Pages

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sou alvo de bullying

Foi com mágoa que ouvi há dias uma colega afirmar: sou alvo de bullying

Eu, que já me queixei muitas vezes de situações vividas na escola, dentro e fora da sala de aula, que já sofri e chorei à porta fechada perante a minha incapacidade de lidar com determinados comportamentos dos alunos, fiquei primeiro perplexa e depois furiosa. Sim, foi um desabafo mais do que um pedido de ajuda. Foi a constatação de um sistema que nos deixa sós e desamparados. 

Foi também conhecer a crua verdade de que algumas hierarquias não sabem como lidar com este problema que vai muito para além do aluno e entra pela sua própria casa, sentando-se à mesa com a sua família quantas vezes disfuncional e desestruturada. Sim, há (e são mais do que imaginamos) professores alvo de bullying nas escolas deste país. Conheço alguns!

Habitualmente, quando ouvimos falar de bullying associamos esta prática de alunos para alunos. Porém, alguns professores vivem quotidianamente situações de sofrimento, de angústia, de desespero. E há aqueles que não aguentando a humilhação, procuram ajuda e, por vezes, a baixa médica. Não os critico. 

É preciso ser muito forte para ser alvo de gozo e não conseguir defender-se. É preciso coragem para ouvir ofensas e palavrões a torto e a direito, dentro e fora da sala, sem nada poder fazer. É preciso ter uma enorme integridade para, dia após dia, continuar a tentar limar arestas que pelas suas deformidades, não podem ser limadas. E é necessário, sobretudo, muita resiliência para, perante atos intencionais e repetidos de violência psicológica que me foram narrados por uma colega, não desistir. Em muitas salas de aula, vivem-se situações de bullying a professores, causadas por indivíduos ou grupos de indivíduos que causam dor e angústia e podem levar è depressão profunda, mesmo ao burnout. Fale com um médico e pergunte-lhe qual é uma das classes profissionais com maior taxa de depressão em Portugal... 

O mais caricato de tudo isto é que esta situação surge numa relação desequilibrada de poder entre quem agride e é agredido. Esta desigualdade de poder é claramente verificada entre um docente e trinta alunos repetentes, com perfil de agressividade, muitas vezes já previamente identificados pela CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens). 

Neste caso, visto que quem agride está em maior número e é mais forte do que a vítima, estamos ou não perante um caso de bullying? Deveria ser o professor a ter poder sobre os alunos mas em muitos casos ocorre o inverso. Ou porque o professor está fragilizado e doente ou possui traços que o transformam num alvo a atingir pelos alunos que, como sabemos, respeitam cada vez menos os professores em geral, quanto mais um professor fragilizado. 

A vítima tem alguma característica física que a torna “diferente” dos outros aos olhos dos alunos; o/a professor/a alvo de bullying poderá até ter sardas, usar óculos, ser gorducho/a; porém, o bullying de que é alvo surge associado a fatores de outra natureza: pode dever-se às dificuldades dos alunos na sua disciplina; ao desejo de “boicotar” determinadas aulas; à menor capacidade de interação do docente com os alunos; ou a questões mais profundas de autoestima, de autoridade ou mesmo de motivação. Estes são ingredientes por vezes suficientes para que os comportamentos dos agressores sejam propositados, com o objetivo de assustar, magoar ou mesmo intimidar a vítima.

Assim, algumas salas de aula transformam-se em cenários de insultos e assistimos a docentes que são alvo de campanhas vexatórias e constrangedoras do seu bom equilíbrio emocional, levadas a cabo de forma planeada. Estamos perante casos em que os alunos conseguem delinear previamente estratégias para atingir o professor, prejudicar a aula, evitar o seu bom funcionamento, chegando mesmo a que o professor seja obrigado a ausentar-se.

Tudo seria relativamente fácil de solucionar se a escola pública, especialmente aquelas escolas integradas em territórios educativos de intervenção prioritária, conseguissem ter estratégias para resolver este e outros flagelos que a vão minando diariamente. Punir não chega nem resolve o problema. A punição, quando acontece, não se revela eficaz. Tanto os alunos em questão como os seus encarregados de (des)educação não a entendem. 

Resta ao professor alvo de bullying encontrar forças em si próprio, na sua família e amigos para regressar ao campo de batalha na manhã seguinte. Porque a escola não o salva desta guerra.


Carmo Machado

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. 

Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. 

Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

terça-feira, 8 de maio de 2018

Com o fecFechamento do lixão, Prefeitura de União terá avanços ambientais e econômicos

O fim do lixão ocorre na quinta-feira (10) e vai contribuir para a defesa do meio ambiente, a melhora na saúde pública do município e ainda proporcionar novas alternativas de fonte de renda para os catadores. 
 
