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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Quilombo dos Palmares e Zumbi: o maior símbolo da resistência à escravidão da história do Brasil

A História do Quilombo de Palmares e de Zumbi se misturam, entrelaçadas são parte importante da história de luta pela libertação das populações escravizadas em terras brasileiras. Memórias de organização, resistência e empoderamento do povo negro na defesa de sua liberdade e resgate de sua dignidade. Quando os direitos e a vida das populações negras e povos originários são ameaçadas se faz necessário recordar, celebrar e nos inspirarmos na luta de Zumbi para novamente quebrar o jugo do opressor, a partir de um projeto de libertação e vida digna para o povo brasileiro.

O quilombo dos Palmares (cujo nome vem das palmeiras que compunham a vegetação local) era formado por escravos de origem angolana, fugidos das fazendas de cana-de-açúcar da região. Nos mais de 100 anos de existência do lugar, indígenas e brancos marginalizados também se juntaram à população negra. No auge, Palmares era um povoado grande para os padrões da época, abrigava em torno de 20 mil habitantes e incluía nove aldeias, chamadas de mocambos (“esconderijos”, no dialeto banto).

Tudo começou com a revolta dos escravizados de um engenho de açúcar que, armados apenas com foices, chuços e paus atacaram e dominaram seus amos e feitores, segundo conta o historiador Décio Freitas, em “Palmares – A Guerra dos Escravos”, de 1973. E arremata: “E assim, viram-se Senhores do Engenho que fora tanto tempo o instrumento da sua opressão. Mas quedaram perplexos: que fazer da liberdade que haviam conquistado?”.

Corria o ano de 1.580 e já havia muitos exemplos de revoltas que foram sufocadas, como seria também a deles. Se ficassem na usina, logo seriam cercados por forças bem armadas. Se fugissem pra perto, logo seriam alcançados. Daí, a decisão de andar semanas e semanas até a região dos Palmares. A escolha do local denunciava que o território já havia sido percorrido por alguns deles.

O Quilombo ficava na Serra da Barriga, então Pernambuco, distante de áreas urbanas, a região de mais difícil acesso naquela Província. Era uma área enorme, metade do que é hoje o Pernambuco, indo até as margens do rio São Francisco, de topografia acidentada e uma mescla de mata fechada com palmeirais (palmares) nativos nos topos dos pequenos morros. Hoje, boa parte do território estaria em Alagoas, onde está a cidade de União dos Palmares.

A nação palmarina começou a se formar por volta de 1597, com a princesa Aqualtune, filha do rei Mani-Kongo, do Congo. Sua organização e consequente fortalecimento passaram a ser visto como uma ameaça perigosa ao poder colonial, pois sua existência estimulava as fugas de escravizados, fazendo com que os fazendeiros da região reunissem milícias para atacar Palmares durante todo o século 17. Apesar da aura utópica, o quilombo tinha pouco de sociedade alternativa. Pelo contrário. Além de praticarem uma agricultura considerada avançada para os padrões da época, desenvolveram uma atividade metalúrgica organizada para sua defesa e subsistência e chegaram a estabelecer comércio com localidades próximas.

A própria palavra “kilombo”, em banto, quer dizer algo como “sociedade guerreira com rigorosa disciplina militar”. “Havia pena de morte para adultério, roubo e deserção”, afirma o historiador Dagoberto José Fonseca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara (SP). Como os quilombolas não deixaram registros escritos, seus hábitos não são totalmente conhecidos. Sabe-se, porém, que eles eram governados por um rei, com o título de Ganga Zumba (“grande chefe”), assistido por um conselho composto pelos chefes dos vários mocambos. O chefe maior era eleito, como na maioria das comunidades africanas, e não tinha poderes absolutos nem linhagem religiosa, num convívio baseado na fraternidade e solidariedade, citando de novo Décio Freitas.

Em Palmares, no mocambo Cerca do Macaco, nasceu o menino Zumbi dos Palmares, em 1.655, que ainda criança foi raptado e aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso, e entregue a um missionário português, padre Antônio Melo, em Porto Calvo, que o batizou com o nome de Francisco e o deu uma educação formal. Era neto da princesa Aqualtune. Aos 10 anos, já sabia latim e português e, aos 12, tornou-se coroinha. A inteligência do menino recebia elogios do Padre Antônio Melo, segundo relatam registros existentes. Com 15 anos, Francisco fugiu de volta a Palmares, adotando o nome de Zumbi e passando a fazer parte da Família Real, pois foi adotado pelo então rei Ganga Zumba.

Entre 1596 e 1716, os palmarinos resistiram a 66 expedições coloniais, tanto de portugueses como de holandeses. Foi a maior e mais longa expressão contestatória da escravidão em todo o mundo. De todos os líderes da resistência negra, dois se tornaram conhecidos: Ganga Zumba e Zumbi. Zumbi, porém, foi o líder mais famoso da confederação de quilombos de Palmares, que se estendia pelos territórios atuais de Alagoas e Pernambuco.

Quando Zumbi voltou aos Palmares, à época sob a liderança de seu tio Ganga Zumba, chefe que negociava um armistício com as autoridades da Província, pois estas haviam aprisionado seus três filhos. Ganga Zumba, cansado de muitas guerras, assinou um acordo de paz com os portugueses, em 1678. Isso desagradou uma parte significativa dos quilombolas, que viam a transferência para Cucaú como uma forma de controlar a comunidade, além de não resolver o problema da escravidão. Zumbi tomou à dianteira e impediu o acordo, destacando-se como comandante militar, foi nesse momento que Zumbi rompeu com Ganga Zumba, sendo aclamado Grande Chefe por aqueles que ficaram em Palmares,o que o colocou na posição de líder maior do quilombo.

