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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Fazenda Anhumas, em União dos Palmares, revive a história

Proprietários transformaram antigo engenho de açúcar em local de visitação.

 A fazenda Anhumas a dez quilômetros de União dos Palmares, de propriedade dos herdeiros de Benon Maia Gomes e sua esposa dona Helena Baía, localizada depois do povoado Muquém, ainda preserva histórias dos caminhos do açúcar e da colonização do país e do Estado. Atualmente, quem quiser conhecer o local agenda uma visita com a família, que trabalha com roteiros.

  Izabel Padilha Maia Gomes, neta dos antigos moradores e uma das herdeiras do patrimônio da família, recepcionou a equipe do Primeiro Momento e falou da história do antigo engenho Anhumas e a respeito do que a fazenda oferece hoje para os visitantes que se interessam um pela história de Alagoas.

Além do belo casarão -, que começou a ser edificado em 1883 e passou seis anos para ser construído -, a fazenda Anhumas tem como atrativo a história do engenho de cana-de-açúcar, uma pequena vila de moradores e verde por todos os lados, inclusive um pedaço de Mata Atlântica preservado até hoje. Pela beleza arquitetônica da casa grande da fazenda Anhumas, que tem uma arquitetura mais refinada, Izabel Maia Gomes avalia que pode ser comparada até com as casas de café do Rio e Sudeste.

 “A curiosidade da casa é que todas as janelas têm encaixes; são 156 portas, todas elas foram transportadas do Rio de Janeiro para o Porto de Maceió e de lá para cá em carros de boi. Imaginem a dificuldade. Foram seis engenheiros; os tijolos e as telhas foram feitos a mão, na olaria que foi feita exclusivamente para fazer os tijolos e as telhas da casa. Todas elas são originais; hoje em dia a olaria não existe mais e foi demolida”, pontua.

Izabel Maia Gomes mostra também o porão construído no alicerce da casa, que servia para o resfriamento do imóvel, já que, apesar da vegetação em abundância, o calor do Nordeste é muito forte.  “Esse porão foi feito para o resfriamento da casa, pois da mesma forma que ela é muito quente, os porões eram feitos para resfriar: só que eram utilizados na época dos escravos, também, para outros fins”, observa.

Arquitetura

A proprietária conta que uma das características do casarão é a arquitetura: “Foge aos padrões das casas de engenhos, principalmente do Nordeste. Antes de a casa ser construída no atual local, foi edificada mais embaixo e por uma questão de estratégia dos donos da época, e por quererem uma casa mais imponente, construíram na parte de cima, por conta da visibilidade”, argumenta.

Móveis antigos, a maioria originais, peças que lembram as antigas fazendas da época colonial, tudo preservado. Além de conhecer o acervo da família, Izabel Maia Gomes explica que se a visita desejada for de estudantes, é cobrada uma taxa de cinco reais por aluno: eles visitam e recebem uma explanação histórica. Se for com almoço, a visita custa R$ 30; se for um passeio com trilha (dez quilômetros de trator) custa R$ 60 e vai variando de acordo com o pacote desejado. Tem visitas e pacotes especiais para pessoas da terceira idade também.

A fazenda Anhumas hoje em dia está aberta à visitação e para ter acesso ao local é preciso agendar. “Fazemos pacotes para trilhas nas matas, com banho de bica; as pessoas escolhem se é só visita simples, com trilha ou sem, com ou sem almoço”, explica.

Na década de 1930, vilarejo era vivo e tinha vida própria

 

Segundo Izabel Maia Gomes, na época da avó, dona Helena Baía, o vilarejo tinha uma faixa de 250 famílias residindo, mais de mil pessoas. “Quando minha avó chegou, em 1934, era um povoado que tinha vida própria: feira, Festa da Padroeira, barracão, comércio, tinha tudo”, observa.

O engenho Anhumas era vivo, mesmo quando não produzia mais açúcar. A turismóloga  conta que, ao término do ciclo do açúcar, os engenhos passaram a fabricar aguardente, continuaram vivendo no campo e fazendo parte do contexto histórico e cultural do desenvolvimento da região.

A aguardente, a popular cachaça, é feita da deterioração da cana e ela conta que o nome foi dado pelos próprios escravos, que quando feridos por conta dos açoites e obrigados a trabalhar, colocavam nos ferimentos a água ardente, ou pinga, como chamavam.