Na quinta-feira (10/05), a Prefeitura de União dos Palmares vai realizar o fechamento do lixão do município, seguindo os conformes do Ministério Público para a fase final do processo para que Alagoas se molde à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). De acordo com o prefeito Areski Freitas (Kil), essa atitude das prefeituras é uma verdadeira mudança de paradigmas, dando à sociedade novos rumos de sustentabilidade e defesa ao meio ambiente e garantindo a saúde das suas populações.
 
“Sabemos bem de todos os malefícios que os lixões a céu aberto podem trazer tanto para a saúde quanto para o meio ambiente através da contaminação do solo e da água, que ocasiona várias doenças”, explica Kil. Com o encerramento das atividades, União vai ser comprometer a recuperar as áreas degradadas e viabilizar a criação de cooperativas recicláveis para alcançar as pessoas que trabalhavam nos antigos lixões.
 
Maior renda para os catadores
 
O sistema de cooperativa de reciclagem, inclusive, já mudou a vida de catadores de todo o país. Além de proporcionar maior segurança na garantia de suas rendas, já que os catadores não vão mais trabalhar de forma individual, as estimativas de aumento de lucro para estes trabalhadores podem chegar em até aproximadamente 300% a mais. Além da importância do processo de reciclagem para o meio ambiente.
 
Nova destinação
 
Agora o lixo terá destinação final para o aterro sanitário do município de Pilar, a obra, que é de enorme relevância ambiental, pois vai garantir minimização das emissões dos gases de efeito estufa, que é de grande prejuízo para o meio ambiente e qualidade de vida da população.
 
Fonte: Cada Minuto

segunda-feira, 7 de maio de 2018

“Encaro cada dia como mais uma oportunidade de aprender alguma coisa”

Helena Pereira é directora do Agrupamento de Escolas da Castanheira do Ribatejo.

Helena Pereira é, desde Junho do ano passado, a nova directora do Agrupamento de Escolas da Castanheira do Ribatejo, no concelho de Vila Franca de Xira. O cargo interrompe temporariamente a sua função habitual de dar aulas de Matemática e Ciências. Os poucos tempos livres fora do trabalho gosta de passá-los com a filha. Elogia, de um modo geral, os pais dos alunos do Agrupamento.
Desde pequena que queria ser professora. Fui amadurecendo essa vontade e concretizei-a. Comecei por dar aulas de Matemática e Ciências. Gosto de estar numa sala de aulas com alunos. De poder ajudá-los e de poder ver a sua evolução. Para mim que sempre gostei de matemática é compensador ouvir algum aluno dizer que graças a mim passou a gostar daquela disciplina. 

Sou do concelho de Azambuja e de uma terra lindíssima chamada Vale do Paraíso. Consigo dormir bem porque separo o trabalho do resto da minha vida. Uma noite de sono bem passada é um dos meus factores de equilíbrio. O meu cargo é de responsabilidade mas tenho o apoio de um bom grupo de professores e funcionários.


A minha filha de sete anos merece que eu tenha tempos livres. São poucos mas tento tê-los. Gosto que o pouco tempo que passamos juntas seja de qualidade. Andar de bicicleta, passear, apanhar sol ou ir ao cinema são actividades que fazemos em conjunto. Quero que ela sinta que tem a mãe presente.


Encaro cada dia como uma oportunidade para aprender mais qualquer coisa. No meu cargo todos os dias aprendo coisas novas. Todos os dias existe legislação nova e documentação diferente a preencher. Uma coisa é conhecer o agrupamento como professora e outra é conhecer todas as dinâmicas inerentes ao cargo de directora.


Temos tido uma excelente relação com a associação de pais. Eles são excelentes parceiros. Chamar os pais e os alunos à escola é muito importante. Os alunos gostam de cá estar e os pais a pouco e pouco estão também a vir.
Sou contra o ranking das escolas. Não se podem comparar realidades diferentes. Tenho alunos para quem chegar aos quarenta por cento num exame nacional de Matemática é um feito extraordinário. Basta ter em conta as dificuldades que ele tinha inicialmente na disciplina. 


Tenho sido sempre professora. Dou aulas desde 1998 e desde 2002 que estou colocada aqui na Castanheira. Neste último ano decidi abraçar o desafio de ser directora e estou a gostar da experiência. A escola do 2º e 3º ciclo da Castanheira tem 24 turmas e um total de quase 500 alunos. O agrupamento na globalidade tem mais de 900 alunos. 


O professor de hoje não é igual ao de antigamente. Sentimos que os nossos alunos precisam de nós como referências. E às vezes também como confidentes de algumas situações. O papel do professor ultrapassa muitas coisas mas não deixa de ser importante sabermos que eles contam connosco e que estamos lá para eles.


