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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

A História de "Dona" FLAMBOYANT, Moradora de União dos Palmares


Olá!

Me chamo Flamboyant Vermelha e sou natural do continente africano. Devido a beleza do meu porte e das minhas flores sou requisitada para embelezar praças e ruas das cidades. Falo isso porque sou elogiada por quem passa pela minha rua... Outra coisa: não sou modesta! kkkk
 
Minha residência fica em frente da SEFAZ - Secretaria do Estado da Fazenda de Alagoas - aqui na Rua Cel. José Bezerra, centro de União dos Palmares. Minhas vizinhas são as amigas Amendoeiras da Praia, conversamos muito e damos apoio uma as outras.

Bem, vou contar histórias que vivencio morando aqui no centro da cidade. A primeira é bem triste! Meu círculo de amizade era maior, já que muitas árvores com nome de Mata Fome moravam no Parque Antenor Uchôa (lembram dele?), onde atualmente é a “Praça de Alimentação”, elas foram mortas para dar lugar a uma dúzia de pontos comerciais. Por sinal, um lugar confuso visualmente.

Lembro que aos domingos o parque ficava lotado de familiares brincando e correndo entre as árvores enormes e brincando nos brinquedos que tinham. Ambulantes vendendo doces, pipocas, lembrancinhas. Famílias, amigos conversando e dando gargalhadas. Na semana os namorados ocupavam os bancos do bosque com carinhos e beijos.
 
Hoje não converso com esses amigos queridos 😩😪😭

Ao lado da nossa casa existe a "feirinha do rato" como os populares chamam, já que são comercializados produtos em sua maioria semi usados pelos ambulantes. De uns anos prá cá esse espaço ficou feio... São tantos barracos feitos de ferro e papelão nas cores cinzas e tamanhos diversos que parece uma mini favela, certamente, se fossem padronizados nas cores da bandeira do município ficaria mas "harmonioso" como diz as amêndoas. 

A noite aqui a gente ver e escuta cada coisa! 😏 😃 😂 💣. 

Antigamente na frente existia uma fábrica de correntes, onde os funcionários gostavam de nossas sombras e ar fresco. Agora temos novos comércios, tipo: escola, posto de combustível, um banco privado, assim como casas de moradores. O movimento de transportes e pessoas é muito intenso. Uns motoristas quando passam buzinam pra gente kkkkk. Pessoas comentam que somos bonitas "Muito Obrigada!", e os meninos, pássaros e insetos comem os frutos amêndoa.

As vidas e histórias dos palmarinos se entrelaçam neste espaço, a felicidades dos alunos adolescentes, a serenidade dos adultos sacando e fazendo pagamentos, amigos comemorando ao som de músicas. Porém, vemos preocupadas motociclistas sem capacetes, condutores sem cinto de segurança, pedestres atravessando desatento ao celular. Ficamos com medos que possam acontecer algo ruim com eles. 

Em minhas memórias tenho saudades dos trens que passavam cheios de mercadorias e passageiros, o vento nos ajudava a saldar quem passava olhando a cidade pelas janelas. Ao lembrar desse tempo fico pensativa porque essa época não voltar mas. Não volta!

Não sei até quando vão nos deixar ficar aqui na SEFAZ, alguns funcionários amiguíssimos 🔝s vão trabalhar na capital (chega a dar calafrios quando penso numa motosserra!), por mim ficaria o resto da minha existência, dando as boas vindas as novas gerações de árvores e arbustos plantados por alunos e ambientalistas ao redor da linha do trem e nas residências.

Quero lembrar aos homens que forem embelezar o mundo que damos: sombra, frutos, morada para pedintes e animais, chamarmos chuvas e ventos e ainda deixamos tirar selfie com a gente.

Guardem suas ferramentas! Elas nos ferem, nos matam. Guardem suas indiferenças, pois  elas também nos matam! Apenas queremos contar nossas histórias para as futuras gerações de conterrâneos da Terra de Zumbi dos Palmares e dos milhares de visitante que circulam no município. 

