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quarta-feira, 11 de maio de 2016

União dos Palmares receberá o espetáculo 'Narrativas em Movimento' versão modernizada do circo

 Resultado do programa Rumos foi divulgado nesta segunda-feira; projetos alagoanos vão rodar com caravana circense e mostrar história quilombola

Alagoas teve dois projetos contemplados na 17ª edição do programa Rumos, realizado pelo Itaú Cultural. 'Furnas dos Negros', média-metragem de Wladymir Franklyn, e a intervenção 'Narrativas em Movimento', da Núcleo Zero, estão entre os selecionados da iniciativa, que divulgou o resultado em uma coletiva de imprensa em São Paulo nesta segunda-feira (9).

'Furnas' pretende contar a história da comunidade quilombola de Tabacaria, em Palmeira dos Índios, a primeira e única do País a ter recebido a titulação de terras. Símbolo de resistência, o local possui quatro pontos sagrados de culto, que agora serão mostrados pela primeira vez em um trabalho de audiovisual. 
 
Já Narrativas em Movimento vai levar caravanas circenses a seis cidades de Alagoas. Penedo, Marechal Deodoro, Piranhas, Água Branca, União dos Palmares (Serra da Barriga) e Porto Calvo serão as contempladas com a ação, que vai mostrar uma versão modernizada do circo, com tecnologias como holografia e projeção mapeada.
 
Ao todo, 117 projetos foram selecionados no edital, que terá um investimento de R$ 15,5 milhões. Este ano, foram 12 mil inscritos, sendo 79 de Alagoas. Os 500 finalistas foram lidos, cada um, pelos 26 membros da Comissão de Seleção, composta por 30 avaliadores das mais diversas áreas de atuação e regiões do País.
 
"A cada ano, o Rumos se renova com as provocações trazidas pelos inscritos, que estão sempre propondo novos olhares e novas propostas", apontou o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, acrescentando que a ideia do programa é propor uma parceria com os vencedores.
 
Desde 2013, o Rumos passou a ser um modelo aberto de edital, englobando todas as áreas de expressão e iniciativas híbridas e com a promessa de oferecer mais liberdade para que artistas, produtores e pesquisadores possam definir as regras de produção e apresentação de suas obras.
 
As propostas foram separadas em três campos: criação e desenvolvimento (concepção e/ou desenvolvimento de projetos artístico-culturais), documentação (organização e preservação de acervos relacionados à arte e à cultura brasileiras) e pesquisa (desenvolvimento de pesquisas em arte e cultura brasileiras).

Membro da comissão de seleção, a atriz produtora e contadora de histórias Karla Martins, do Acre, se disse surpresa com a qualidade do que foi apresentado. "Fiquei impressionada com a qualidade e a dinâmica. O processo cultural do País passou a refletir o pensamento político. Vimos muito a questão racial, LGBT e indígena se mostrar com intensidade, quase como um pensamento sociocultural".

Fonte: Gazeta Web

terça-feira, 10 de maio de 2016

Serra da Barriga é candidata a Patrimônio Cultural do MERCOSUL


Local marcado pela construção do Quilombo dos Macacos, sede do Quilombo dos Palmares, a Serra da Barriga, em Alagoas, é aspirante a Patrimônio Cultural do MERCOSUL. A candidatura se insere na proposta La Geografía del Cimarronaje: Cumbes, Quilombos y Palenques del MERCOSUR, juntamente com Equador e Venezuela, que também apresentaram sítios de interesse para a valoração da contribuição africana no continente sul-americano. 

O dossiê da habilitação será avaliado no fim do segundo semestre de 2016, na próxima presidência pro tempore do MERCOSUL. 

A Serra da Barriga foi o local escolhido por negros, brancos e índios, entre os séculos XVII e XVIII, para a criação da República dos Palmares, no Quilombo dos Macacos, durante o período de lutas contra os holandeses e da economia canavieira. 

O governador eleito e vitalício, Zumbi, e seu comando superior residiam na capital, a Cidade Real dos Macacos, atual União dos Palmares. A população total chegou a 30.000 pessoas, agrupadas em povoados. Em torno de cada um deles existia uma área de agricultura e pecuária, onde todos trabalhavam. 

Não podendo lutar contra o Exército e suas armas bélicas, os quilombolas palmarinos foram exterminados em 14 de maio de 1697. Ainda se conservam, nas proximidades da Serra, as últimas pedras das trincheiras onde se abrigaram durante a luta.

Cartao Postal - Quilombo Dos Palmares

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Luto: Dragão

Dragão faleceu hoje 08, em Maceió.
Abaixo entrevista que o mesmo concedeu ao blog... 

