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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Como será o São João 2015 em União dos Palmares?

A reportagem / fotos abaixo é do dia 29 junho de 2011.

Terminou hoje o São João em União dos Palmares. O evento que aconteceu em vários lugares do Município teve a participação da população local e das cidades vizinhas.

Um dos lugares que ferveu foi a Praça Basiliano Sarmento onde teve as melhores atrações da festa, a infraestrutura de palco e tendas foram elogiados por quem passou no local. Além das bandas que se apresentavam no palco principal os forrozeiros ainda tinham a opção de dançar com o verdadeiro forró pé de serra, no palco armado no centro da praça.

Quem também deu um show no São João palmarino foram as quadrilhas vindas de outras cidades do Estado algumas premiadíssimas e com apresentações feitas em várias partes do País.

Ficando a desejar a estrutura dos banheiros que não suportam a quantidade de pessoas que veem para os eventos da praça, precisando de banheiros químicos em alguns pontos do lugar, como também higienização dos mesmos.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

#LUTO "Ele sempre esteve com a gente, e continuará"

"Com grande sentimento de dor e consternação informamos aos amigos, ouvintes, colegas e empresários que valorizavam o trabalho de nosso amigo e conviviam conosco o falecimento de Serginho, Sérgio Ferreira

Amigo, um colega de trabalho e de movimento estudantil atuante, sério, profissional. O que machuca ainda mais a sua partida. Deixou lembranças e boas memórias e bons amigos aqui. Segundo informações ele foi encontrado hoje em sua casa, ja havia três dias que ele não aparecia na rádio e nem no Globo Center, seu local de trabalho. 

Serginho já havia tentado suicídio há alguns meses, no momento não há detalhes ainda sobre a causa da morte, Serginho também sofria de problemas de saúde. Deus conforte sua mãe, sua irmã Emanuelle Ferreira De Alcântara, nós seus amigos e seus ouvintes. Descansa amigo".

Clezivaldo Mizael

Postagem do blog dezembro de 2011

Sérgio Ferreira da Silva e o Dj Fat Léo estão organizando o 1º Eletro Funk aqui em União dos Palmares. A festa acontecerá neste sábado, 17/12, na quadra do antigo Colégio Santa Maria Madalena. A dupla já tinha trabalhado junto em 2006, quando Serginho começou na área de eventos, com a "Sérgio Produções".

Funcionário da Rádio AG, onde exerce a função de operador de áudio, Serginho acredita que as coisas vem acontecendo naturalmente na sua vida. Ele pretende apresentar um programa musical ou de notícias. Para isso, vem buscando mais conhecimento da área. Serginho fará no próximo mês o curso de radialista, junto com outros comunicadores palmarinos.

Serginho disse não se incomoda quando Mário Sérgio o chama de "Zé Ruela". Na verdade, ele tem no âncora do Programa AG Notícias um irmão e diz que se espelha nele como profissional. Fora isso completou Serginho disse que presta serviços em eventos que a Secretária de Cominicação faz na cidade, onde o Secretario é Mário Sérgio.

Aos 22 anos de idade e cursando o 3º ano do ensino médio no Colégio Monsenhor Clóvis Duarte de Barros, Serginho é casado com Maria Cristiele Ferreira.

Lembrando que você leitor/amigo pode entrar em contato comigo, através do Facebook, AQUI na comunidade do blog AQUI onde vocês encontram conteúdo exclusivo e podem me seguir no Twitter no @jmarcelofotos

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Fazenda Anhumas, em União dos Palmares, revive a história

Proprietários transformaram antigo engenho de açúcar em local de visitação.

 A fazenda Anhumas a dez quilômetros de União dos Palmares, de propriedade dos herdeiros de Benon Maia Gomes e sua esposa dona Helena Baía, localizada depois do povoado Muquém, ainda preserva histórias dos caminhos do açúcar e da colonização do país e do Estado. Atualmente, quem quiser conhecer o local agenda uma visita com a família, que trabalha com roteiros.