Entretanto, Ganga Zumba prosseguiu as negociações por sua própria conta foi pessoalmente a Recife, acompanhado de um séquito de 40 homens, e fechou um acordo com o governador da Província, Aires de Souza e Castro. Assim, ele deixou o quilombo e foi morar em umas terras cedidas pelo mandatário. E consta que lá morreu uns anos depois, envenenado.

Desde lá atrás, no início de tudo, os quilombolas de Palmaras já haviam enfrentado incontáveis batalhas contra portugueses, holandeses e senhores de engenhos. Usavam táticas de guerrilha e quase sempre saiam vitoriosos ou pelo menos ilesos, pois ninguém ousava entrar nos redutos por eles dominados, na tentativa de alcançá-los.

Mas, eles enfrentavam sérios problemas, entre os quais o de poucas mulheres, o que os forçava a descer a serra, como se dizia, pra raptar negras em senzalas, plantações ou casas de fazendas. Isto era feito com escaramuças e violência, pois eles aproveitavam pra confiscar armas e alimentos. O fato é que, agora, a fama de Zumbi se espalhava pelo país inteiro, como homem capaz de muitas proezas, que não aceitava negociar com o poder colonial que os escravizava e que, além do mais, tinha o corpo fechado, ninguém conseguiria matá-lo. Pelo sim, pelo não, as histórias que corriam incomodavam as autoridades e senhores de escravos.

Foi armada, então, em 1.687, uma grande ofensiva contra Palmares, tarefa entregue ao bandeirante Domingos Jorge Velho, então já conhecido matador de indígenas da Bahia ao Piauí, e senhor de fazendas em todo o nordeste. Ele tinha um exército de 2.100 homens, dentre os quais 1.300 índios cooptados e uns 800 não indígenas, inclusive negros.

Mas na manhã de 6 de fevereiro de 1694 a Cerca Real do Macaco, capital de Palmares, foi ocupada por um batalhão comandado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Durante o ataque em 1694, Zumbi caiu ferido em um desfiladeiro, o que gerou o mito de que o herói se suicidara para evitar a escravização. Foram 7 anos de ofensivas que, aos poucos, foram solapando o quilombo pelas beiradas, mocambo a mocambo, até o derradeiro ataque ao Macaco, iniciado em março de 1.695. Zumbi escapou do massacre inicial e liderou uma luta de guerrilhas, voltando a comandar ataques, mostrando que estava vivo. Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, e assassinado durante expedição de Domingos Jorge Velho, em 20 de novembro de 1695.. Delatado por um ex-comparsa, Zumbi foi apanhado no dia 20 de novembro, morto e decapitado. Sua cabeça foi levada ao Recife, onde foi exposta no lugar mais público da cidade, e ali ficou até se decompor.

A cabeça de Zumbi foi decepada e levada para Recife, onde foi pendurada em local público até sua total decomposição. Palmares resistiu ainda por mais de 30 anos antes de sucumbir definitivamente. Em homenagem a Zumbi, a data de sua morte foi escolhida como Dia Nacional da Consciência Negra.

Em 20 de novembro de 1695, há 323 anos, morria Zumbi dos Palmares, encerrando mais de um século de resistência naquele que foi o maior quilombo da história do Brasil. Ele morreu na guerra contra a escravidão, lutando pela liberdade da negritude, a coragem de Zumbi e dos palmarinos é lembrada a cada ano, na data de 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, ao Brasil que brasileiras e brasileiros afrodescendentes são partes da nossa sociedade, mas ainda padece da falta de igualdade plena, verdadeira, não apenas formal, no papel.

Fontes:
http://antigo.acordacultura.org.br/herois/heroi/zumbidospalmares
https://www.geledes.org.br/zumbi-e-o-revisionismo-nada-historico/
Como era a vida no quilombo dos Palmares?
https://www.geledes.org.br/zumbi-vive-2/
https://www.almapreta.com/editorias/realidade/aqualtune-a-luz-de-palmares

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

PORQUE NÃO ESTAVA POSTANDO VÍDEO???

História: União dos Palmares, a Terra da Liberdade

A ocupação das terras do município de União dos Palmares teve início ainda no sécio XVI, no período da ocupação holandesa, quando os quilombos ampliam suas áreas. Entretanto, somente no século XVII é que na Serra da Barriga, ou Cerca Real dos Macacos, se instala a capital do que viria a ser conhecido como o Quilombo dos Palmares, uma república composta principalmente por negros fugidos da escravidão.

O domínio territorial do Quilombo dos Palmares abrangia a área dos vales do Mundaú e do Paraíba. Para o sul, se aproximavam de Penedo e, ao norte, ocupavam terras pertencentes a Pernambuco hoje.

O envolvimento dos portugueses no combate aos holandeses permitiu que os quilombos progredissem com áreas destinadas à agricultura e pecuária, além de se fortificarem em suas defesas. Somente depois de 1654, com o fim dos combates aos batavos, é que os colonizadores portugueses perceberam a ameaça que representava para eles aquele tipo de organização social.

Os engenhos da região, ávidos pela mão de obra escrava, cobraram da coroa portuguesa o fim do Quilombo dos Palmares, o que aconteceu em 1694, após 14 tentativas.