A proprietária conta ainda que o engenho era bem mais antigo do que a época da construção da casa grande.  “A propriedade não é uma grande fazenda, mas quando era do meu avô tinha mais de dez mil hectares, era uma terra extensa; hoje somos pequenos proprietários, desenvolvemos a agricultura familiar e não tem tanta terra como os grandes engenhos”, destaca.

Izabel Maia Gomes ressalta que a culinária oferecida na fazenda é regional e também sobre a civilização do açúcar: “Onde a gente encontra muitas receitas que têm influência portuguesa, com muitas gemas: é uma adaptação; tudo vem da adaptação do senhor de engenho, com o negro e com todas as culturas regionais”, ressalta.

Fazenda oferece turismo cultural e culinária da região

 

Quando Benon Maia Gomes e dona Helena Baía adquiriram a propriedade, na década de 30, o engenho ainda produzia açúcar, mas já estavam nascendo as usinas de açúcar no Brasil. Dentro da pauta de turismo cultural e regional, a fazenda Anhumas oferece conhecimento histórico cultural, um ambiente agradável e bucólico, para quem quer fugir do circuito praia e conhecer mais sobre as origens de Alagoas.

“Não desmerecendo a questão do Quilombo dos Palmares, que é importantíssima para o local, maior resistência negra reconhecida historicamente, mas isso aqui caracteriza a história, está intrínseca na história a questão dos engenhos”, observa.  
Atualmente a Anhumas também produz queijo para venda, além de outras receitas no cardápio regional. A proprietária revela que tem um livro de culinária de mais de 200 anos e que os portugueses usavam muitas gemas nas receitas. “Uma quantidade absurda e uma curiosidade é  que as roupas eram engomadas com as claras dos ovos”.

O primeiro doce feito na região foi o doce de coco, segundo pesquisas de Izabel Maia Gomes.  “Era o melaço e o coco, matéria-prima dos engenhos é um entrosamento, aproveitamento das culturas e do que dá hoje”, destaca.

Isabel Maia Gomes avalia ainda que o turismo cultural é a vivência, é o fazer e o saber: “Eles (os moradores) convivem aqui com a gente normalmente: tiram banana, leite, entre outros produtos. Ao redor da casa tem doze tipos diferentes de frutas”.  Ela destaca que pela questão do acesso e da falta de apoio e da logística, as visitas à fazenda ainda são poucas.

“O turismo cultural é uma coisa viável, principalmente em União dos Palmares, que é riquíssimo, não só pela questão do Zumbi, mas pela civilização do açúcar, Jorge de Lima e outras questões históricas. É um município que tem uma potencialidade enorme de desenvolvimento, onde precisa de alguns estímulos”, ressalta.

Anhumas serviu de cenário para o filme Joana Francesa, de Cacá Diégues

 

Foi na localidade que, no começo da década de 1970, foram feitas as filmagens de Joana Francesa, filme do alagoano Cacá Diégues, com participação da atriz francesa Jeane Morreau,  que envolveu como figurantes vários moradores de União dos Palmares. O filme teve a participação do estilista francês, Pierri Cardin, entre outros personagens.

“A gente não tinha nem energia elétrica ainda; houve uma consulta à minha avó, Helena, para filmarem; pelo local, pela paisagem, pela identificação do filme Joana Francesa de Cacá Diégues. Quem quiser, pode baixar, tem no You Tube. Adoro as trilhas sonoras com Chico Buarque de Holanda e outros nomes”, observa.

Izabel Maia Gomes conta também que foi um burburinho as filmagens de Joana Francesa terem acontecido na Fazenda Anhumas, à época. “O acesso era mais difícil ainda; hoje só tem dois quilômetros de barro; naquela época era tudo. A mobilização foi grande, as pessoas vinham em peregrinação para verem as gravações das cenas”, conta.

Segundo ela, para as filmagens, chegavam helicópteros, o pessoal com os atores e até hoje todo mundo fala. “Os adultos da nossa idade, todo mundo participou do filme”, lembra, acrescentando que esse é um fato muito importante da cultura local.

“Não houve grandes preferências de bilheteria, mas foi um dos filmes que ele (Cacá Diégues) diz que gostou muito de fazer, até porque ele é alagoano. Muita gente participou como figurante, ou não. Tivemos também os baloeiros, que fizeram aqui um especial, passaram uma semana aqui na fazenda, fizeram um clipe da banda Palhaço Paranoide, que é o Garoto Invisível”, pontua.