Quero dar a conhecer o agrupamento à comunidade. Se nos fecharmos muito acabamos por ficar num nicho que não é muito favorável para os nossos alunos. Queremos que isso traga um benefício positivo para os nossos alunos. Quero que o meu mandato seja um que torne as aprendizagens dos meus alunos significativas.

FONTE: O Mirante

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Poesia: De Lá Pra Cá, Dentro

Elizangela, Daiane e Jeciane 

DE LÁ PRA CÁ, DENTRO

O Brasil é muito grande
Muito lindo de se ver
Passagem é que não falta
Para encontrar com você.

O Estado de Alagoas
Tem muito pra te oferecer
Aquele que tem vontade
Venha logo conhecer.

Aqui é muito divertido
Tem música e festa
Até o outro dia
Para você se divertir.

Em União dos Palmares
É muito bom pra se viver
Tem muita gente animada
Para nós conhecer.

O colégio Antonio Gomes 
É muito bom para ensinar
Venha logo conhecer 
Para você estudar e se desenrolar:
na arte, na música e na expressão do olhar

Daiane Rodrigues da Conceição
Elizangela de Omena Zacarias
Jeciane Barbosa de Lima

domingo, 29 de abril de 2018

Poema: 'Selvagem: Foi assim, que Nasci', de Carlos Leopoldino



Poema 'Selvagem: Foi Assim, Que Nasci', da coletânea de poemas Nação Afro-Palmarina, de Carlos Leopoldino. Traz um olhar descritivo-vislumbrante de pertencimento e exaltação, orgulho e sentimento, à essência indígena que percorre o sangue dos afro-palmarinos.    

SELVAGEM: FOI ASSIM, QUE NASCI

Tudo era selvagem por aqui:
De Jaguaribe, de Pindoba a Taquari
Onde os primitivos como as ibirás (árvores)
Enraizavam-se em puros matagais;
Ixé yaiúriã, beheig suí:
De Jaguaribe, de Pindoba a Taquari,
Onde os primitivos como as ibirás
Enraizavam-se em puros matagais; 
Foi assim, que nasci,
Do tapuia ao tupi-guarani,
Em ocas de tribos por esta região,
Que expresso em plena canção; 
Sou aratu, das serras e do Mundaú,
De cores da fauna, da flora e das correntezas,
Filho de Tupã,
Por crenças sagradas voltadas à mãe-natureza; 
Tudo era tão livre por aqui:
Do índio nu ao Vale Mundaú,
De línguas vivas e gerações mestiças,
Que expressavam o sentido da vida; 
Foi assim, que nasci,
Do tapuia ao tupi-guarani,
Em ocas de tribos por esta região,
Que expresso em plena canção; 
Sou aratu, das serras e do Mondaú
De cores da fauna, da flora e das correntezas,
Filho de Tupã,
Por crenças sagradas voltadas à mãe-natureza; 
Tudo era singelo por aqui:
De palmeiras à ave beija-flor,
Que suvemente ousava voar alto,
Expressando a força deste amor; 
De Palmares ao tropical:
De orgulho surreal.

Estudantes resgatam memórias da mais antiga escola de União dos Palmares

 Comemorações na Escola Estadual Rocha Cavalcanti se encerram neste sábado com um baile

Uma semana de celebração à pioneira da Educação em União dos Palmares. Assim pode ser definida a festa dos 90 anos da Escola Estadual Rocha Cavalcanti, a mais antiga instituição de ensino do município do Vale do Mundaú.

A unidade de ensino - que formou muitos professores e professoras do antigo magistério (curso normal) e hoje oferta o ensino médio integrado aos cursos de ludoteca e secretário escolar - conta atualmente com 550 alunos. Conhecida pelo ensino de qualidade, a escola já formou muitos filhos ilustres de União dos Palmares.

E foi neste clima de celebração que os alunos da instituição promoveram uma Mostra Cultural contando a história da instituição. Devidamente caracterizados como estudantes da década de 30, os alunos da 2a série protagonizaram uma peça contando a história da  escola de 1928 até os dias atuais.

“Nesta peça quisemos contar a história de União, de Alagoas, do Brasil e do mundo neste período de tempo, encenando como seria uma aula na Rocha Cavalcanti daquela época”, conta a professora Luana Tavares, que auxiliou na encenação da peça. A estudante Edineide Lino participou da peça e fala que, para reproduzir as vestimentas dos alunos daquela época, foi necessário muita pesquisa. “Buscamos fotos antigas e vasculhamos os arquivos de nossos avós”, relata a garota.

