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sábado, 12 de janeiro de 2019

Princesa Aqualtune

Ela sofreu a dor imensurável do estupro, ao ser “comercializada”.

Em Alagoas é parada obrigatória a Serra da Barriga, que abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. E lá, com toda energia sentida por seus visitantes, conhecer um pouco mais da história brasileira.

Em 1597, os quilombolas chegaram ao Quilombo dos Palmares, com esperança de liberdade e dias melhores. Aqualtune, mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares, foi princesa africana em sua terra natal, já que era filha do Rei Congo. Esta importante mulher, liderou uma força de dez mil homens na Batalha de Mbwilla (cidade localizada na atual Angola), entre o Reinado do Congo e Portugal, e só foi capturada com a derrota congolesa.

Tendo Aqualtune sido aprisionada, foi trazida para o Brasil, mais especificamente para a cidade de Recife, e vendida como escrava reprodutora. Ao ficar gestante, foi vendida para o engenho de Porto Calvo, onde ficou sabendo da existência do Quilombo dos Palmares. É narrado historicamente que a princesa, além de Ganga Zumba, também deu a luz a Gana (que mais tarde se tornou chefe de dois mocambos de Palmares), e Sabina, que é a genitora de Zumbi, o grande líder dos Palmares.

Aqualtune não aceitou calada o destino que lhe foi imposto. Buscou a liberdade de forma incessante. Sofreu a dor imensurável do estupro, ao ser “comercializada”. A escravidão, com todo o sofrimento já imposto, foi enfrentada por mulheres como elas, juntamente com o machismo. Por ser uma ex-princesa, foi vendida para um fazendeiro explorador, que a entregou nas mãos de um escravo reprodutor violento, onde foi torturada sexualmente. Quando ouviu falar sobre o Quilombo dos Palmares, para o local se dirigiu. Com toda sua força e resistência, contribuiu de maneira extrema na luta, outrossim, com discursos destemidos, exercendo a coragem na consolidação da república.

Ao subir a Serra da Barriga, localidade que, ainda em tempos atuais, é repleto de vigor positivo, é possível imaginar os negros e negras a escalarem, em romaria, a busca pela tão sonhada paz. Chegando ao lugar que abrigou o Quilombo dos Palmares, na cidade de União dos Palmares, interior do Estado de Alagoas, a história do Brasil fica completa. Lutaram e conseguiram provar que raça não pode, e nem deve, definir capacidade humana.

Qual o motivo de tanta discriminação e preconceito aos irmãos e irmãs? Na contemporaneidade, dizer que a diferenciação é falácia é o mesmo que afirmar desconhecer o mundo em que vivemos. Não tiveram e não possuem as mesmas oportunidades. A obstinação deve ser marca por longos anos, pelo que se desenha nos dias que estão por vir...  

A Princesa Aqualtune, por sua trajetória de luta pelas mulheres negras e liberdade, recebeu vários títulos, se tornando figura feminina de muita relevância. Juntamente com Dandara, Tereza de Benguela, Tia Simona, Luisa Mahin, essas mulheres não aceitaram a dupla discriminação na época da pré-abolição do Brasil.

A literatura de cordel, através de Arraes, homenageou a princesa: “Foi vendida como escrava Chamada reprodutora Imagine o pesadelo Que função mais redutora (...) Quando penso em Aqualtune Sinto esse encorajamento A vontade de enfrentar De mudar nesse momento Tudo aquilo que é racismo E plantar conhecimento.”

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O que é ser um bom aluno?


É um terror para fazer os trabalhos de casa. Não está atento. Parece estar sempre no mundo da lua. Não fica concentrado. Fala muito com os colegas. Não para quieto no lugar.
 
Estas são algumas das queixas mais habituais entre alguns pais e professores relativamente a muitos alunos e às atitudes que dificultam o rótulo de bom aluno. A verdade é que, sem nos apercebermos, idealizamos comportamentos e formas de estar, consoante as nossas experiências e os nossos limites pessoais. No entanto a realidade são os alunos e filhos que temos e não os alunos e filhos que idealizamos.
 
Ser bom aluno tem, inevitavelmente, um mundo de etiquetas e caixas com comportamentos esperados que são, de uma forma geral, comuns. É o aluno que demonstra interesse, é o aluno que está concentrado nas aulas, é o aluno que tira boas notas.

Estes comportamentos são denominadores comuns para caracterizar um bom aluno. Mas gostava de ir mais além. Ser bom aluno ou ser bem comportado não é um conceito fechado. Nem poderá ser. Os contextos e profissionais existentes influenciam possíveis denominações.

Um bom aluno poderá ser um aluno médio ou um mau aluno em diferentes situações. O que deve ser fundamental é deter a flexibilidade e sensibilidade de ser capaz de “ler” a criança/jovem que temos à nossa frente e cuja a nossa missão é potenciar o seu desenvolvimento pessoal e social (embora, na maior parte das vezes, nos tentem fazer crer que é preencher grelhas, tabelas, esquemas e todo um trabalho administrativo que não, não deve ser o principal trabalho dos professores).