E quando tombarmos, que seja pelo ciclo natural da vida.

Vou ficando aqui... Beijos 💋 😍 💕💓 

Leia AQUI:

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Estamos de recesso escolar em União dos Palmares

Hoje 19, é o terceiro dia do recesso escolar no município de #UniãodosPalmares. Próximo 29, uma segunda-feira voltaremos para o segundo semestre.

Os oitos dias será para descansar um "pouco", já que nós profissionais da educação temos cadernetas, planejamentos das aulas, leituras pendentes entre outras obrigação de professor.

Porém, voltaremos com a mente arejada e, com gás para levar o melhor para nossos alunos palmarinos e das cidades vizinhas que estudam na terra de Zumbi dos Palmares.

Bom recesso para todo/as!!!

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Iteral confirma parceria no evento Vamos Subir a Serra

O projeto encontra-se na terceira edição e contempla uma ampla programação sociocultural e econômica.

O Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral) foi procurado nessa terça-feira (09) pelas coordenadoras do projeto Vamos Subir a Serra: Valdice Gomes e Simone Benchimol. No encontro com o diretor presidente Jaime Silva e o gerente de Política Agrária e Fundiária, Severino Araújo, destacou-se a importância do evento que integra o calendário cultural no mês da consciência negra em Alagoas e reúne ativistas, pesquisadores, população em geral, além de turistas.

O projeto encontra-se na terceira edição e ocorrerá no período de 14 a 17 de novembro de 2019. Durante os quatro dias o público terá acesso gratuito ao Espaço Cultural Zumbi dos Palmares – uma tenda de 1.100m2, climatizada, que é instalada na Praça Multieventos na orla da Pajuçara em Maceió, com várias atividades: feira do empreendedor negro e de comunidades quilombolas, espaço de valorização da beleza negra, seminários, debates, palestras e apresentações afroculturais; e no dia 19 de novembro, terá uma programação especial no Parque Memorial Quilombo dos Palmares em União dos Palmares.

A jornalista e coordenadora geral do projeto, Valdice Gomes, explicou que o apoio do Iteral será essencial para fortalecer a participação das comunidades quilombolas no evento, já que possui uma assessoria técnica voltada para esse público. “Neste ano, além do seminário quilombola, pela primeira vez, queremos integrar à feira gastronômica uma Feira da Agricultura Familiar e Quilombola. O Iteral possui uma ampla experiência na realização dessas feiras e queremos dar visibilidade a produção das comunidades com o artesanato e comidas típicas”, citou.

O diretor presidente Jaime Silva destacou que o Iteral tem todo o interesse em participar do projeto, inclusive, orientou a sua equipe para fazer o planejamento quanto à infraestrutura adequada e o número de feirantes necessários; além de organizar uma exposição na Serra da Barriga.

O projeto é uma iniciativa do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, entidade do movimento negro de Alagoas, vinculada aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), e conta com a gestão de Simone Benchimol da RP Eventos. Possui recursos do governo federal, por meio da Fundação Cultural Palmares (FCP), e a parceria da Prefeitura de Maceió sendo representada pela Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC).

terça-feira, 2 de julho de 2019

Os professores da minha vida...

Dinorá é o nome da primeira professora de quem me lembro. Era morena, estatura mediana, cabelos cacheados, lecionou para a segunda série do ensino fundamental na Escola Estadual Marechal Rondon, em São José dos Quatro Marcos, na década de 80.

-Até hoje tenho fotos dela no meu álbum. Como havia perdido o pai recentemente, ela acabou me salvando de vários episódios de bullying: "Olha lá a menina sem pai", "sem pai, sem pai, ela não tem pai" (em tom de música), "você deve morrer igual seu pai" ou "vem aqui, vou te dar um tiro". Dinorá geralmente me resgatava em algum canto, com medo e chorando.

Se por um lado admirava absurdamente os professores, por outro, vivia uma contradição infantil: Por que eles eram tão maltratados pelo governo? Era comum fazerem rifa ou cota para colocar comida à mesa devido aos sucessivos atrasos salariais. Não sabia explicar, eram pobres, mas pareciam orgulhosos e felizes no cumprimento do seu ofício.