Imagine um lugar que era ao mesmo tempo especial e assustador. Era assim que Antônio da Silva, mais conhecido como Dragão, via o Rio Mundaú. As águas serviam para o principal lazer das crianças das antigas ruas Demócrito Gracindo Rua da Ponte) e Jatobá, mas também tinha outras serventias, como lavar roupa, pratos, tomar banho, pescar para se alimentar e revender. Era assim nas décadas de 60 e 70, ano em que Dragão vivia junto com os colegas desbravando o rio. Porém esse mesmo rio destruía tudo que via pela frente. No inverno enquanto uns dormiam, outros vigiavam o aumento das águas. Dragão lembra que não foi só a enchente de junho de 2010 que destruiu a sua casa e dos demais moradores.

O gosto pela cultura herdou dos pais e tios, que já participavam de grupos como guerreiros, baianas e outros. Desde pequeno se apresentava com a família nas festas de União dos Palmares. O olhar atento de criança analisava a criação das roupas e a escolhas das músicas. O pai que veio do município de Atalaia era funcionário da fábrica de doces na Rua da Ponte, Dragão e os irmãos nasceram em União.


Aos 18 anos já participava dos festivais de calouros apresentado pelo comunicador Kleber Marques, daí veio o convite para integrar a Banda Açaí, que mais tarde teria outros nomes, como contágio e contágio tropical. Depois de 4 anos na banda foi morar em Arapiraca e ser um dos integrantes das bandas Alta Voltagem e Cio da Terra.


Em 1999 de volta a União decidiu trabalhar para si mesmo e criou a Banda Afro Nação Dandara. Começou a realizar estudos ligados a cultura negra, como a musicalidade, roupas, comidas e etc. Dragão disse que nessa época frequentava um centro espírita e resolveu conhecer a religião de matriz africana. Na nova religião o preconceito dos leigos não o incomodava, o compositor diz que muitos só querem enxergar o lado ruim da religião, para ele tem gente ruim em todas as igrejas.

 
Na Banda Afro Nação Dandara é ele quem compõe as músicas, desenha e costura as roupas de todos os componentes. Disse que lembra das criações que sua família e vizinhos faziam nos grupos folclóricos e que é daí também que vem a sua facilidade em realizar suas criações. Como a banda tem crianças, ele pede a autorização dos pais dos integrantes.


Morador do bairro Padre Donald e contratado da prefeitura há 10 anos o músico diz que está ansioso para ter sua casa no conjunto Nilton Pereira e que na comunidade quer fortalecer o bloco de carnaval Unidos da Ponte. Com o segundo grau completo, Dragão diz que é difícil fazer cultura, não só em União, mas no Brasil, segundo ele pela falta de apoio.

Homossexual assumido, o costureiro disse que conversou com os pais a respeito de sua sexualidade quando tinha 18 anos. Os pais na ocasião lhe disseram que apesar de tudo ele era seu filho e fizeram um pedido que ele não usasse vestido. Dragão diz que foi um dos primeiros homossexuais na cidade a usar brinco e roupas coladas, com isso sofreu preconceito, já com os amigos não teve problema, jogava bola, passeava e ia as festas como nos tempos que tomava banho no Rio Mundaú.


Luto: Dragrão

Música: Salve o herói Zumbi 
Composta por Dragão e Carlos Santos



Sou quilombola, sou da Serra da Barriga;
Sou lutador, sou guerreiro vencedor.

A minha luta é sofrida, e ela é vida;
E o meu povo clama pelo seu valor.

Salve o herói Zumbi!
Salve o herói Zumbi!

Salve o herói Zumbi!
Teu não se acabou!

Salve o herói Zumbi
Salve o herói Zumbi!

Salve o herói Zumbi!
Temos o sangue do negro,
do índio do branco.

ESSA É A NOSSA COR!

domingo, 8 de maio de 2016

Luto: Dragão

 Banda Afro Nação Dandara

“Eu não quero os melhores professores, quero os mais felizes” - Celmira Macedo

Com esta frase a filha de uma grande amiga minha arrumou-me a um canto de onde dificilmente sairei ilesa. Tem 9 anos e já percebeu o que muitos de nós levamos uma vida inteira para perceber: a importância de sermos felizes naquilo que fazemos.

Aqui a questão está contextualizada na classe docente. Quem serão os melhores professores? Serão esses os mais felizes? O que define um bom professor? Os doutorados, ou seja, os mais preparados científica e pedagogicamente? Os que passam o seu tempo a procurar e a otimizar recursos e estratégias, mesmo depois das aulas ou os que apenas seguem as orientações curriculares e os programas já definidos? Os que atribuem às suas próprias práticas o sucesso ou insucesso dos alunos ou os que acreditam que já fazem o suficiente? Os que se importam ou os outros?

Desengane-se quem equacionar que teço críticas à classe docente, pois eu também faço parte dela, contudo, não posso deixar de considerar tão profundo pensamento de uma criança sobre felicidade docente e a forma como é absorvida pelos seus alunos.