Após o domínio dos quilombos, a sede do município de União dos Palmares viu surgir suas primeiras habitações no século XVIII, quando o português Domingos de Pino construiu a primeira capela do local. Era dedicada à Santa Maria Madalena e a povoação passou a ter o nome da padroeira.

O crescimento do lugarejo provocou seu desmembramento do município de Atalaia, em 13 de outubro de 1831, através de decreto governamental. Em seguida foi criada a “Vila Nova Imperatriz”, ou simplesmente “Imperatriz“. Elevada à categoria de cidade pela Lei 1.113, de 20 de agosto de 1889.

A denominação “União” surgiu através do decreto nº 46, de 25 de setembro de 1890, e teve origem no fato da cidade ser o elo entre as estradas de ferro de Alagoas e Pernambuco. Em 1944, ocorreu a mudança definitiva para “União dos Palmares”, homenageando o Quilombo, que permaneceu na região por quase um século.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Vila Nova da Imperatriz, por resolução provincial nº 8, de 10 de abril de 1835.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Vila Nova da Imperatriz, pelo decreto de 13 de outubro de 1831, desmembrado do município de Atalaia.

Pela lei provincial nº 737, de 07 de julho de 1876, a vila de Vila Nova da Imperatriz é extinta, sendo seu território anexado ao município de Atalaia, como simples distrito.

Elevado novamente à categoria de vila com a mesma denominação anterior, pela lei provincial nº 956, de 13 de julho de 1885.

Elevada à condição de cidade com a denominação de Vila Nova da Imperatriz, pela lei provincial nº 1113, de 20 de agosto de 1889.

Pelo decreto estadual nº 46, de 25 de setembro de 1890, o município de Vila Nova da Imperatriz passou a denominar-se União.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de 6 distritos: União, Barro do Canhoto, Mandaú-Mirim, Mungaba, São José do Bolão e Timbó.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece com o distrito sede, não figurando os distritos da divisão de 1911.

Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município aparece constituído de 3 distritos: União, Barro do Canhoto e Mundaú-Mirim.

Pelo decreto estadual nº 2435, de 30 de novembro de 1938, é criado o distrito de Mungaba com terras desmembrada do distrito de Barro do Canhoto anexado ao município de União dos Palmares.

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 4 distritos: União, Barro do Canhoto, Mundaú-Mirim e Mungaba.
Pelo decreto lei estadual nº 2909, de 30 de dezembro de 1943, o município de União passou a denominar-se União dos Palmares.

No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município de União dos Palmares ex-União é constituído de 4 distritos: União dos Palmares, Barro do Canhoto, Mundaú-Mirim e Mungaba.

Pela lei nº 1473, de 17 de setembro de 1949, o distrito de Barro do Canhoto passou a denominar-se Rocha Cavalcante.

Em divisão territorial datada de 1º de dezembro de 1950, o município é constituído de 4 distritos; União dos Palmares, Mundaú-Mirim, Mungaba e Rocha Cavalcante ex-Barro do Canhoto.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1955. Pela lei estadual nº 2245, de 14 de junho de 1960, desmembra do município de União dos Palmares os distritos de Mundaú-Mirim e Mungaba, para formar o novo município com a denominação de Santana do Mundaú.

Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 2 distritos: União dos Palmares e Rocha Cavalcante.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.


14 coisas que ninguém te conta antes de assumir uma sala de aula

Há mais coisas entre a teoria e prática do que você pode imaginar antes de pisar em sala com crianças ou adolescentes 

Que professor em sala de aula nunca sentiu que havia uma grande distância a ser percorrida entre a teoria e a prática da profissão? “Tudo que estava além da lousa, eu só fui aprender na prática. Ninguém me contou”, diz Di Gianne de Oliveira Nunes, docente de História na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC), presídio em Lagoa da Prata (MG). Ao longo dos 14 anos na carreira, algumas situações já são conhecidas e melhor contornadas pelo professor. “A prática faz você melhorar, mas cada turma é uma experiência única”.

O cenário de sala lotada, muitas turmas, problemas de infraestrutura, comportamento e as dificuldades de aprendizagem pode ser ainda mais desesperador para quem é iniciante – mesmo no caso de quem é familiarizado com a dinâmica da vida docente. “Muitas pessoas da minha família são professores. Eu sempre estive perto dessa realidade, mas acontecem coisas na escola que você não imagina”, conta Lorena Carvalho, professora do 1º ano em Mogi das Cruzes (SP) e autora da página Professora Coruja. Relembrando seus primeiros anos de docência e algumas experiências que nunca deixam quem lidera uma sala de aula, três professores contam o que ninguém contou para eles antes de encararem suas primeiras turmas:

1)  Todos os dias dentro da sala de aula são imprevisíveis
Você passou horas em cima do planejamento da semana, adiantou as possíveis perguntas que os alunos poderiam fazer sobre o conteúdo da aula, considerou a dinâmica que usaria para introduzir a matéria… mas não foi bem assim que aconteceu quando chegou na hora da aula? Não se preocupe, você não é o único! A dinâmica da sala de aula é influenciada por muitos atores: são ali 30 ou 40 alunos com experiências e personalidades diferentes e um adulto entre quatro paredes para orquestrar tudo. E não é como se a sala de aula fosse um espaço paralelo do universo: futebol, política, polêmicas, redes sociais, sentimentos… tudo vira pauta nas conversas da turma e influencia o ambiente. No meio disso tudo, é inevitável prever o que pode acontecer nos 50 minutos de aula. “Lecionar é uma história por dia”, define Di Gianne.