  Izabel Padilha Maia Gomes, neta dos antigos moradores e uma das herdeiras do patrimônio da família, recepcionou a equipe do Primeiro Momento e falou da história do antigo engenho Anhumas e a respeito do que a fazenda oferece hoje para os visitantes que se interessam um pela história de Alagoas.

Além do belo casarão -, que começou a ser edificado em 1883 e passou seis anos para ser construído -, a fazenda Anhumas tem como atrativo a história do engenho de cana-de-açúcar, uma pequena vila de moradores e verde por todos os lados, inclusive um pedaço de Mata Atlântica preservado até hoje. Pela beleza arquitetônica da casa grande da fazenda Anhumas, que tem uma arquitetura mais refinada, Izabel Maia Gomes avalia que pode ser comparada até com as casas de café do Rio e Sudeste.

 “A curiosidade da casa é que todas as janelas têm encaixes; são 156 portas, todas elas foram transportadas do Rio de Janeiro para o Porto de Maceió e de lá para cá em carros de boi. Imaginem a dificuldade. Foram seis engenheiros; os tijolos e as telhas foram feitos a mão, na olaria que foi feita exclusivamente para fazer os tijolos e as telhas da casa. Todas elas são originais; hoje em dia a olaria não existe mais e foi demolida”, pontua.

Izabel Maia Gomes mostra também o porão construído no alicerce da casa, que servia para o resfriamento do imóvel, já que, apesar da vegetação em abundância, o calor do Nordeste é muito forte.  “Esse porão foi feito para o resfriamento da casa, pois da mesma forma que ela é muito quente, os porões eram feitos para resfriar: só que eram utilizados na época dos escravos, também, para outros fins”, observa.

Arquitetura

A proprietária conta que uma das características do casarão é a arquitetura: “Foge aos padrões das casas de engenhos, principalmente do Nordeste. Antes de a casa ser construída no atual local, foi edificada mais embaixo e por uma questão de estratégia dos donos da época, e por quererem uma casa mais imponente, construíram na parte de cima, por conta da visibilidade”, argumenta.

Móveis antigos, a maioria originais, peças que lembram as antigas fazendas da época colonial, tudo preservado. Além de conhecer o acervo da família, Izabel Maia Gomes explica que se a visita desejada for de estudantes, é cobrada uma taxa de cinco reais por aluno: eles visitam e recebem uma explanação histórica. Se for com almoço, a visita custa R$ 30; se for um passeio com trilha (dez quilômetros de trator) custa R$ 60 e vai variando de acordo com o pacote desejado. Tem visitas e pacotes especiais para pessoas da terceira idade também.

A fazenda Anhumas hoje em dia está aberta à visitação e para ter acesso ao local é preciso agendar. “Fazemos pacotes para trilhas nas matas, com banho de bica; as pessoas escolhem se é só visita simples, com trilha ou sem, com ou sem almoço”, explica.

Na década de 1930, vilarejo era vivo e tinha vida própria

 

Segundo Izabel Maia Gomes, na época da avó, dona Helena Baía, o vilarejo tinha uma faixa de 250 famílias residindo, mais de mil pessoas. “Quando minha avó chegou, em 1934, era um povoado que tinha vida própria: feira, Festa da Padroeira, barracão, comércio, tinha tudo”, observa.

O engenho Anhumas era vivo, mesmo quando não produzia mais açúcar. A turismóloga  conta que, ao término do ciclo do açúcar, os engenhos passaram a fabricar aguardente, continuaram vivendo no campo e fazendo parte do contexto histórico e cultural do desenvolvimento da região.

A aguardente, a popular cachaça, é feita da deterioração da cana e ela conta que o nome foi dado pelos próprios escravos, que quando feridos por conta dos açoites e obrigados a trabalhar, colocavam nos ferimentos a água ardente, ou pinga, como chamavam.

A proprietária conta ainda que o engenho era bem mais antigo do que a época da construção da casa grande.  “A propriedade não é uma grande fazenda, mas quando era do meu avô tinha mais de dez mil hectares, era uma terra extensa; hoje somos pequenos proprietários, desenvolvemos a agricultura familiar e não tem tanta terra como os grandes engenhos”, destaca.