Orivaldo, de história e geografia, é o segundo nome do qual me recordo. Ele era divertido e bem-humorado. O que significa ‘quando dois carros se chocam?’ Parece que foi ontem, ele tentando me soprar a resposta 'acidente geográfico', porém eu ficava repetindo 'é uma batida'. Nunca mais me esqueci, porque errei na prova!

Sempre fui muito elétrica. Quando pequena, me envolvia com tudo que se possa imaginar: trabalho voluntário, teatro, catequese, piano, inglês e até esportes. Mesmo eu sendo péssima em vôlei e basquete, a professora Rosa, de educação física, nunca me disse ‘você não pode fazer’ ou ‘isso é perda de tempo’. Lembro com carinho das tardes divertidas de treino na quadra da escola.

Ah, como tenho saudades do bosque ao lado da sala de aula do 7º ano, onde fazíamos piquenique na hora do recreio e jogávamos queimada. A escola era toda florida, havia primaveras colorindo a fachada. Sinto um aperto no peito e muita gratidão, pois nos anos mais difíceis, aquele era meu mundo encantado.

Os próximos nomes da lista são da família Lessi, Maria Inês e Eliane. A primeira me ofereceu carinhosamente os primeiros passos em língua portuguesa. Já no 8º ano, um choque ao primeiro contato com a Escola Estadual Bertoldo Freire: a temida e carrasca professora de matemática. Sempre gostei de desafios e conquistar o carinho dela levou pouco tempo.

Além de uma excelente professora, o que mais me marcou em Eliane Lessi foi o seu carinho de mãe. Estávamos na adolescência, com descobertas acontecendo. Ela poderia ser indiferente, mas passou uma aula inteira, brava, explicando à turma sobre respeito nos relacionamentos. “Nunca mais quero vocês, meninas, sentadas no colo de ninguém!”.

Uma professora incrível, assim era a Nancy. Costumava ver Jô Soares diariamente até tarde, para participar ativamente das suas aulas! Não me importava em chegar chorando na escola por causa da violência doméstica, porque sabia que a professora de português estaria lá, para me ouvir, debater e me fazer pensar. Ela foi ao longo de dois anos a minha razão de viver. (obrigada!)

Também tenho boas lembranças do professor Júlio, do ensino médio, em Cuiabá. Ele falava baixinho e era todo educado. Mas eu não entendia direito o que ele dizia ou explicava, então, o que tinha de melhor? Era marido da Emiko, a inesquecível professora de geografia do colégio Isaac Netwon. "Minha estrela tem alguma contribuição à aula de hoje?". Emiko me fazia superar limites.

Janis, de gramática, certamente determinou meu gosto pela profissão e a escrita, me comparando à grande escritora Clarice Lispector no terceiro ano. Suas aulas eram divertidas, suas dicas valiosas. Tanto que passei na universidade federal sem muito esforço, mesmo duvidando da minha capacidade.

Quero prestar uma homenagem a todos os professores, que me fizeram ser quem sou como profissional e cidadã. Sei que os governos querem criminalizar e fazer caça às bruxas a eles, mas me parece tão absurdo. Incompetentes? Bem pagos? Truculentos ou comunistas? Desculpe, isso parece um lapso de juízo ou memória.

Vamos aos fatos. Manchete de O Globo, dezembro de 2018: ‘Brasil é o país que menos valoriza professores, diz estudo; China lidera’. No mês de junho deste ano, no Uol Educação: ‘Salário de professor no Brasil é "horrível", diz ex-presidente do Inep’. Dois anos atrás, no G1/Globo: ‘99% dos professores brasileiros ganham em média menos de R$ 3,5 mil, diz estudo’.

Deste ano, no El País: ‘No Brasil, Obama pede valorização dos professores e diz que educação não é caridade’. No entanto, para o Estado de Mato Grosso, em guerra há mais de um mês com os professores em greve, vale o argumento que paga o terceiro melhor salário do país a eles (R$ 5.553,00 – 30h semanais).