2)  Às vezes, você acha que não vai conseguir chegar até o fim do ano
“No meu primeiro ano como alfabetizadora, eu pensei: o que é que eu estou fazendo aqui?”, confessa Lorena. Uma série de componentes davam tom ao questionamento da professora: além da insegurança natural de quem é iniciante na profissão, a ansiedade dos pais e responsáveis para que as crianças começassem a ler e escrever e a autocobrança de garantir o aprendizado da sua turma colaboraram para a sensação de dúvida. O sentimento é recorrente entre os professores e se dão em diferentes momentos da carreira e por motivos variados. Alguns professores porque têm turmas impossíveis de controlar… outros, às vezes, por estarem com uma sala muito distinta das que estão habituados. Di Gianni, por exemplo, acostumado com as turmas do Ensino Médio, decidiu se aventurar pelo 6º ano. “No início, eu achei que não fosse conseguir chegar no final do ano, era uma linguagem totalmente diferente da que eu estava acostumado”. Levou um tempo para que o professor se habituasse às peculiaridades da faixa etária, mas logo ele superou o sentimento. “A prática faz você melhorar”.

3) Algumas vezes você será a pessoa de referência na vida de um aluno para as horas boas e ruins
São compartilhamentos de alguns segredos e histórias, outros pedidos de conselhos e até mesmo de ajuda. Por ser uma figura que pode compartilhar muitos anos da vida escolar de um aluno, o professor, inevitavelmente, acaba se tornando uma outra referência – sendo, por vezes, até mesmo a principal ou única – para alguns alunos. “Um dia uma ex-aluna me ligou no telefone da escola. Ela disse que tinha tomado veneno para rato, mas que não queria morrer”, relembra Di Gianne. O professor saiu para socorrer a ex-aluna e, dias depois, ao visitá-la, ele a questionou sobre o motivo de tê-lo escolhido para a ligação. “Ela disse que lembrou de uma aula minha sobre a Era Vargas em que o tema acabou caindo também no suicídio do presidente e em assuntos mais existenciais”. Na aula, o professor disse para a turma que se alguém pensasse em suicídio, poderia contar com ele. “Anos depois, uma aula sobre Vargas salvou uma aluna. Eu nunca pensei que a gente seria tão tudo na vida de muitos alunos”.

4) Alguns professores são tão competitivos que você se sente a própria loja da concorrência 

A competição de quem se destaca mais é aberta para todas as categorias. “A guerra de egos para ver quem manda mais é a pior coisa que eu já passei na escola”, diz Danúbia da Costa Teixeira, professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa na EE Alberto Caldeira, em Guanhães (MG). “Às vezes, tem competição até para ver quem reprova mais alunos, achando que é o professor mais respeitado”. E o que poderia ser uma rede de colaboração, pode acabar virando concorrência. Nessa de ver quem faz mais, até dedurar o que acontece nas salas alheias parece valer. “Em uma aula sobre reis absolutistas, coloquei um aluno sobre a carteira para fazer uma pequena encenação”, conta Di Gianne. Por acaso, um docente viu e a história de que o novo professor permitia até que os alunos subissem nas carteiras chegou até a gestão da escola. “Às vezes, a relação entre professores até parece concorrência entre lojas”, define o professor.

5) Você será surpreendido pelos alunos quando menos esperar
Especialmente as crianças são reconhecidas pelas “pérolas” que soltam em comentários despretensiosos ou análises inesperadas. Mas não são apenas comentários que podem fazer o queixo dos professores cair. São perguntas inesperadas que podem te deixar em uma saia justa ou te levam a pensar sobre coisas que nem estavam em seu radar; provocações que podem ser o início de um novo projeto ou apenas te tirar do sério; atitudes que surpreendem pela sua maturidade ou pela imprevisibilidade. A professora Lorena, acostumada a dar aulas para os pequenos, afirma que as surpresas vão desde coisas simples, como avaliar que a mãe do pintor Van Gogh provavelmente era muito brava já que o quarto dele era arrumado e não tinha nenhum brinquedo até tentativas de resolver conflitos entre a turma. “Já presenciei uma criança na Educação Infantil dando uma lição de moral sobre uma outra que implicava muito com os colegas”, relembra. 
 
6) Ser professor é viver várias gerações
Você achou que não viveria várias gerações porque não acumulou décadas na profissão? Esqueça… entra ano e sai ano, os alunos trazem suas modas para o espaço escolar e, se você não estiver ligado na molecada, pode se perder nas referências. “Ser professor é viver várias gerações. Tinha a moda da franja “emo” e logo passou. A moda, músicas, os cabelos… tudo vai mudando”, reflete Di Gianne. É por esse motivo, que ele se mantém atento ao que os alunos estão consumindo e falando sobre. Através de letras de músicas que os alunos se identificam, como o rap, o professor vai abrindo caminhos para conteúdos do seu componente curricular.