Além disso, na fazenda ainda tem as ruínas do escritório a olaria demolida. “Futuramente queremos fazer um restaurante aqui: a gente vai puxar; deixar de utilizar o estábulo, mas nas realidade ele ainda funciona: tiramos o leite e fazemos o queijo aqui. Tem o piso original, deixando a arquitetura e a gente fazer em cima de um cardápio da civilização do açúcar, que a gente tem muito material”, explica.

Na época da colonização, o açúcar não era transportado em grãos, era em blocos. “Por isso aqueles blocos de rapadura, eram colocados em forma, desenformados, ou de madeira ou colocavam a folha da bananeira embaixo e em blocos para poder ser transportado nos navios, pois o refinamento era feito na Europa”, ensina.

Izabel avalia que a escravidão é uma parte vergonhosa da história da humanidade, mas observa que a civilização do açúcar impulsionou o desenvolvimento do País e do Estado e faz parte da história. “Fosse pela colonização holandesa ou portuguesa”, pontua.

Superstição

 

Na fazenda Anhumas também tem uma história de superstição. Isabel Maia Gomes comenta que a avó Helena era uma pessoa firma, determinada, que criou os filhos sozinha, pois ficou viúva muito cedo. Ela começou a construir a igreja  do local e quando já estava adiantada a construção, recebeu um aviso de uma moradora de 90 anos, que era sua amiga e era neta de escravos. Por conta disso, ela interrompeu a construção do imóvel.

“Minha avó comprou todo o material para fazer a igreja de São Sebastião, padroeiro do vilarejo: piso, janelas, tudo estava pronto e tínhamos uma senhoria que tinha mais de 90 anos, era muito amiga da minha avó e contava que a avó dela era escrava e muitas histórias que a gente tem, veio dela, dona Eudócia. Um dia ela acordou e disse que sonhou que se ela terminasse de construir a igreja ela ia morrer e ela parou a construção, deu todo o material para a antiga igreja de União e de algumas casas de lá e nenhum filho teve coragem de prosseguir a construção e ficou daquela forma”, destaca.

A fazenda é um patrimônio particular e o objetivo dos atuais proprietários é preservar a história, não deixar demolir mais, não mexer na parte original da casa. “Tem alguns órgãos que  perguntam por que não tomba, mas o tombamento vai restringir a moradia da minha família”, observa.

Izabel Maia Gomes acrescenta ainda que a propriedade tem atualmente nove famílias morando, cada um com uma atividade de cultivo: banana, laranja, leite e tem uma rotatividade grande.
 
“Eles trabalham seis meses, alguns pouco tempo depois, e param; em seguida vêm outros. Como tinha o período dos retirantes do Sertão antigamente, minha avó já preparava o galpão, porque eles vinham da seca atrás de trabalho e guarita, eram trabalhadores periódicos”, explica.

 

Fonte: Primeiro Momento
Escrito: Olivia de Cássia
Fotos: Paulo Tourinho

sábado, 2 de maio de 2015

O cantor Léo Russo na terrinha

"Conhecendo o maior Quilombo do Brasil, o Quilombo dos Palmares, na 'Serra da Barriga', Alagoas. Era nesse lugar da foto que Zumbi dos Palmares dormia e aqui deu o grito de liberdade. Salve a história do nosso país. Valeu Zumbi, Zumbi valeu!" Léo Russo.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Guardas Municipais de União dos Palmares reivindicam 30% de risco de vida

 
Na incansável luta por melhorias nas condições de trabalho e qualidade de vida, os Guardas Municipais de União dos Palmares abriram um canal de negociação com a prefeitura visando, além de outros pontos, o aumento da gratificação de risco de vida para 30%.

Na tarde de segunda-feira (27), os Guardas Municipais participaram de uma reunião com representantes do governo municipal – membros da Comissão de Recuperação Financeira - e dirigentes do SINDGUARDA-AL.

Na ocasião foi discutida a pauta e a adequação da categoria ao Estatuto Nacional das Guardas Municipais, Lei nº 13022/2014, a qual prever, dentre outros pontos, a proibição de contração sem concurso público e a permanência de militares à frente do comando das Guardas Municipais.

A estimativa é que a Prefeitura apresente uma contraproposta no prazo de uma semana, no entanto, os prefeitos alagoanos tem nivelado o discurso de que estão vivenciando forte crise financeira, o que não é nada bom para quem agoniza por melhores salários e condições dignas de trabalho.
 
Fonte: GM NOTÍCIAS-AL

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Morre o cineasta palmarino Simião Martiniano, o Camelô do Cinema



Passava das 6h da manhã desta segunda-feira (27), quando foi confirmada a morte de Simião Martiniano. Segundo seu registro de nascimento, ele tinha 82 anos,  mas garantia ter dois a menos. Simião vinha enfrentando um câncer no esôfago e estava internado na Santa Casa de Misericórdia, no Recife. 