Agora, tomo a liberdade de uma réplica, com a manchete do próprio RD News de janeiro deste ano: ‘Maiores salários custam R$ 4,8 milhões para o Estado; sargento recebe R$ 108 mil’. Em maio, outra notícia dizia assim: ‘Folha de Poderes e órgãos alimenta marajás de MT’, pois alguns ganham até R$ 50 mil por mês!

Eu não sei qual a real intenção dos governos, refletindo minimamente não parece boa. Suponhamos que o Brasil fosse uma empresa em crise, os empresários cortariam seu órgão vital e principal insumo de crescimento? Espantariam ou perseguiriam as suas mentes mais brilhantes? 

Falei até aqui para concluir que o principal problema desse país é a hipocrisia e a falta de bom senso. Porque salário decente e condições de trabalho é o mínimo que podemos oferecer a quem tanto faz pelas nossas crianças e os nossos jovens. Então, quando se tratar dos meus professores, me faça um favor, mais respeito!

Rose Domingues Reis, jornalista graduada pela UFMT, especialista em Liderança e Coaching – MBA pela Unic, formação em Psicologia Positiva pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC) de São Paulo, rosidomingues@gmail.com.

domingo, 30 de junho de 2019

Alunos da Escola Maria Mariá criam poema para homenagear palmarina ilustre



José Leandro, Júlio César, Emerson Carlos, José Nataniel, Wanderson Rodrigues, Adriele Pereira, Bianca Fernandes e José Wilson

A VIDA DE MARIÁ


Vou contar-lhes uma história
De luta e de alegria
A história de uma guerreira
Conhecida por Maria

Nascida numa cidadezinha
No interior de Alagoas
Foi batizada de Maria
Uma menina muito boa

Sempre muito de bem com a vida
Viveu com muito contento
Seu nome é Maria Mariá
Sobrenome de Castro Sarmento

Desde pequena muito esforçada
Na cidade de União
Formou-se professora
Trabalhou com determinação

Muito em sua cidade
Ela foi solicitada
Por sua grande inteligência
Muito era procurada

Seus estudos em sua vida
Foram muito importantes
Era também conhecida
Como Dicionário Ambulante.

É com muita empolgação
Que lhes apresento esta história
Da menina palmarina
Que viveu luta e viveu glória

Desde cedo aos seus estudos
Era muito dedicada
Foi estudar na capital
Deixa a cidade pacata

Maria Mariá em sua vida
Foi uma mulher que muito causou
Foi a primeira a usar calças
E a primeira a usar maiô

Nascida para a Gramática
Seu lema era EDUCAR
Causou tremendo alvoroço
Ao sentar na mesa de um bar

Estudou o Magistério
Com entusiasmo e dedicação
Fez Técnico em Contabilidade
Mulher guerreira de União

Muita coisa em sua vida
Com esforço foi conquistada
Trabalhou também como jornalista
Eita menina arretada!

(Poema criado pelos alunos da Escola Municipal Maria Mariá de Castro Sarmento 30/05/20

Acima fotos da aluna Bianca Fernandes com o Professor Felipe Paulino, profissionais da educação, familiares e convidados em tributo a Maria Mariá. 

O Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), promoveu neste mês de junho algumas homenagens a ilustre palmarina Maria Mariá de Castro Sarmento. 

Através das escolas municipais de União dos Palmares, professores e alunos produziram atividades voltadas para enaltecer a mulher REVOLUCIONÁRIA que não mediu esforços para preservar o patrimônio cultural e artístico do município. A ativista cultural completaria em 2019, 102 anos. 

No encontro profissionais de educação e convidados participaram de roda de conversa "especial" com a presença de parentes, ex-vizinhos e ex-alunos que relembraram momentos marcantes através de relatos/experiências vividas com a professora Maria Mariá.

Na ocasião a coordenadora da cultura Elizabethe Oliveira, sua equipe foram elogiados pelo material entregue aos professores e, pelo dia agradável e rico de conhecer a VERDADEIRA história de Mariá!