7) Você é lembrado por coisas que nem imaginava
Pode ser uma notícia sobre um tema que você falou em sala de aula. Uma dica que fez toda a diferença naquele vestibular. Um aprendizado que ajudou a resolver um problema fora da escola. Ou uma coisa que você disse despretensiosamente e mudou uma forma de pensar, influenciou uma decisão de carreira ou até mesmo salvou uma vida. Se você está em sala de aula, pode ser que nem saiba, mas com certeza já marcou ou ainda marcará a vida de alguém (e por motivos, geralmente, que vão além da sua disciplina). E é muito provável que você, professor, também tenha sido marcado por um docente ao longo da sua trajetória escolar e universitária. No caso de Danúbia, foi um sorteio feito por uma professora que também tinha uma sorveteria e sorteou cupons para trocar por sorvetes. “Eu tinha 13 anos e era o último dia de aula. Foi a primeira vez que tomei sorvete. Isso me marcou muito. Até hoje, sempre que eu tomo sorvete, me lembro dela”, conta a professora. Hoje, é ela quem é lembrada por seus alunos que se deparam com determinados livros de literatura.

8) Sempre sai um dinheiro do seu bolso para comprar materiais para a turma
Que professor nunca abriu sua carteira para xerox, para fazer um trabalho diferente, garantir o mínimo de material necessário para que as crianças pudessem desenvolver uma atividade ou simplesmente fazer um agrado para a molecada em uma data especial? “Toda professora, independente de ser escola pública ou particular, já gastou ou gasta um dinheirinho para fazer seu trabalho”, diz Lorena. Em algumas escolas, por falta de recursos, o corpo docente por vezes necessita até mesmo comprar materiais básicos para o seu trabalho, como giz. Outras, para evitar o gasto de tempo da aula com cópias da lousa (e aí a xerox ou impressão entram na conta do professor). Muitas vezes, a verba é para apoiar o desenvolvimento de um trabalho mais atraente e dinâmico com os alunos. Mas, dependendo do caso, pode ser até para fazer uma alegria para alunos em situações econômicas difíceis. “Essa semana, fiz uma vaquinha para comprar bolo para um aluno que fazia aniversário e os pais não tinham como pagar. Esse tipo de coisa é comum”.

9) Nem sempre o professor tem razão
A ideia de que o professor é o único detentor do conhecimento já caiu por terra. Mas o que nem todo mundo conta (ou gosta de admitir) é que o professor também erra: nem sempre ele tem todas as respostas, nem sempre ele tem os reflexos mais corretos para resolver as situações imprevisíveis que surgem em sala ou a melhor atitude para lidar com um comentário ou comportamento inconveniente. A verdade é que, como qualquer outro ser humano, eles estão sujeitos também a não ter sempre razão. “Acontece muito”, revela Danúbia. Uma vez, a professora não concordou muito com o teor de um dos textos escolhidos para representar a escola em uma Olimpíadas de Língua Portuguesa. “Era um texto de opinião e eu quis mudar porque achava que feria a lei. A dona do texto disse que não mudaria porque era a opinião dela e não abriria mão disso. Mesmo discordando refleti sobre isso e pensei que tinha feito um bom trabalho já que ela tinha se apropriado do gênero textual e me questionado sobre a mudança”. Além de refletir, dependendo do caso, vale reconhecer o erro e se desculpar com o aluno ou turma em relação à atitude.

10) A identidade de professor te acompanha em todos os lugares
Às vezes, são os outros que não te enxergam fora desse papel. “Uma vez eu comentei em uma turma de Educação Infantil que minha vó iria me visitar em casa. Eles perguntaram: você tem casa? Você tem vó?”, lembra Lorena. “Parece que eu sou um robozinho que só é professora!”. E, se, às vezes, as crianças conflitam sobre a “dupla” identidade dos professores, muitas vezes são eles mesmos que não te deixam esquecer da sala de aula. Se você mora próximo da comunidade em que leciona ou em uma cidade pequena, é provável que com frequência esteja andando distraído pela rua ou utilizando serviços e seja interrompido por alguém chamando “professor”. Em outros casos ainda é você quem está tão nele que não consegue se desvincular do papel. Alguns familiares e amigos de Lorena, por exemplo, dizem que ela tem um “tom de professora” ao falar. “Eles dizem: você não está mais na sala de aula!”.

11) A formação continuada não era bem como você imaginava
“Muitas vezes quando eu estava na faculdade, imaginava que terminaria o curso e depois faria uma pós e ficaria tranquila”, conta Lorena. Mas os planos de Lorena não se seguiram exatamente assim… em sala, ela foi percebendo que precisava de mais informações e desenvolvimento do que a faculdade tinha oferecido. Assim, diante das necessidades que surgiam, ela foi correndo atrás dos temas em um desenvolvimento profissional constante. “Hoje eu vejo que a formação continuada é essencial e muito ligada ao que está acontecendo comigo e às necessidades da minha turma”, pondera. Di Gianne concorda que ela é fundamental para o professor não só ir vencendo as lacunas da formação inicial, mas ir se aprimorando na prática do que já conhece. “Se o professor quer sobreviver na profissão, ele tem que gostar de se atualizar e ser criativo. A aula que eu daria há 10 anos nunca é a mesma que eu dou ano após ano”.

12) Você nunca imaginou a quantidade de doenças que compartilharia com as crianças
Depois da pré-adolescência você jamais poderia imaginar que pudesse ser vítima de situações comumente relacionadas às crianças. “Eu nunca imaginei ao optar pela carreira docente que fosse pegar piolho, tanta conjuntivite ou virose. Já perdi vários chás de cozinha das minhas amigas porque estava com virose”, fala Lorena. “Aos poucos, seu corpo vai criando resistência. Esse ano, eu não fiquei muito doente, mas peguei algumas gripes da turma!”. Mas, de acordo com Danúbia, não são só as doenças que são compartilhadas pela sala toda. “Toda vez que alguém vai embora, todo mundo chora. Quando tem um término, todo mundo se sensibiliza”, diz.