Izabel Maia Gomes ressalta que a culinária oferecida na fazenda é regional e também sobre a civilização do açúcar: “Onde a gente encontra muitas receitas que têm influência portuguesa, com muitas gemas: é uma adaptação; tudo vem da adaptação do senhor de engenho, com o negro e com todas as culturas regionais”, ressalta.

Fazenda oferece turismo cultural e culinária da região

 

Quando Benon Maia Gomes e dona Helena Baía adquiriram a propriedade, na década de 30, o engenho ainda produzia açúcar, mas já estavam nascendo as usinas de açúcar no Brasil. Dentro da pauta de turismo cultural e regional, a fazenda Anhumas oferece conhecimento histórico cultural, um ambiente agradável e bucólico, para quem quer fugir do circuito praia e conhecer mais sobre as origens de Alagoas.

“Não desmerecendo a questão do Quilombo dos Palmares, que é importantíssima para o local, maior resistência negra reconhecida historicamente, mas isso aqui caracteriza a história, está intrínseca na história a questão dos engenhos”, observa.  
Atualmente a Anhumas também produz queijo para venda, além de outras receitas no cardápio regional. A proprietária revela que tem um livro de culinária de mais de 200 anos e que os portugueses usavam muitas gemas nas receitas. “Uma quantidade absurda e uma curiosidade é  que as roupas eram engomadas com as claras dos ovos”.

O primeiro doce feito na região foi o doce de coco, segundo pesquisas de Izabel Maia Gomes.  “Era o melaço e o coco, matéria-prima dos engenhos é um entrosamento, aproveitamento das culturas e do que dá hoje”, destaca.

Isabel Maia Gomes avalia ainda que o turismo cultural é a vivência, é o fazer e o saber: “Eles (os moradores) convivem aqui com a gente normalmente: tiram banana, leite, entre outros produtos. Ao redor da casa tem doze tipos diferentes de frutas”.  Ela destaca que pela questão do acesso e da falta de apoio e da logística, as visitas à fazenda ainda são poucas.

“O turismo cultural é uma coisa viável, principalmente em União dos Palmares, que é riquíssimo, não só pela questão do Zumbi, mas pela civilização do açúcar, Jorge de Lima e outras questões históricas. É um município que tem uma potencialidade enorme de desenvolvimento, onde precisa de alguns estímulos”, ressalta.

Anhumas serviu de cenário para o filme Joana Francesa, de Cacá Diégues

 

Foi na localidade que, no começo da década de 1970, foram feitas as filmagens de Joana Francesa, filme do alagoano Cacá Diégues, com participação da atriz francesa Jeane Morreau,  que envolveu como figurantes vários moradores de União dos Palmares. O filme teve a participação do estilista francês, Pierri Cardin, entre outros personagens.

“A gente não tinha nem energia elétrica ainda; houve uma consulta à minha avó, Helena, para filmarem; pelo local, pela paisagem, pela identificação do filme Joana Francesa de Cacá Diégues. Quem quiser, pode baixar, tem no You Tube. Adoro as trilhas sonoras com Chico Buarque de Holanda e outros nomes”, observa.

Izabel Maia Gomes conta também que foi um burburinho as filmagens de Joana Francesa terem acontecido na Fazenda Anhumas, à época. “O acesso era mais difícil ainda; hoje só tem dois quilômetros de barro; naquela época era tudo. A mobilização foi grande, as pessoas vinham em peregrinação para verem as gravações das cenas”, conta.

Segundo ela, para as filmagens, chegavam helicópteros, o pessoal com os atores e até hoje todo mundo fala. “Os adultos da nossa idade, todo mundo participou do filme”, lembra, acrescentando que esse é um fato muito importante da cultura local.

“Não houve grandes preferências de bilheteria, mas foi um dos filmes que ele (Cacá Diégues) diz que gostou muito de fazer, até porque ele é alagoano. Muita gente participou como figurante, ou não. Tivemos também os baloeiros, que fizeram aqui um especial, passaram uma semana aqui na fazenda, fizeram um clipe da banda Palhaço Paranoide, que é o Garoto Invisível”, pontua.