Desde janeiro, quando passou mais de 20 dias internado no Hospital das Clínicas, o cineasta apresentava problemas de saúde. Mas, segundo a família, resistia para se submeter a exames e tratamentos. “Ele é teimoso demais”, reclamou, na época a filha Soni Moema, em entrevista a Mateus Araújo, repórter do JC.


Nascido em União dos Palmares, Alagoas, Simião Martiniano morava na comunidade Socorro, em Jaboatão dos Guararapes, com a esposa e uma neta. Ele chegou a Pernambuco aos 27 anos, e ficou mais conhecido após o documentário biográfico Simião Martiniano, o camelô do cinema, dos cineastas pernambucanos Hilton Lacerda e Clara Angélica. 

A obra de Simião é composta por oito longas: O herói trancado (1999); A rede maldita (1991); O vagabundo faixa preta (1992); A mulher e o mandacaru (1994); Traição no Sertão (1996, originalmente filmado em super-8, em 1979); A moça e o rapaz valente (1999); A valise foi trocada (2007); e, o mais recente, O show variado (2010).

Espacial: Do camelódromo para o mundo da ficção

 
Sem nunca haver trabalhado com equipamento profissional, o camelô Simião Martiniano já produziu e dirigiu oito filmes. Enquanto a Fundarpe investe até R$ 230 mil em projetos de audiovisual, ele gasta uma média de R$ 1,5 mil por produção, gravada em VHS. 

Fenômeno singular na atual produção audiovisual de Pernambuco, Simião Martiniano, 70 anos, conhecido como o camelô do cinema, já produziu oito filmes, entre curtas e longas-metragens, a maioria rodada de forma artesanal em VHS por falta de dinheiro para filmá-los em película. Do início, há quase três décadas, até hoje ele nunca gravou com equipamento profissional de cinema e nenhum desses filmes, dos quais trabalha como escritor, produtor, diretor e, às vezes, ator, foi lançado em circuito comercial. À margem do sistema, Simião realiza os trabalhos na base do mutirão e exibe suas produções na rua, em colégios, associações ou cinemas municípais.

Exibindo e comercializando suas produções num box que mantém no Camelódromo do Recife, no Centro, o cineasta-camelô lembra que, antes de chegar a projetar um filme no circuito alternativo de cinemas municipais, a apresentação era nas ruas. "No início, a gente alugava os projetores de Super 8 e mostrava o filme em telões na rua mesmo, lá em Jaboatão (dos Guararapes, no Grande Recife)". Os ingressos cobrados, na década de 80, tinham preços irrisórios - equivalentes hoje R$ 0,50 e R$ 1.

Antes de chegar a seus próprios filmes, Simião Martiniano começou fazendo ponta como ator, ainda quando era mestre de obra no início dos anos 60, no Recife. "Um colega do trabalho me convidou para fazer uma ponta no filme Quando o gigante desperta, de Pedro Teófilo. Eu fazia um soldado holandês. Na metade do filme, acabou o dinheiro e a gravação foi interrompida", conta, sorrindo. Na segunda tentativa, outra polêmica: "Terminou a gravação do filme Luciana, a comerciária, de Mozart Cintra, mas a censura não permitiu a exibição". Nesta época, Simião fez um curso de cinema de seis meses com o diretor dos filmes.

Se as experiências como ator começaram frustradas, as de produtor seguiram o mesmo caminho. Simião escreveu e produziu a radionovela Minha vida é um romance (que também se transformou em um cordel), mas o que estava planejado para acontecer em 100 capítulos durou apenas cinco. "Aí se chamou doidice, viu... Eu gravava dentro de casa mesmo", lembra. Simião Martiniano, então, adaptou o roteiro da novela para o seu primeiro filme, Traição no Sertão (1979), que mistura ficção com parte da sua história. 

Gravada em Super 8 de uma forma amadora e com vários problemas de edição (como cortes bruscos nas imagens), Traição no Sertão custou o equivalente hoje a R$ 1,5 mil. "Os atores, que são meus amigos, trabalharam de graça e até pagaram para atuar. Os equipamentos também eram deles", diz o aposentado, que vive com um salário mínimo por mês mais cerca de R$ 200 das vendas no Camelódromo.