13) Improvisar também faz parte do trabalho
Você planejou aquela aula, mas entrou na sala de aula e… não tinha lousa disponível. Ou um acontecimento entre a turma ou no noticiário mudou tudo. Não dá para simplesmente ignorar e seguir o planejamento ou cancelar tudo. “O professor tem que agir na emergência, estar atento ao que vai vir e utilizar aquilo como ponto positivo, sem medo”, aconselha Di Gianne. “Já aconteceu comigo de estarem reformando a lousa e não poder usar. Decidi usar a área externa da escola como lousa e fui desenhando no chão. A gente vai aprendendo todo dia e se aprimorando”.

14) O período de férias escolares parece longo só para quem está olhando de fora
O sonho de ter três meses de férias parece ser a realização máxima do equilíbrio entre trabalho e descanso, certo? Mas, as atividades para além da aula em si e o desgaste da sala de aula vai mostrando que não é bem assim a vida de professor. “Não imaginei que professor trabalhava tanto! As pessoas jogam na minha cara que tenho duas férias, mas eles não sabem a quantidade de tarefas da escola que a gente leva pra casa!”, desabafa Lorena. No início da carreira, a relação meses trabalhados e de descanso até parecem mais equilibradas… “Até meu quinto ano de carreira, eu achava tranquilo. Hoje, com o tempo, a rotina e o cansaço, quando chega as férias eu estou esgotada”, diz Danúbia.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Memórias da Serra da Barriga, território de amores!

Meus primeiros contatos com a Serra da Barriga se deram na juventude, com as Pastorais católicas, quando subíamos a pé em atitude de fé e reencontro íntimo com a ancestralidade guerreira.

Cantávamos e dançávamos a liberdade!

Meus amigos da Pastoral de Juventude do Meio Popular movimentavam uma energia incrível, pelo senso de pertença à história de Zumbi, nossa história!

Outras tantas vezes voltei à Serra, quando a política de nacionalização do patrimônio foi realçada, e lá estive também quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursava no calor abrasante, tão perto do povo, tão perto dos ancestrais negros e caboclos guerreiros!

A Serra é habitação dos resistentes, que não desistem de incentivar quem está sufocado pelas lides do mando!

Nessa energia de plenitude, uma jovem mulher estudante de Ciências Sociais e um jovem rapaz estudante de Jornalismo começaram um namoro que dura até estes dias, lá no platô das divindades.

Eu e Odilon Rios saímos da Serra da Barriga como namorados!

Tanto amor e carinho por aquela barriga sinuosa, é a imagem da Serra na noite do velório do meu pai, José Bento, um negro palmarino que foi velado nas margens rasas do Mundaú na noite de 13 de outubro de 2016, enquanto uma lua de enorme disco de prata passeava pelo céu a clarear os caminhos dos filhos dos tempos.

Como fugir ou negar essa sina de resistência?

Há sangue de negro nas minhas veias palmarinas, e meu coração canta e chora a saudade dos amores e a alegria de amar, aos pés da Serra.

Todos os dias a luta por liberdade se refaz.

Zumbi e Dandara estão em cada um de nós.

Ela vive


Mulher, negra, violentada. O que parece manchete atual, na infelicidade de não termos superado resquícios históricos, é a descrição de Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares.

Na semana passada, ao assistir diversas manifestações sobre a Semana da Consciência Negra, conheci esta história. Depois da admiração por esta mulher, me indaguei o porquê de nunca ter lido sobre ela ou visto seu nome e sua trajetória em meus livros de História.

Em 1665, em Angola, aconteceu a Batalha da Ambuíla e, nela, uma princesa foi capturada. A filha do rei foi trazida para o Brasil, por diversas vezes foi estuprada e virou escrava reprodutora. No entanto, como nobre, tinha estudo e poder de estratégia, e assim, organizou uma fuga e orientou outros escravos. Foram para a região onde se firmou o Quilombo dos Palmares e lá tornou-se governante, graças a seus conhecimentos de política, organização e guerra. De sua filha Sabina, nasceu Zumbi.

A trajetória de Aqualtune não aparece nos livros oficiais porque, como muitas, trata do protagonismo feminino e, ainda, da versão dos oprimidos. Para conhecer histórias como estas, a Internet acaba sendo uma brecha e uma contracorrente. Na rede podemos saber de relatos de pessoas comuns, opiniões de desconhecidos, lutas de marginalizados. Nela, na semana passada, vimos que muita gente não vê sentido no Dia da Consciência Negra, por achar que “todo dia é da Consciência Humana”, numa tentativa de se esquivar da reflexão que a data propõe.

A celebração ocorre em 20 de novembro pois, neste dia em 1695, morreu Zumbi dos Palmares. O Quilombo foi mais do que esconderijo de escravos – ideia que nos foi ensinada como leitura de que “quem se esconde fez algo errado”. Tornou-se uma sociedade alternativa, organizada, democrática, em pleno século XVII, em plena escravidão. Foram cerca de 20 mil pessoas que viveram ali. Foram mais de 100 anos de existência. Foram 17 expedições militares que não conseguiram derrotar Palmares.