As crianças não são tábuas rasas e conhecer o seu background, conhecer os seus interesses, pontos fortes e pontos menos fortes permite compreender o ponto de partida. Permite traçar um plano que tem de ser e que é, sempre, individual. Ninguém tem duas histórias e referências iguais embora possam corresponder da mesma maneira a diferentes estímulos.

Ser bom aluno passa essencialmente pelo conhecimento. Um professor que não saiba ler a sua turma ou um pai que não saiba ler o seu filho vai dificultar o percurso, vai arriscar-se a cair em rótulos e perder-se nas expetativas desses rótulos.

Há crianças difíceis há. Mas há sempre um caminho. E há sempre um caminho para ser “bom aluno” – o aluno que tem sucesso tendo em conta as suas características sempre tão próprias.

Joana Almeida

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

"O meu quadro de saúde era tão ruim que tomar água era a mesma coisa que mastigar pimenta" Por Caroline de Moraes



Hoje é um dia especial para mim. Dia de agradece a todos que me apoiaram até o momento. Pessoas que estiveram nas horas boas e nas ruins. 


Quero dizer que é uma honra tá aqui com vocês e, uma conquista de todos. Depois de tudo que passei... Pra quem não sabe vou resumir. Fiquei internada no Hospital São Vicente de Paulo no finalzinho de agosto com a boca infeccionada onde fiz exames e foi diagnosticada com uma doença na garganta.

O período que passei no hospital tomei entorno de 40 injeções e soros. Sofri muito, porém, teve momentos de dizer que não estava com fome por não conseguir comer, chorava por não conseguir tomar água. 

O meu quadro de saúde era tão ruim que tomar água era a mesma coisa que mastigar pimenta. Comer comida caseira era impossível e passei muito dias me alimentando e tomando água em seringa. Não falava e mal enxergava, no leito do São Vicente eu só babava. 

Sim, esse foi o pior período da minha vida. Com a boca estourada e colada pedir forças a Deus para voltar para meu lar e ficar ao lado da minha família e dos que amo. 

Agradeço a DEUS, aos médicos, meus familiares, principalmente meu pai por não esconder seus sentimentos por mim. Minha mãe que não saiu do meu lado um minuto, tentando ser forte e na hora do choro ia para outro canto. 

Obrigada ao professor Marcelo que fez uma corrente de orações nas salas de aula aqui na escola, reunindo os alunos para orar por minha saúde. Por ser o responsável por levar alguns amigos ao hospital, onde recebi várias cartinhas carinhosas dos que ficaram, na hora da tristeza leia bilhetes e ria sozinha. 

Aqui fica minha eterna gratidão a todos que fazer a Escola Municipal Dr. Antonio Gomes de Barros, da direção a turma da limpeza. Não posso deixar de AGRADECER aos demais professores por aturar minhas brincadeiras ao tempo que peço desculpas e, mais uma vez agradecer por cada abraço acolhedor.

Para terminar vou sentir faltas de todos vocês. Ao meu eterno grupo, o QUINTETO; Laíse, Andressa, Rayssa é Letícia eu AMO TODAS! 

Adrielly minha branquela.

João Victor o amor da minha vida.

Maria Caroline de Moraes Salustiano da Silva

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

"Neste momento minha mente, retorna para fevereiro de 2015 quando nos encontramos pela primeira vez na escola, no 6º ano, iniciando a mais fabulosa jornada de nossas vidas" Professor José Marcelo


Caro Alunos,

Neste momento minha mente retorna para fevereiro de 2015 quando nos encontramos pela primeira vez na escola, no 6º ano, iniciando a mais fabulosa jornada de nossas vidas, onde o respeito, sorrisos e, principalmente, conhecimentos foram prioridades.

Nestes 4 anos, seria difícil enumerar os momentos mais marcantes que passamos na Escola Municipal Dr. Antônio Gomes de Barros. Creio que para vocês também. Mas, poderia destacar o amadurecimento de vocês e daqueles que, por algum motivo, não puderam estar nessa formatura. 

Pude sentir a força da nossa união através da nossa troca de conhecimento. Além da gratidão por todos, quero estender o nosso sucesso aos demais funcionários de apoio, professores, coordenação e direção. Todos os profissionais fazem o sucesso da comunidade escolar Antônio Gomes.

Vocês são vencedores!!! Falo com ênfase porque relembro nosso passado, nossas aulas e registros fotográficos no ensino fundamental. E, infelizmente, muitos não se encontram aqui hoje. 

Esta noite é para celebrar vocês, homenagear cada um de modo especial! Estamos felizes por mais uma conquista de todos.

Desejo sucesso no Ensino Médio. Desejo também sucesso no IFAL para nosso representante desse ano, Allif Lopes. Que os erros cometidos nessa escola não ocorra na próxima que vocês vão estudar. Sejam alunos protagonistas, participativos e arrasem nas apresentações. Mantenham vivas dentro de vocês a sua essência e a esperança de vida melhor. 

Desejo, ainda, que o ano novo seja repleto de realizações, nas vidas de todos e de suas famílias.

Beijos!

Professor José Marcelo Pereira da Silva.