Mas como definimos nós as qualidades no “bom professor”? Todos sabemos que as representações sociais da classe docente atravessam o pior período de que temos memória, não sendo a minha tão curta, pois já lá vão 24 anos a percorrer escolas de norte a sul, num país tão incrivelmente homogêneo em cultura educativa. O que vi e vivi pode ser assustar, mas é de facto digno de alguma reflexão. Parece ter-se tornado moda atacar a classe docente: ou porque ganham bem (o que é penosamente falso) ou porque têm demasiadas férias (os índices de stress e burnout docente crescem a uma velocidade preocupante, mas não se para para percebe porquê, não é?!!!), ou porque não têm formação… na verdade há sempre um bom motivo, embora absurdo, mas é sempre um bom motivo para atira à frágil vidraça da atividade docente!

E como se não bastasse, ser professor, ser “bom professor” é uma sina bem maior: ou é porque é exigente; ou porque é demasiado dinâmico e pratica a gestão flexível do currículo (o que não pode acontecer, pois o programa está lá para ser dado, da mesma forma de há 30 anos a esta parte, como diria Formosinho – tipo “pronto a vestir de tamanho único”); ou porque é demasiado reflexivo (a vida é para ser vivida – sem stress – se os putos não aprendem, o problema é deles, certo?).

Por muito felizes que os professores possam querer ser no exercício das suas funções, não me parece que tenham um caminho fácil.

Atacados muitas vezes pelos próprios pares, os bons professores destacam-se contrariando a inércia pedagógica que por aí impera. Espicaçavam consciências, levam os alunos e as famílias a envolverem-se. Estragam a média. Como é possível que só naquela disciplina os alunos não faltem, os pais participem, os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) evoluam. São uma aberração! Uns freaks. Há que os combater.

Lembro um episódio em que uma “boa professora” (de Educação Especial) foi chamada à Direção da Escola, para receber (não, não um louvor,) uma reprimenda: “tinha de entender que as colegas não tinham a sua energia, nem a sua vida”. De facto, quem era esta docente para as incentivar a trabalhar com os alunos com NEE, era o que faltava! “Senhora professora tenha lá cuidado porque as suas colegas estão já à beira da reforma (pelo menos dali 10 anos) e querem uma vida calma e não uma pessoa na sala de aula a dar-lhes trabalho. Era o que faltava, entende?”.

Entendemos todos e muito bem! Tal como entendemos por que é que alguns professores preferem ser só felizes.

Ainda assim, dita-me a carolice que continue a acreditar que ser feliz na docência é vive-la com paixão e determinação, o que por si só transforma os professores, nos melhores professores e estes nos mais felizes.

Um forte abraço aos bons professores e que apesar de tudo isto continuem a ser muito felizes, pois só mostra que amam e dignificam a profissão que escolheram! O resto são peanuts.

Celmira Macedo, presidente da Associação Leque

sábado, 7 de maio de 2016

Escola Municipal Antonio Gomes faz homenagem ao Dia das Mães

 
 
O dia das Mães é uma das datas mais importantes do calendário brasileiro. Para o comércio, a data só perde em número de vendas para o natal. Dada à importância do evento, as escolas municipais de União dos Palmares convidaram as mães dos estudantes palmarinos para uma justa homenagem. 

A Escola Municipal Dr. Antônio Gomes de Barros, em Rocha Cavalcante, reuniu toda comunidade escolar para homenagear as mães dos alunos que compareceram ao evento. Na abertura a diretora geral Verônica Cândido destacou o empenho de todos os funcionários da escola por proporcionar uma festa tão especial. 

A quadra poliesportiva da instituição ficou lotada de mamães dos estudantes dos três horários da escola Antônio Gomes. Durante o momento foram feitas homenagens, brincadeiras, sorteios de presentes, distribuição de lanches e apresentações de músicas e encenação teatral de alguns alunos. 

A primeira dama do município Gilvani Pedrosa, com sua simplicidade, destacou a importância de uma matriarca na educação de uma família e parabenizou as mães presentes na festividade. O secretário de educação Bruno Praxedes ressaltou que “estamos nos esforçando para dar o melhor aos filhos de vocês, seja no mobiliário novo ou no pagamento em dia dos funcionários da SEMED".

Para o secretário, os esforços da prefeitura reflete no dia a dia dos estudantes palmarinos que podem contar com ótimos profissionais nas salas de aula, coordenação, direção e pessoal de apoio. 

Nas falas da vice diretora Rose Santos e das coordenadoras Cleonice da Silva e Sandra Vieira, palavras de incentivo às mães e responsáveis, elevando o autoestima delas e deixando claro o peso e importância delas na vida de cada filho. 

Durante o evento as conversas entre professores, alunos e mães foram animadas e deixou todos os convidado/as envolvido/as e felizes. A animação estava presente em cada rosto. 

Participaram do evento Júlio Paulino Neto secretário de Agricultura, o vereador Biu Crente, Ana Paula e visitantes da comunidade de Rocha Cavalcante.

Fotos: Rose Santos, Vanessa Cândido e Blog Jmarcelo Fotos