Esta data tem de ser lembrada e estas histórias têm de ser contadas, pois trata-se do feito simbólico da liberdade e da independência mais importante do Brasil. Talvez isso deva ser a inspiração para o termo “consciência negra”, como proposta de reflexão, de autoconhecimento e de busca por direitos iguais. Talvez seja o dia em que mais se deva pensar na provocação feita pela professora e socióloga americana Jane Elliott: “Eu quero que todas as pessoas brancas nessa sala, que ficariam felizes se fossem tratadas como essa sociedade, em geral, trata os cidadãos negros, por favor, se levantem”. Ao perceber que ninguém ficou de pé, ela arremata: “Isso mostra claramente que você sabe o que está acontecendo, você sabe que não quer isso pra você. Eu gostaria de saber por que vocês estão aceitando e deixando isso acontecer com os outros”.  

Para pensar. E agir.

domingo, 25 de novembro de 2018

Otávio Praxedes destaca importância da educação para alunos de escola em que estudou


Mais de cinco décadas depois de ter estudado na Escola Estadual Rocha Cavalcanti, em União dos Palmares, o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), desembargador Otávio Praxedes, pôde incentivar, nesta quinta-feira (22), os atuais alunos da instituição a se dedicarem aos estudos. O desembargador recebeu uma placa de reconhecimento pelos serviços prestados a Alagoas e aproveitou para falar sobre sua trajetória e suas conquistas através da educação.

“Hoje estou aqui para matar essa saudade do lugar onde iniciei tudo. Fui uma pessoa muito pobre e queria dar meu exemplo para as crianças daqui também e dizer que elas podem ter essa mesma realização de vida, sendo uma pessoa de origem humilde. Só tenho a agradecer a Deus por estar em uma condição melhor hoje, mas tudo através dos estudos”.

O desembargador Otávio Praxedes também lembrou dos tempos em que vendia pastéis feitos pela sua mãe na porta da escola para ajudar a complementar a renda da família, composta por uma mãe professora, pai motorista e 11 irmãos.
“Foi aqui que eu iniciei meus passos estudando e Deus me ajudando. Saindo daqui fui estudar em Maceió. Lá, fiz vestibular, entrei na Universidade Federal de Alagoas, terminei o curso de Direito, fiz outro curso superior, Administração Pública, e depois retornei à universidade para fazer pós-graduação. Posteriormente, fui a Buenos Aires fazer doutorado. A minha trajetória foi muito ligada aos estudos e reconheço que foi através disso que eu me realizei na vida. As coisas materiais que conseguimos nos dão uma sensação de felicidade, mas os estudos foram mais importantes para mim, porque o que aprendi na vida ninguém nunca me tirou”, revelou o presidente.

Diretora da escola desde 2015, Sandra Vitorino Nascimento explicou que a instituição alcançou, em 2017, a maior nota do IDEB em Alagoas. Segundo ela, homenagear o presidente Otávio Praxedes é uma forma de mostrar aos estudantes o poder da educação pública de qualidade.

“A escola está com o movimento normal porque não adiantava fazer uma homenagem a um ex-aluno sem estar presente a peça fundamental da nossa instituição, que são os alunos. Eles presenciarem que tem um ex-aluno que, em 1962, concluiu seus estudos na nossa escola e está retornando dentro de uma conquista profissional dessas é algo de se espelhar e dizer ‘eu também sou capaz’. Nada mais tem fundamento do que você educar pelo exemplo, exemplificar que o aluno é capaz de conquistar o que ele quiser, desde que tenha, primeiro, fé em Deus e, segundo, que ele se agarre a nossa arma poderosa que é a educação”, disse a diretora.

José Elaine Lopes de Oliveira, amigo de infância e ex-professor do presidente Otávio Praxedes, lembrou o tempo em que jogavam futebol juntos e dos momentos na sala de aula.

“Pela carência de professor, eu terminei o ginásio e fui ensinar. Ensinei 3ª e 4ª séries a ele, ensinei Matemática e Organização Social e Política Brasileira. Como aluno ele era bom, tinha suas fases, mas era comportado por causa da disciplina doméstica. É um prazer muito grande ter um amigo de infância que hoje se encontra como presidente de um dos poderes do estado. Para mim é um orgulho”, disse.

Também muito lembrado pelos colegas pelo seu desempenho como jogador de futebol, o presidente Otávio Praxedes falou sobre sua trajetória curta e feliz no esporte.

“Eu e meus irmãos gostávamos muito de jogar futebol, mas minha mãe puxava muito pelos estudos. Também tive muitas realizações jogando futebol, comecei jogando no [time] Zumbi, no Náutico e quando fui estudar em Maceió fui convidado para jogar no CSA. Fui campeão alagoano, mas deixei o futebol rápido. Com 21 anos fui me dedicar aos estudos. E foi através dos estudos e com essa lembrança muito positiva do futebol que eu agradeço a Deus pelas realizações de vida”, contou.

Dona Elza Lopes de Oliveira, que foi vizinha e colega de escola do presidente, falou sobre a emoção de poder rever todos da família e relembrar a época em que conviviam. “Ele era um ótimo colega, jogava muita bola, chegava suadinho em casa e a mãe dele já mandava ele tomar banho para ir para a aula. Eu morava perto deles, ele era um menino educado e muito bom e continua. Fiquei muito emocionada em rever ele, a mãe e os irmãos. Relembramos o passado”, disse.