Além disso, na fazenda ainda tem as ruínas do escritório a olaria demolida. “Futuramente queremos fazer um restaurante aqui: a gente vai puxar; deixar de utilizar o estábulo, mas nas realidade ele ainda funciona: tiramos o leite e fazemos o queijo aqui. Tem o piso original, deixando a arquitetura e a gente fazer em cima de um cardápio da civilização do açúcar, que a gente tem muito material”, explica.

Na época da colonização, o açúcar não era transportado em grãos, era em blocos. “Por isso aqueles blocos de rapadura, eram colocados em forma, desenformados, ou de madeira ou colocavam a folha da bananeira embaixo e em blocos para poder ser transportado nos navios, pois o refinamento era feito na Europa”, ensina.

Izabel avalia que a escravidão é uma parte vergonhosa da história da humanidade, mas observa que a civilização do açúcar impulsionou o desenvolvimento do País e do Estado e faz parte da história. “Fosse pela colonização holandesa ou portuguesa”, pontua.

Superstição

 

Na fazenda Anhumas também tem uma história de superstição. Isabel Maia Gomes comenta que a avó Helena era uma pessoa firma, determinada, que criou os filhos sozinha, pois ficou viúva muito cedo. Ela começou a construir a igreja  do local e quando já estava adiantada a construção, recebeu um aviso de uma moradora de 90 anos, que era sua amiga e era neta de escravos. Por conta disso, ela interrompeu a construção do imóvel.

“Minha avó comprou todo o material para fazer a igreja de São Sebastião, padroeiro do vilarejo: piso, janelas, tudo estava pronto e tínhamos uma senhoria que tinha mais de 90 anos, era muito amiga da minha avó e contava que a avó dela era escrava e muitas histórias que a gente tem, veio dela, dona Eudócia. Um dia ela acordou e disse que sonhou que se ela terminasse de construir a igreja ela ia morrer e ela parou a construção, deu todo o material para a antiga igreja de União e de algumas casas de lá e nenhum filho teve coragem de prosseguir a construção e ficou daquela forma”, destaca.

A fazenda é um patrimônio particular e o objetivo dos atuais proprietários é preservar a história, não deixar demolir mais, não mexer na parte original da casa. “Tem alguns órgãos que  perguntam por que não tomba, mas o tombamento vai restringir a moradia da minha família”, observa.

Izabel Maia Gomes acrescenta ainda que a propriedade tem atualmente nove famílias morando, cada um com uma atividade de cultivo: banana, laranja, leite e tem uma rotatividade grande.
 
“Eles trabalham seis meses, alguns pouco tempo depois, e param; em seguida vêm outros. Como tinha o período dos retirantes do Sertão antigamente, minha avó já preparava o galpão, porque eles vinham da seca atrás de trabalho e guarita, eram trabalhadores periódicos”, explica.

 

Fonte: Primeiro Momento
Escrito: Olivia de Cássia
Fotos: Paulo Tourinho

sábado, 2 de maio de 2015

O cantor Léo Russo na terrinha

"Conhecendo o maior Quilombo do Brasil, o Quilombo dos Palmares, na 'Serra da Barriga', Alagoas. Era nesse lugar da foto que Zumbi dos Palmares dormia e aqui deu o grito de liberdade. Salve a história do nosso país. Valeu Zumbi, Zumbi valeu!" Léo Russo.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Guardas Municipais de União dos Palmares reivindicam 30% de risco de vida

 
Na incansável luta por melhorias nas condições de trabalho e qualidade de vida, os Guardas Municipais de União dos Palmares abriram um canal de negociação com a prefeitura visando, além de outros pontos, o aumento da gratificação de risco de vida para 30%.

Na tarde de segunda-feira (27), os Guardas Municipais participaram de uma reunião com representantes do governo municipal – membros da Comissão de Recuperação Financeira - e dirigentes do SINDGUARDA-AL.

