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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Há Vinte e Cinco Anos Atrás Por Kerolayne Oliveira


Comia-se de tudo, almoçava-se em casa, brincávamos sem culpa e tínhamos uma inocência maravilhosa, fotógrafos ganhavam a vida na praça tirando foto 3 x 4, mas conhecidos como lambe-lambe, as contas eram pagas em dinheiro vivo, e ficávamos ansiosos quando víamos os correios trazendo as cartas. 

O vídeo cassete era um aparelho de luxo, que traduzia a maravilha de um bom filme. Mães zelosas guardavam revistas para ajudarem a seus filhos na hora da “tarefinha”, havia um bom mercado para enciclopédias vendidas de porta em porta, que podíamos dividir em suaves prestações.

A palavra tecnologia apesar de inventada em 1829, não fazia parte no nosso vocabulário diário. Mas sabíamos que as coisas mudariam no piscar de olhos, lembro-me como hoje no dia em que ouvi a palavra DVD, que as fitas cassetes iriam ser Cd´s, que exagero, como poderia uma fita virar CD, só não sabíamos que tudo iria mudar tão depressa.

Em pouco tempo a tecnologia mudou radicalmente nosso estilo de vida, hoje mais do que nunca dependemos do celular, do computador, da internet, ninguém escapou a esta influência, se este impacto é para melhor ou pior é uma questão filosófica, apenas posso afirmar que não conseguimos fugir desta modernidade. Além dos celulares, computadores, hoje temos os microchips, aparelhos telefônicos de quatro chips, câmeras fotográficas digitais, que não precisamos mais sofrer para vermos nossas fotografias depois das revelações, IPods, Ipads.

Como é que conseguíamos viver sem internet e sem celular? Já perdi as contas de quantas vezes me perguntei isto. Como encontrávamos telefones e endereços, como conseguíamos guardar uma noticia para o dia seguinte, como sabíamos dos filmes que estavam em cartaz, como traduzíamos músicas, enfim, como vivíamos sem a danada da tecnologia?

O fato é que de alguns anos para cá, passamos a ser pessoas bem mais informadas, antigamente minha curiosidade restringia-se a apenas o que meus pais sabiam, ou o que a biblioteca do Colégio poderia me ajudar, hoje com um clique somos capazes de descobrir o mundo.

Hoje, vinte e cinco anos depois, percebo como mudei, minha infância já não existe no presente, brincadeiras são trocadas por jogos em computadores, inocência acho que nem conheço mais o significado desta palavra.

Vivemos numa época muito mais evoluída do que pensava que ia ser, meu passado hoje não é quase lembrado.

Agradeço a meus pais por terem me dito na época certa, pois pude desfrutar da inocência, das brincadeiras de rua, aproveitar os momentos com meus amiguinhos de escola, saber guardar a noticia para o dia seguinte, escrever cartas, tentar traduzir as musicas do meu jeito, e crescer junto com a tecnologia.

Neste exato momento, clico na barra do Word e vejo que já escrevi 464 palavras. É a tecnologia presente no nosso dia a dia.

Texto adaptado da publicação “50 anos construindo o futuro”. Revista Seleções de Junho/2011

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