Os estudantes da escola fizeram da homenagem uma grande festa com apresentações culturais, como peça teatral, apresentação de música e contação de poesias. O Coral do Poder Judiciário de Alagoas também participou da solenidade.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Projeto Antonio Gomes reconhece potencial da cultura afro-brasileira

Na última terça-feira, 20, comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A data celebra a memória dos guerreiros quilombolas e do seu maior líder Zumbi dos Palmares. Nessa semana festiva a Escola Municipal Dr. Antonio Gomes de Barros apresentou para a comunidade escolar e visitantes o projeto “União dos Palmares revive em mim, sou Filho do Quilombo, Negro Sou!!!”. O projeto engloba diversas atividades desenvolvidas pelos professores que abordam temas como racismo, o surgimento do quilombo e seus principais nomes. 

Há 5 anos a escola Antonio Gomes vem abordando temas relacionados a questão da negritude no município através de exposições e atividades em sala de aula. O Projeto Afro é coordenado pelo professor José Marcelo. A exposição desse ano teve um espaço para interação dos alunos e visitantes nos corredores da escola. Todos poderiam colorir alguns dos desenhos espalhados pela mostra.

Entusiasmados os estudantes prestigiaram nesta tarde uma dramatização teatral (Destruição de Palmares), dança (Dandara), leitura de livro (Menina bonita do laço de fita), poesia (Me gritaram negra), gráficos (Porcentagem de negros no Brasil, Nordeste e Alagoas), capoeira e concurso do mais belo e bela estudante negro. 

A cada apresentação ficava nítido a felicidade dos professores e alunos envolvidos no evento ao tempo que TODOS estavam torcendo para o sucesso dos companheiros. 

Foi justamente neste clima de solidariedade que foram feitas falas da direção e coordenação da escola. "Quero agradecer o comprometimento dos profissionais e alunos a cada ação proposta pela Secretaria de Educação de União dos Palmares (SEMED). O que vocês estão apreciando nesse momento é uma super aula enriquecedora que vocês vão levar para a vida" falou Cleonice da Silva. 

Em 06 de fevereiro de 1694 o Quilombo dos Palmares foi destruído pela tropa de Domingo Jorge Velho. A invasão deixou um banho de sangue onde negros, índios e brancos pobres foram exterminados. E, precisamente, hoje vimos a força dos discentes e o pertencimento sobre a cultura palmarina que é conhecida no mundo pelo legado de liberdade que tanto lutou os militantes que viviam no Quilombo dos Palmares. 

Viva Zumbi dos Palmares!!!
             



segunda-feira, 19 de novembro de 2018

130 anos depois… – A nódoa do racismo ainda permanece

 Mesmo sentindo na própria pele as consequências do racismo, presidente da Unegro aponta que houve avanços nos últimos anos

A escravidão do povo negro no Brasil durou mais de três séculos, perdurando de 1550 até 1888. Durante esse tempo, os negros escravizados deram uma contribuição inestimável para a construção do país, tendo sido responsáveis pelo impulsionamento da economia nacional mas, ao mesmo tempo, sofrendo todo tipo de violência e privação decorrentes da sua condição de povo escravizado.

A situação de escravizados não foi aceita pacificamente por grande parte dos negros trazidos à força da África, que resistiram à situação e fugiam para dentro das matas fechadas, criando os chamados quilombos, que abrigavam os negros que fugiam de “seus donos” e se juntavam a outros na mesma situação para resistir à escravidão.

O mais famoso de todos os quilombos foi o de Palmares, localizado na Serra da Barriga, no estado de Alagoas, que chegou a abrigar cerca de 20 mil negros fugidos da escravidão. Seu maior líder, Zumbi, foi morto em 20 de Novembro de 1695, cerca de um ano após todos os demais negros do quilombo serem dizimados por forças militares enviadas pelo governo da época.

Hoje, decorridos 130 anos da libertação dos negros escravizados, os cidadãos negros e as cidadãs negras ainda sofrem com o preconceito racial e com a discriminação por conta de sua cor, o que pode ser visto não só pela forma discriminatória como muitos são tratados, mas principalmente se observarmos o reduzido número de negros e negras que ocupam posições de destaque na sociedade brasileira e a pequena quantidade dos mesmos que goza de boas condições financeiras.

Para lembrar o sofrimento dos negros e negras escravizados e denunciar o preconceito que até hoje vitima essas pessoas por conta da cor de sua pele e de sua herança histórica, foi instituído o Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares.

Fonte: A Tribuna

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Lançada a programação do 20 de novembro em União dos Palmares

A Prefeitura de União dos Palmares disponibiliza nesta terça-feira (14/11) a programação oficial dos festejos em alusão ao mês da Consciência Negra, cujo o dia nacional é 20 de novembro.
No cronograma que ocorrerá na Serra da Barriga (Parque Memorial Quilombo dos Palmares), seguem os tradicionais cortejos religiosos de matrizes africanas, com uma homenagem também de orquestra à Zumbi dos Palmares. Já no município, grande parte da programação vai acontecer na Estação Ferroviária, lugar de importante representatividade histórica, com apresentações artísticas e culturais, mobilização das escolas municipais em tributo à temática, feira de artesanato, concurso de reggae, uma projeção mapeada na Casa Jorge de Lima, e muito mais.
O Parque Memorial da Serra recebe cerca de 20 mil visitantes todos os anos. O local abrigou o Quilombo dos Palmares, um marco na luta de mais de um século dos negros escravizados no Brasil, certificado, inclusive, como Patrimônio Cultural do Mercosul.
Confira a programação completa nas artes em anexo, que tem apoio da Fundação Palmares e do Governo do Estado.
Secom