Na ocasião foi discutida a pauta e a adequação da categoria ao Estatuto Nacional das Guardas Municipais, Lei nº 13022/2014, a qual prever, dentre outros pontos, a proibição de contração sem concurso público e a permanência de militares à frente do comando das Guardas Municipais.

A estimativa é que a Prefeitura apresente uma contraproposta no prazo de uma semana, no entanto, os prefeitos alagoanos tem nivelado o discurso de que estão vivenciando forte crise financeira, o que não é nada bom para quem agoniza por melhores salários e condições dignas de trabalho.
 
Fonte: GM NOTÍCIAS-AL

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Morre o cineasta palmarino Simião Martiniano, o Camelô do Cinema



Passava das 6h da manhã desta segunda-feira (27), quando foi confirmada a morte de Simião Martiniano. Segundo seu registro de nascimento, ele tinha 82 anos,  mas garantia ter dois a menos. Simião vinha enfrentando um câncer no esôfago e estava internado na Santa Casa de Misericórdia, no Recife. 

Desde janeiro, quando passou mais de 20 dias internado no Hospital das Clínicas, o cineasta apresentava problemas de saúde. Mas, segundo a família, resistia para se submeter a exames e tratamentos. “Ele é teimoso demais”, reclamou, na época a filha Soni Moema, em entrevista a Mateus Araújo, repórter do JC.


Nascido em União dos Palmares, Alagoas, Simião Martiniano morava na comunidade Socorro, em Jaboatão dos Guararapes, com a esposa e uma neta. Ele chegou a Pernambuco aos 27 anos, e ficou mais conhecido após o documentário biográfico Simião Martiniano, o camelô do cinema, dos cineastas pernambucanos Hilton Lacerda e Clara Angélica. 

A obra de Simião é composta por oito longas: O herói trancado (1999); A rede maldita (1991); O vagabundo faixa preta (1992); A mulher e o mandacaru (1994); Traição no Sertão (1996, originalmente filmado em super-8, em 1979); A moça e o rapaz valente (1999); A valise foi trocada (2007); e, o mais recente, O show variado (2010).

Espacial: Do camelódromo para o mundo da ficção

 
Sem nunca haver trabalhado com equipamento profissional, o camelô Simião Martiniano já produziu e dirigiu oito filmes. Enquanto a Fundarpe investe até R$ 230 mil em projetos de audiovisual, ele gasta uma média de R$ 1,5 mil por produção, gravada em VHS. 

Fenômeno singular na atual produção audiovisual de Pernambuco, Simião Martiniano, 70 anos, conhecido como o camelô do cinema, já produziu oito filmes, entre curtas e longas-metragens, a maioria rodada de forma artesanal em VHS por falta de dinheiro para filmá-los em película. Do início, há quase três décadas, até hoje ele nunca gravou com equipamento profissional de cinema e nenhum desses filmes, dos quais trabalha como escritor, produtor, diretor e, às vezes, ator, foi lançado em circuito comercial. À margem do sistema, Simião realiza os trabalhos na base do mutirão e exibe suas produções na rua, em colégios, associações ou cinemas municípais.

Exibindo e comercializando suas produções num box que mantém no Camelódromo do Recife, no Centro, o cineasta-camelô lembra que, antes de chegar a projetar um filme no circuito alternativo de cinemas municipais, a apresentação era nas ruas. "No início, a gente alugava os projetores de Super 8 e mostrava o filme em telões na rua mesmo, lá em Jaboatão (dos Guararapes, no Grande Recife)". Os ingressos cobrados, na década de 80, tinham preços irrisórios - equivalentes hoje R$ 0,50 e R$ 1.

Antes de chegar a seus próprios filmes, Simião Martiniano começou fazendo ponta como ator, ainda quando era mestre de obra no início dos anos 60, no Recife. "Um colega do trabalho me convidou para fazer uma ponta no filme Quando o gigante desperta, de Pedro Teófilo. Eu fazia um soldado holandês. Na metade do filme, acabou o dinheiro e a gravação foi interrompida", conta, sorrindo. Na segunda tentativa, outra polêmica: "Terminou a gravação do filme Luciana, a comerciária, de Mozart Cintra, mas a censura não permitiu a exibição". Nesta época, Simião fez um curso de cinema de seis meses com o diretor dos filmes.