Também chamou atenção a maquete da escola feita com palitos de picolé, papelão e isopor feita pelos alunos da 3a série do ensino médio. “É uma réplica do que era a escola na década de 90. Foram duas semanas de trabalho”, conta a estudante Ana Beatriz da Silva.

Uma segunda casa – Tanto alunos como professores enxergam na escola o seu segundo lar. “Aqui é como uma família, todos se respeitam e cuidam um do outro. Além disso, temos muitos projetos bons”, enumera Eduardo Torres, aluno da 2a série. “Sempre quis estudar aqui, inclusive tenho uma tia que cursou o magistério aqui”, complementa sua colega Cristiane da Silva.
 
Emanuel Lourenço, da 3ª série, diz que a escola ajudou no seu amadurecimento pessoal. “Aqui vivenciamos muitas experiências que nos fazem melhorar como pessoa e estudante. E temos total apoio da equipe gestora que nos faz descobrir talentos que nem imaginávamos ter”, destaca o jovem.

Para o professor de Língua Portuguesa Gilmar Oliveira, a instituição traz em si uma combinação perfeita. “Temos ensino de qualidade, beleza arquitetônica e uma comunidade unida, onde gestão, servidores, pais e alunos atuam de forma integrada”, frisa o educador.

Muito a comemorar – A diretora-geral Sandra Vitorino conta que os preparativos para a festa começaram a partir de um planejamento feito em parceria com a professora Karina Thais e que logo foi abraçado e desenvolvido por toda a comunidade. Ela elogiou a qualidade dos trabalhos apresentados durante a semana de celebrações e diz que a escola tem muito a comemorar nos seus 90 anos.

“Estamos entre as escolas estaduais com maior número de estudantes inseridos no ensino superior em Alagoas, com mais de 60 alunos aprovados na Ufal, Uncisal, Uneal e outras faculdades. Além disso, obtivemos excelentes resultados no Programa Escola 10 graças ao monitoramento sistemático e laboratórios de aprendizagem”, aponta a gestora.

Roseane Vasconcelos, titular da 7ª Gerência Regional de Educação (Gere), diz que a escola é um ícone de União dos Palmares. “Aqui estudaram nossos pais, nossos avós. Ela sempre foi referência em qualidade e acolhimento e, 90 anos depois, mantém esse mesmo padrão”, afirmou.

As comemorações dos 90 anos da Escola Rocha Cavalcanti se encerram neste sábado com um baile no Parque Vergetão a partir das 22h.

Fonte: Agência Alagoas
Texto de Ana Paula Lins

Base para uma escola sem base

ABNCC (Base Nacional Comum Curricular) que se tornou lei em dezembro de 2017 tem como principal papel, definir as aprendizagens mínimas e progressivas que todos os estudantes de todas as escolas do Brasil (públicas e particulares) devem aprender em cada ano e em cada área de estudo. Ela não é novidade. Esse documento já estava previsto na Constituição Federal desde a década de oitenta. A BNCC enquanto uma lei, regula, padroniza, mas também provoca, desestabiliza, instiga a escola e, em especial, os professores a mudarem sua forma de ensinar. 

A Base Nacional já chegou em meio a críticas e resistências. As principais ocorrem porque a BNCC reduziu o ciclo de alfabetização de 3 para dois anos, não consolidou as questões de gênero como conteúdo obrigatório e instituiu o Ensino Religioso como área de conhecimento de oferta obrigatória nas escolas públicas. É fato que não podemos nos calar diante dessas questões, porém, na minha opinião, a questão mais séria diz respeito às práticas docentes.

O maior foco deve ser a formação continuada dos professores que estão nas salas de aula, pois a efetividade da BNCC repousa numa prática docente dinâmica que atribua ao aluno papel crescentemente ativo no ato de aprender. Aprendemos a dar aulas com os professores que tivemos, logo, somos o retrato de um modelo cristalizado de ensino. Professor fala, aluno ouve, de preferência em fileiras de carteiras retilíneas que nos permitam ver uma só cabeça (cabendo aí, no mínimo, duas interpretações). Romper com esse modelo requer treinamento, apoio técnico, infraestrutura material e, acima de tudo, motivação e crença de que é possível.

 Para que a Base faça diferença na Educação nacional, ela terá que ser vista muito mais pelo seu lado de oportunidade do que por sua dimensão legal. A história mostra que nunca conseguimos mudanças efetivas na Educação somente a partir de leis e decretos. Para promover mudanças, a legislação precisa ser legitimada e isso somente ocorre quando as mudanças instituídas encontram eco na crença dos professores, que por sua vez só acreditam quando se sentem seguros e enxergam a coerência do processo. Os Estados e Municípios terão que receber suporte financeiro para investir na formação docente e para garantir uma política salarial que restaure a dignidade social do professor. Sem isso, será apenas Base para uma escola sem base.