Mesmo com a precariedade dos filmes e os acabamentos modestos, Simião e toda a equipe que atua junto a ele são devidamente registrados no Conselho Federal de Cinema. Eles formam o Grupo Cineteatro Clênio Wanderley. As fitas do cineasta-camelô, ainda ignoradas pela maior parte do púiblico local, "mistura gêneros estrangeiros e elementos nordestinos com enredos de inspiração autobiográfica e popular", como afirma o radialista André Carlos Heliodoro, estudioso da "obra martiniana".

MAZAROPPI

Fã do brasileiro Mazaroppi e elegendo o filme O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, como o melhor de todos, Simião, contraditoriamente, não vai ao cinema. A última vez foi no fim da década de 70. Atualmente assiste a filmes em DVD na casa onde vive, no bairro de Socorro, em Jaboatão, e também na velha televisão Sharp 14'', datada do início dos anos 80, instalada no seu box. E é no videocassete da barraca que ele coloca continuamente suas produções. Seus filmes estão à venda ao preço de R$ 20, para pernambucanos, a R$ 30 ("Para pessoas de fora", explica). "Se não tiver uma cópia na hora, a gente providencia", apressa-se em dizer o camelô, que comercializa também fitas VHS e vinis usados.

Em 1998, Simião foi cinebiografado em Simião Martiniano: o Camelô do Cinema, dirigido por Clara Angélica e Hilton Lacerda, documentário vencedor do II Festival de Cinema do Recife naquele ano. Só assim ele ganhou algum prestígio, conseguiu patrocínios e chegou a participar do programa Jô Soares, na Rede Globo. Atualmente, os holofotes se apagaram, mas o cineasta-camelô continua produzindo. O curta O show variado, que recebeu incentivo de R$ 40 mil da Prefeitura do Recife, já foi gravado, mas a verba para editar ficou pequena. "Preciso que outro projeto seja aprovado para editar as filmagens", diz, esperançoso.

Apesar da falta de conhecimentos acadêmicos sobre a técnica e a estética do cinema, Simião possui um trabalho de ficção único nos gêneros de western, terror, artes marciais e comédia. Além de escrever, produzir e dirigir os filmes, ele também se arrisca como músico, cantando as trilhas sonoras. "Eu faço a cultura do Estado. Pela cultura que eu fiz, talvez eu merecesse mais reconhecimento. Até no Canadá eu sou conhecido. Sou um dos melhores cineastas de Pernambuco", gaba-se, orgulhoso. Como relembra Simião, o filme A valise foi trocada foi assistido por mais de 300 pessoas no meio da rua, em um telão montado pela TV Cultura em São Paulo. Época em que colhia ainda a fama vinda com o filme sobre sua vida.

por ISABELLE FIGUEIRÔA
do JC ONLINE

domingo, 26 de abril de 2015

Disco Guana Vip

 Adquira o seu ingresso e chame a turma. Vamos se divertir entre amigos. O ingresso esta na Loja Completta ao lado da Loja Terno Com.

  Ou é só entrar em contato com Artur Guanabara pelo fone 9103-3182 ou 9931-6993.

sábado, 25 de abril de 2015

Ator Josafá Filho recepcionará estudantes palmarinos nas Caravanas do Esporte e da Música com direito a sessão de fotos com os personagens Walt Disney

Ator Josafá Filho o Felipinho da novela Sangue Bom.
 
A equipe das Caravanas do Esporte e da Música chegou a União dos Palmares na noite desta quinta-feira (23) e foi recepcionada no auditório da prefeitura, onde foi participou de uma reunião para definir os últimos detalhes para realização do evento.

Participaram da reunião, os secretários municipais, Francisco Viana e Macário Rodrigues; Cristiane Chagas (Diretora de Gestão da SEMED) , Ana Cardoso (PROMEPAZ-SEMED) , representaram o secretário de educação na composição da mesa; Elisabete Melo, coordenadora da 7ª CRE; Elisabete Souza do Conselho Tutelar; Tem. Cel. Túlio, comandante do 2º BPM; Mãe Neide; representantes de associações comunitárias e diretores das escolas municipais. 

Ainda na manhã desta sexta-feira (24), os produtores das Caravanas, a jornalista Ângela Santos e o ator Josafá Filho, acompanhados pelo Secretário Municipal de Educação, Adelino Ângelo e do Secretário de Administração, Francisco Viana, concederam entrevista ao radialista Melqui Marques no programa Show de Notícias da Rádio Farol.