Se as experiências como ator começaram frustradas, as de produtor seguiram o mesmo caminho. Simião escreveu e produziu a radionovela Minha vida é um romance (que também se transformou em um cordel), mas o que estava planejado para acontecer em 100 capítulos durou apenas cinco. "Aí se chamou doidice, viu... Eu gravava dentro de casa mesmo", lembra. Simião Martiniano, então, adaptou o roteiro da novela para o seu primeiro filme, Traição no Sertão (1979), que mistura ficção com parte da sua história. 

Gravada em Super 8 de uma forma amadora e com vários problemas de edição (como cortes bruscos nas imagens), Traição no Sertão custou o equivalente hoje a R$ 1,5 mil. "Os atores, que são meus amigos, trabalharam de graça e até pagaram para atuar. Os equipamentos também eram deles", diz o aposentado, que vive com um salário mínimo por mês mais cerca de R$ 200 das vendas no Camelódromo.

Mesmo com a precariedade dos filmes e os acabamentos modestos, Simião e toda a equipe que atua junto a ele são devidamente registrados no Conselho Federal de Cinema. Eles formam o Grupo Cineteatro Clênio Wanderley. As fitas do cineasta-camelô, ainda ignoradas pela maior parte do púiblico local, "mistura gêneros estrangeiros e elementos nordestinos com enredos de inspiração autobiográfica e popular", como afirma o radialista André Carlos Heliodoro, estudioso da "obra martiniana".

MAZAROPPI

Fã do brasileiro Mazaroppi e elegendo o filme O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, como o melhor de todos, Simião, contraditoriamente, não vai ao cinema. A última vez foi no fim da década de 70. Atualmente assiste a filmes em DVD na casa onde vive, no bairro de Socorro, em Jaboatão, e também na velha televisão Sharp 14'', datada do início dos anos 80, instalada no seu box. E é no videocassete da barraca que ele coloca continuamente suas produções. Seus filmes estão à venda ao preço de R$ 20, para pernambucanos, a R$ 30 ("Para pessoas de fora", explica). "Se não tiver uma cópia na hora, a gente providencia", apressa-se em dizer o camelô, que comercializa também fitas VHS e vinis usados.

Em 1998, Simião foi cinebiografado em Simião Martiniano: o Camelô do Cinema, dirigido por Clara Angélica e Hilton Lacerda, documentário vencedor do II Festival de Cinema do Recife naquele ano. Só assim ele ganhou algum prestígio, conseguiu patrocínios e chegou a participar do programa Jô Soares, na Rede Globo. Atualmente, os holofotes se apagaram, mas o cineasta-camelô continua produzindo. O curta O show variado, que recebeu incentivo de R$ 40 mil da Prefeitura do Recife, já foi gravado, mas a verba para editar ficou pequena. "Preciso que outro projeto seja aprovado para editar as filmagens", diz, esperançoso.

Apesar da falta de conhecimentos acadêmicos sobre a técnica e a estética do cinema, Simião possui um trabalho de ficção único nos gêneros de western, terror, artes marciais e comédia. Além de escrever, produzir e dirigir os filmes, ele também se arrisca como músico, cantando as trilhas sonoras. "Eu faço a cultura do Estado. Pela cultura que eu fiz, talvez eu merecesse mais reconhecimento. Até no Canadá eu sou conhecido. Sou um dos melhores cineastas de Pernambuco", gaba-se, orgulhoso. Como relembra Simião, o filme A valise foi trocada foi assistido por mais de 300 pessoas no meio da rua, em um telão montado pela TV Cultura em São Paulo. Época em que colhia ainda a fama vinda com o filme sobre sua vida.

por ISABELLE FIGUEIRÔA
do JC ONLINE

domingo, 26 de abril de 2015

Disco Guana Vip

 Adquira o seu ingresso e chame a turma. Vamos se divertir entre amigos. O ingresso esta na Loja Completta ao lado da Loja Terno Com.

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