eu não vivo sem ele".

Demar diz que mantêm uma relação boa com a família em geral "Vivo bem com minha esposa e tenho uma relação boa com minha ex-esposa Loura", ao tempo que diz "Eu não tenho dinheiro, mas tenho uma família boa e estruturada, por isso eu não mim abalo com nada".

Com 56 anos (completa dia 15 de abril), o São Paulino diz que não pensa na terceira idade "É claro que com o avanço da idade as pessoas se preocupam com as doenças e eu também, mas a boa notícia é que podemos viver melhor do que os idosos de 20 ou 10 anos atrás". 

Finalizando a conversa o cabeleireiro afirma "Amo o Padre Cícero, mas preciso mim organizar para conhecer a cidade do Juazeiro, no Estado do Ceará, já que trabalho de domingo a domingo e ainda não pude visitar a cidade". Mas Demar não se considera católico "Onde tem uma casa de DEUS eu entro e faço minhas orações".

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Dia Internacional da Síndrome de Down



Fotos da arquitetura de União dos Palmares

domingo, 19 de março de 2017

"Igreja Evangélica se Acha a Dona da Verdade Absoluta..." Pai SérgioTatá D'Odé




Marcelo: Qual seu nome completo?
 
Pai Sérgio: José Sérgio Pontes de Oliveira.

Marcelo: Como você prefere ser chamado?

Pai Sérgio: Pai Sérgio.

Marcelo: A sua família é natural de União dos Palmares?

Pai Sérgio: Sim.

Marcelo: Como foi sua criação, seus pais eram rígidos?

Pai Sérgio: Muito rígidos a ponto de eu ser junto com meus irmãos, educados a base de porrada.

Marcelo: Qual a religião em que você foi criado?

Pai Sérgio: Religião católica, fiz parte do grupo de jovens ligados a igreja.

Marcelo: Em que momento sentiu a necessidade de frequentar uma religião de Matriz Africana?

Pai Sérgio: No momento que aflorou com mais intensidade, a mediunidade vinda comigo ao nascer.

Marcelo: Por que ainda hoje a sociedade critica quem é adepto da religião africana?

Pai Sérgio: Por desconhecimento total dos nossos fundamentos e atos de fé.

Marcelo: Você e sua família já sofreram algum tipo de preconceito por causa da sua religião?

Pai Sérgio: Minha família não, mas é já sofri e ainda sofro algum tipo de intolerância por alguns elementos leigos aos nossos fundamentos, mas, para isso estamos trabalhando com afinco para podermos melhorarmos as nossas relações com a sociedade como um todo.

Marcelo: Quem é mais preconceituoso o católico ou o evangélico?

Pai Sérgio: Para nós não existem uma medição de intolerância tanto por um como pelo outro segmento religioso, mas, a igreja evangélica se acha a dona da verdade absoluta.

Marcelo: Qual a sua avaliação da Missa em Ação de Graças que aconteceu na Matriz de Santa Maria Madalena?

Pai Sérgio: Foi muito boa, apesar de ainda haver uma timidez da nossa religião em encarar este momento ímpar e integrar-se mais a este ato de fé e inclusão.

Marcelo: Porque o Senhor não subiu a Serra da Barriga?

Pai Sérgio: Pelo fato vergonhoso de os gestores municipais, ou seja, a secretaria de turismo e da cultura, não nos ter prestigiado quando da realização do encontro de religiosos de matriz africana, no dia 15/11/2010, no auditório da Prefeitura Municipal, deixando-nos a própria sorte, sem ao menos nos ter prestado solidariedade na execução do aludido evento, vistos que apenas, fomos colaborar com a festa dos citados gestores, isto foi um grande desserviço a todos os Pais e Mães de Santo deste município. Por isso e outras coisas é que boicotamos a nossa presença na Serra da Barriga no dia 20/11/2010.

Marcelo: Como é sua relação com os gestores públicos de União dos Palmares?

Pai Sérgio: De cordialidade, só isso, não temos nenhuma ligação mais profunda.

Marcelo: Como o senhor analisa a questão do negro em União dos Palmares?

Pai Sérgio: É muito complexa esta análise em algumas linhas, mas, vejo o negro/negra de União dos Palmares em especial, muito escondidos, com vergonha de mostrar os seus rostos, que por sinal, não desmerecendo as outras raças, são muito bonitos e além do mais, sem participar ativamente de tudo que se relaciona a eles e aos nossos ancestrais. Talvez sintam vergonha da sua cor.

Marcelo: Em sua opinião o turismo cultural algum dia vai funcionar nessa cidade?

Pai Sérgio: Vai sim, desde que tenhamos um gestor que entendas e faça turismo da sua terra natal, ou seja, de Terra da Liberdade Negra. Que seja uma pessoa ligada aos movimentos negros e a todos os seus segmentos, além do pessoal do axé.

Marcelo: O senhor é funcionário público há quanto tempo?

Pai Sérgio: Há 32 anos.

Marcelo: Por que muitos funcionários públicos oferecem serviços ruins à sociedade?

Pai Sérgio: Por falta de gerencia severa a eles e aos serviços oferecidos à sociedade.

Marcelo: Será que muitos se protegem pelo fato de serem concursados?

Pai Sérgio: Não vejo por esse ângulo, mais sim, pela falta de compromisso de gerencia e de vestir a camisa do funcionalismo público, pois não há uma política voltada ao mesmo, como por exemplo: "meritocracia", visto no mundo empresarial como um método perfeito para se oferecer um bom serviço a comunidade a quem servimos, pelo fato de valorizar aquele servidor que mais se destaca na prestação de serviço e etc...

Marcelo: Você está casado há quanto tempo, já tem filhos?

Pai Sérgio: Estou casado há exatamente 04 (quatro) anos. Não tenho filhos neste casamento.

Marcelo: Qual sua mensagem de final de ano para os palmarinos?

Pai Sérgio: “Existem dois objetivos na vida: o primeiro, o de obter o que desejamos; o segundo, o de desfrutá-lo. Apenas os homens mais sábios realizam o segundo”.

Espero que o palmarino que realmente dar valor a sua terra natal e que valoriza a prata da casa, saiba distinguir o joio do trigo e fazer com que "esses gestores" descompromissados com as coisas da nossa terra, sejam defenestrados do nosso convívio, pois são elementos nocivos ao desenvolvimento cultural e turístico da nossa gloriosa União dos Palmares. Feliz Natal e que o Ano novo que se avista, seja de reflexão acerca dessas barbaridades de que só quem tem valor nesta terra, são as pessoas que vem de fora.

Um forte abraço,
Pai Sérgio Tatá D'Odé

Templo Espírita Òrun Àyié D'Odé