"A Caravana do Esporte, que completa 10 anos de estrada, e a Caravana da Música, criada em 2007, contam com participações voluntárias de artistas e atletas, que emprestam sua experiência e seu exemplo nas etapas mensais das Caravanas para valorização da música e do esporte como ferramentas educacionais". Josáfá Filho

A diretora geral dos projetos, Adriana Saldanha participou da entrevista por telefone e destacou o objetivo da Caravana do Esporte e Caravana da Música, que são projetos de responsabilidade social do Canal ESPN Brasil e Disney, em parceria com o UNICEF e o Instituto Esporte e Educação dirigido pela medalhista olímpica Ana Moser. “A Caravana é um movimento de mobilização pelo esporte e arte educacionais, nossa estrutura permite a adequação de espaços públicos para a prática esportiva e visa atender o maior número de crianças e jovens pela garantia de seus direitos”.

O secretário de educação, Adelino Ângelo, destacou a alegria e a satisfação por União dos Palmares ser escolhida para receber as caravanas.“ Será uma semana de muito trabalho, mas que nos dá a sensação de vitória, beneficiando nossas crianças, jovens, educadores e a comunidade palmarina.

Quero destacar também o empenho do secretário Francisco Viana que comandou a articulação aqui no município, juntamente com a nossa equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação.

A abertura oficial das Caravanas do Esporte e da Música será na próxima segunda-feira (27), ás 19 h na Praça Basiliano Sarmento.

Com informações da AsCom Semed

Os palmarinos com as celebridades

Os palmarinos Fábio Alves Soares, "Bello" e Luciano Oliveira, "Dragão" com amigos e o jogador Ronaldo Nazário "Fenômeno"...

O apresentador Marco Luque (CQC)...
 O modelo Mateus Verdelho...

E com o cantor Junior Lima.

Veja também:

Bello, o jogador palmarino considerado o melhor do mundo no futevôlei.

AQUI

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Serra da Barriga, buchuda de problemas, está relegada a um ostracismo inexplicável

A Serra da Barriga fica a cerca de 9 km do município de União dos Palmares, situado a nove quilômetros de Maceió, capital do estado de Alagoas. Faz parte do Planalto Meridional da Borborema.

Na Serra da Barriga foi edificado o  Parque Memorial Quilombo dos Palmares, primeiro equipamento do gênero no País, que  reconstitui o cenário de uma das mais importantes histórias de resistência à escravidão ocorrida no mundo: a história do Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de pret@s escravizados das Américas. Nele, reinou Zumbi dos Palmares, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.

A Serra da Barriga buchuda de problemas está com o umbigo estufado pra  fora, relegada  a um ostracismo inexplicável.
 
Essa parte da história do Brasil não provoca alvoroço no seio da política local ou nacional, pois, o berço da primeira República Negra e Livre da América Latina conta histórias de independência, e desde quando a equidade do povo preto  brasileiro interessa aos poderes constituídos?

A Serra da Barriga hiberna entre o hegemônico desinteresse da classe política e a historicidade amorenada pela fragilidade dos espaços construídos.

Quase tod@s-  homens e  mulheres- da classe política em Alagoas, politicamente branc@s, “bem nascidos”- como também  a Fundação Cultural Palmares e seus escritórios adjacentes  tem feito, ano-após-ano, a mesmíssima coisa em relação a Serra da Barriga, ou seja coisa nenhuma! E ainda assistem calad@s à expulsão de moradores que faz mais de 40 anos dão vida para  Serra.

Para a classe política daqui e d’alhures redefinir a imagem que a população de pele preta tem de si mesma e realinhar seu lugar na história do Brasil é coisa pra ess@s pouc@s pret@s que não tem mais o que fazer".

Os mesm@s pret@s que na época de eleição ganham lugares em pedestal. Em época eleitoreira somos todos e todas iguais. Os intocáveis donos do poder: homens e mulheres até ensaiam a fictícia proximidade com o povaréu que vota.

Montam o teatro do tal do café da manhã na feira, regado a abraços fáceis, tapinhas nas costas, beijos em crianças remelentas e de nariz escorrendo, com cheiro de miséria. É para que o povo acéfalo, na sua maioria pobre, desdentado, desempregado e de pele parda ou preta perceba o quanto nada vale.

Passada a eleição, o povo- pobre e preto- não cabe mais na agenda atribulada dos donos do poder.

Trabalhar a Alagoas da miséria é bem mais cômodo. A miséria dá voto fácil, e, em Alagoas isso é prato cheio.

Enquanto isso a Serra da Barriga pede socorro!

Help!!

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